á‰tica nos negócios em tempos de crise: é possível?
Existe ética nas empresas mesmo em peíodos de crise? Eu prefiro acreditar que sim, ou pelo menos a ética deveria fazer parte dos negócios, já que as empresas são uma conjugação de interesses que envolvem patrões, empregados, clientes, fornecedores, governos e até mesmo as comunidades. Aliás, eu conversei com o economista e professor do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, Lelio Lauretti (foto), que está nesta quinta-feira (7), em Curitiba, para falar sobre a á‰tica e ação empresarial em um mundo em criseâ€.
Segundo Lélio, que tem mais de 60 anos de experiência no mercado financeiro e de capitais, o verdadeiro papel de uma empresa é o de gerar e distribuir riquezas em todos os níveis. Para ele, a visão ética de uma empresa não se resume apenas em saber se ela está pagando em dia seus compromissos. Ela tem que gerar lucros, pois esta é uma das suas finalidades econômicas, mas também deve se preocupar com os seus colaboradores. A empresa economicamente mal sucedida está quase que automaticamente impedida de cumprir funções sociais relevantes. Na contramão, a empresa economicamente bem sucedida á custa de expedientes imorais, como suborno, sonegação, exploração do trabalho, competição desleal, etc., tem um “passivo social” que depõe contra sua própria existência. Qual o sentido de falar em “responsabilidade social”, por exemplo, numa empresa cuja principal atividade é altamente prejudicial para a sociedade?, indaga o economista.
Para Lélio Lauretti, felizmente está melhorando a qualidade do relacionamento entre patrão/empregado, chefes e subordinados, e isso tem contribuído para um ambiente mais promissor dentro das empresas.
E o que dizer então da ética em empresas que produzem cigarros, bebidas e armas? Eu fiz esta pergunta ao economista e ele me disse que esta é uma situação bastante complicada, pois o que dizer de uma empresa que fabrica produtos que só trazem malefícios para a sociedade? Na sua opinião, se não existissem os 100 mil fornecedores de armas do Pentágono, por exemplo, o mundo seria bem mais pacífico.
Lélio Lauretti também destaca a importá¢ncia da mídia na ética das empresas. Segundo ele, a pressão da opinião pública é muito forte e hoje a empresa que tiver sua reputação atingida, simplesmente sumirá do mercado, pois a sociedade não mais perdoa os deslizes.
No evento promovido pelo Escritório Katzwinkel e Advogados Associados, o advogado Edgard Katzwinkel Junior, falou sobre a ética na advocacia. Segundo ele, o comportamento ético do profissional do Direito é muito importante. O advogado tem que ser sério, porque exerce uma função de convencimento. Ele pode omitir, mas jamais mentir.â€








