Cigarro brasileiro é o sexto mais barato do mundo
A indústria do cigarro continua resistindo, apesar do sucesso das campanhas antitabagistas. No Brasil, o grande aliado da indústria é o preço do cigarro, que é o sexto mais barato do mundo. Um maço do Marlboro, o mais vendido no mundo, sai por R$ 4,25 em Curitiba. Em Paris, o fumante paga 5,30 euros, ou mais de R$ 15 pelo mesmo produto. Em Nova Iorque, esta marca é vendida a US$ 9 ou R$ 19.
Essa realidade já começa a mudar, pois algumas marcas de cigarro subiram 20% a partir deste mês, ou seja, um porcentual quatro vezes maior do que a inflação brasileira no ano passado. O movimento de alta se deve basicamente a dois fatores: o governo federal optou por elevar os tributos sobre o produto para compensar cortes no IPI e Cofins. A alíquota do primeiro imposto subiu 23,5%, enquanto a do segundo, 70%. O resultado foram maços pelo menos 20% mais caros, no caso das marcas mais baratas, ou 25%, nas mais caras. O segundo fator, menos direto, obedece a questões políticas. O Ministério da Saúde há anos luta por mais tributos para o cigarro, que auxiliariam no pagamento de campanhas antifumo.
Um estudo do economista Roberto Iglesias, feito para o Banco Mundial, mostra que um aumento de 10% no preço do cigarro leva a uma queda de 2,8% no consumo per capita em um prazo de três trimestres. Em nove meses, portanto, o consumo poderia cair até 8%. Outro aspecto econômico é que, além do efeito positivo sobre a arrecadação o cigarro caro e consequente queda das vendas provocam economia de gastos com saúde.
A indústria tabagista se defende alegando que emprega 2,4 milhões de pessoas, mais do que a construção civil, e movimenta um mercado de R$ 13 bilhões anuais.








