Crise não afeta negociações salariais
A instabilidade econômica causada pela crise internacional até o momento não se refletiu de forma negativa nas negociações coletivas dos reajustes salariais. A análise dos reajustes dos trabalhadores brasileiros realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), nos primeiros cinco meses de 2009, revelou ligeira melhora diante do ano anterior. Se em 2008, 89% das negociações salariais asseguraram pelo menos a recomposição das perdas ocorridas durante a data-base, este ano, o porcentual subiu para 96% das negociações. Já o porcentual de negociações com reajustes inferiores ao INPC calculado pelo IBGE passou de 11%, em 2008, para 4%, em 2009. No entanto, o porcentual de negociações que garantiu reajuste acima do índice de preços permaneceu quase inalterado: 77%, em 2008, e 78%, em 2009.
O estudo realizado pelo Dieese mostrou que é visível a aproximação dos valores dos reajustes salariais á variação do INPC-IBGE. Em 2008, 12% tiveram reajustes que exatamente zeraram as perdas ocasionadas pela alta dos preços. Em 2009, os reajustes localizados nessa faixa atingem 18% do total.
Outra constatação que confirma esta aproximação é o expressivo aumento de categorias com ganhos de até 0,5% acima da inflação: em 2009 somaram 25% e em 2008, 15%.
Por outro lado, em 2009, são verificados quatro reajustes em patamar de ganho real acima de 4,5% do índice inflacionário, algo não observado no ano anterior.
Ao analisar os reajustes salariais segundo os setores da economia, o estudo do Dieese observou resultados heteroêneos. Nas unidades de negociação da indústria, que certamente foi o setor mais afetado pela crise, o porcentual de reajustes acima da inflação sofreu ligeira redução e variou de 86% para 83%. De outro lado, 11% das unidades de negociação obtiveram reajuste idêntico ao INPC-IBGE, apenas recompondo o poder de compra dos salários (em 2008, foi 8%).
No comércio, a situação é um pouco diferente. Assim como ocorreu na indústria, o porcentual de negociações com reajustes iguais ao INPC-IBGE subiu. Porém, quanto aos reajustes acima e abaixo da inflação, o comportamento foi diferente. Houve redução no número de reajustes acima do INPC-IBGE – embora em número pouco significativo – e nenhuma ocorrência de reajustes abaixo do índice, contra 13% observados em 2008.
Já o setor de prestação de serviços é, sem dúvida, o que apresenta o melhor desempenho na comparação entre 2008 e 2009. O porcentual de categorias com perdas salariais no setor foi reduzido de 14% para 4% e o percentual das que conquistaram aumentos reais subiu de 71% para 78%. Além disso, em 2009, o número de negociações com aumentos reais situados nas faixas mais altas da tabela é superior ao observado em 2008.


