Midia alternativa altera conceito de som ambiente

Por muito tempo, a idéia de música ambiente esteve ligada a versões orquestradas, clássicos do jazz e do pop veiculadas em salas de espera, consultórios, lojas de departamentos e, principalmente, elevadores. O ênero, também chamado de muzak (o nome da companhia americana responsável pelas primeiras trilhas sonoras desse tipo, nos anos 1930), virou sinônimo de composições sem personalidade, chatas.

Recentemente, o som ambiente se tornou uma ferramenta decisiva para atrair e reter clientes em lojas, shoppings, hotéis e restaurantes. E a melhor medida para essa súbita relevá¢ncia é o sucesso daqueles que se dedicam a criar trilhas sonoras de uso comercial, como a Rádio Ibiza, que é formada pelos irmãos Levy e Rafael Gasparian e pelos sócios Pedro Salomão e José Márcio Almany.

A empresa monta seleções para 500 clientes, entre eles Farm, Mixed, Pizza Hut, e Burguer King. O serviço, que custa de R$ 300 a R$ 3 mil por mês, consiste basicamente na instalação de software criado pelo grupo no computador do estabelecimento comercial. De fácil operação, o programa é abastecido e atualizado por CDs em que estão gravadas as seleções. Segundo produtor musical, Nizo Gomide (foto), franqueado da Rádio Ibiza em Curitiba, a música ambiente sempre foi vista como uma coisa sem valor, amadora e pouco criteriosa. Hoje ela faz parte da profissionalização musical. Gomide já conquistou clientes como a academia Swimex, a rede Dellano móveis e o Hospital Muricy.

Para criar a atmosfera tão desejada por lojas e restaurantes da cidade, os produtores recomendam toques que faça menção ao estilo da cidade ou do estabelecimento. No Rio, por exemplo, os produtores recomendam samba, nas interpretações de Elza Soares, Mart’nália, Diogo Nogueira, Arlindo Cruz, Simoninha, Bossacucanova e Rodrigo Sha, misturados á  MPB de Karina Buhr e Paula Morelembaum”, diz Nizo Gomide. Caso a opção seja sofisticar um pouco mais, adiciona-se á  receita o jazz de Miles Davis, Chet Baker e John Coltrane. Ouvidos mais roqueiros, por sua vez, pedem clássicos atemporais de bandas como U2, Rolling Stones, Credence Clearwater Revival e The Smiths. Independentemente do estilo, o objetivo de toda essa mistura é um só: surpreender e cativar o cliente de tal forma que ele até se esqueça do tamanho da conta.

Soma

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