Cresce a consciência ecológica entre os consumidores, mas preço ainda é o fator mais importante
Pesquisa recente realizada pela Mintel revela que há um interesse crescente em sustentabilidade no Brasil. Atualmente, a população do país busca um comportamento mais ecológico e há um ambiente favorável para empresas criarem produtos para atender a essa demanda. O relatório Estilos de Vida Sustentáveis mostra que 73% dos consumidores brasileiros afirmam que sua atitude pode realmente afetar o meio ambiente do mundo. O estudo também revela que 74% da população diz que deve considerar fatores verdes†na próxima vez que comprar um eletrodoméstico de grande dimensão. Ao mesmo tempo, 69% dos respondentes da pesquisa considerarão motivos ambientais quando adquirirem um eletroeletrônico.Entretanto, o relatório Mintel revela que os brasileiros vão levar questões ambientais menos em conta se forem custar mais, com 69% deles dizendo que preço alto os preocupa mais que o meio ambiente. Além disso, 73% dos consumidores afirmam que fazer economia é a razão principal para reduzir o gasto de água ou eletricidade. Para completar, 91% deles dizem que produtos que fazem uso eficiente de energia economizam dinheiro a longo prazo, mesmo que sejam mais caros.
“Mesmo quando os brasileiros mostram grande comprometimento com o meio ambiente, eles não estão preparados para aceitar soluções que irão lhe gerar um custo extra. Consumidores são constantemente bombardeados com informações sobre sustentabilidade. O resultado é uma confusão generalizada sobre o tema e um maior ceticismo em relação ao que eles lêm nos rótulos das embalagens dos produtos. A melhor forma para contornar isso é combinar funcionalidade e preço acessível com tecnologias sustentáveis. Produtos e empresas que são capazes de aliar preço, qualidade e sustentabilidade estarão melhores posicionados para capturar a atenção deles e conseguir resultados”, afirma Sheila Salina, analista sênior de Pesquisa da Mintel no Brasil.
Além disso, os departamentos de Desenvolvimento de Novos Produtos das empresas estão aproveitando essa demanda do consumidor. Análise do Banco de Dados de Novos Produtos (Global New Product Database _ GNPD) da Mintel mostra que entre os lançamentos de bens não duráveis em 2012, 24% deles tiveram uma afirmação ética ou ecológica. Essa porcentagem é quase idêntica á proporção de produtos com posicionamento ético lançado nos Estados Unidos (23%) em 2012, mas abaixo da proporção de novos itens que foram desenvolvidos na mesma categoria no Reino Unido (31%).
A pesquisa também revela atitudes interessantes sobre reciclagem. Apesar de 94% dos consumidores brasileiros afirmarem que reciclariam mais se tivessem coleta seletiva na área onde vivem, 50% deles dizem: “Eu não sei porque é importante reciclar”. Para comparação, 73% dos respondentes no Reino Unido dizem que fazem esforço para reciclar (Mintel, 2012), enquanto que nos Estados Unidos, 72% afirmam que separam o lixo (Mintel, 2011).
“A contradição entre a intenção dos consumidores brasileiros e o conhecimento deles sobre sustentabilidade ocorre porque eles não têm muitos exemplos reais de seus benefícios e não entendem bem como a prática sustentável pode impactar suas vidas. Mais publicidade e informação sobre a importá¢ncia da reciclagem, e dos resultados atingidos por meio dela, ajudarão a induzir mudança de comportamento”, continua Sheila.
Ao mesmo tempo, parece que os consumidores brasileiros acreditam no potencial das empresas de gerarem mudanças ecológicas e sociais nas comunidades em que operam, com um expressivo número de 91% deles afirmando que ações verdes de organizações corporativas podem afetar o meio ambiente mundial. Entretanto, eles acreditam que isso não vai além de uma estratégia de “marketing verde”, com 81% das pessoas dizendo que não acreditam que as empresas sejam tão verdes quanto afirmam.
O relatório Mintel revela que os brasileiros têm opinião variada quando analisado o papel verde das companhias. Grupos de renda alta (classes A e B) tendem a ser mais conscientes dos danos ambientais que podem ser causados por empresas e, geralmente, exigem delas, maior responsabilidade em relação a esse assunto. Cerca de 95% dos consumidores das classes A e B esperam que a operação e os produtos de empresas impactem minimamente no meio ambiente, comparado a 90% dos respondentes dos grupos D e E. Quando as regiões do país são analisadas, o Centro Oeste e o Sul (as duas com 97%) são as áreas onde os entrevistados mais pesam a responsabilidade sobre as empresas. Ao mesmo tempo, somente 89% dos consumidores da região Norte têm a mesma opinião.
“Para vencer o ceticismo sobre a questão do “marketing verde”, a solução é oferecer provas concretas que mostrem como a Responsabilidade Social Corporativa das empresas é efetiva. Companhias que explicam ações, detalham suas medidas e resultados em relação ao meio ambiente, tendem a se beneficiar mais pois muitas pessoas não sabem exatamente a função da área de Responsabilidade Social Corporativa e quais são suas implicações”, explica Sheila Salina.








