Juros já consomem 8,35% do PIB e mantêm crédito seletivo no país

Juros já consomem 8,35% do PIB e mantêm crédito seletivo no país

Cenário exige concessão mais criteriosa e reforça a busca por alternativas de financiamento no ponto de venda

Os juros nominais do setor público brasileiro atingiram R$ 1,08 trilhão em 12 meses até março, o equivalente a 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados do Banco Central. O avanço do custo do dinheiro ocorre em paralelo ao aumento do déficit fiscal e ajuda a explicar por que o crédito segue restrito, mesmo diante de uma demanda elevada por financiamento no consumo. Em março, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 80,7 bilhões.

Na prática, esse ambiente de juros elevados e maior risco fiscal tem impacto direto no crédito ao consumidor. Instituições financeiras mantêm critérios mais rigorosos na concessão, priorizam a capacidade real de pagamento e o comportamento financeiro recente, o que reduz a margem para expansão do crédito, mesmo com a demanda aquecida.

Esse movimento já se reflete no comportamento de consumo. Levantamento da Top One Financeira, especializada em crediário e empréstimos no ponto de venda, mostra que o volume de vendas via crediário cresceu 14,56% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. O ticket médio das operações ficou em R$ 1.543 e indica maior presença de compras financiadas no varejo físico.

Seletividade no crédito

Apesar do avanço, o crédito segue seletivo. A taxa de aprovação permaneceu estável no período, com 40% dos CPFs analisados aprovados, enquanto o comprometimento médio de renda dos consumidores ficou em 15,5%. Ao mesmo tempo, 80% das análises corresponderam a consumidores em primeira compra e sinalizam a entrada de novos perfis no crediário.

Para Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, o cenário reflete uma reconfiguração do acesso ao crédito no país. “O custo do dinheiro hoje impõe mais cautela na concessão. Mesmo com demanda, as instituições precisam garantir que o crédito seja compatível com a renda e com o nível de endividamento do consumidor. Isso mantém a seletividade elevada e muda a forma como o consumo é financiado”, afirma.

Segundo ele, o avanço do crediário não representa expansão indiscriminada, mas uma adaptação do mercado. “Há uma busca por alternativas que permitam manter o consumo, mas com maior previsibilidade. O desafio é equilibrar esse acesso com a qualidade da carteira, em um ambiente ainda pressionado por juros elevados”, diz.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *