Expansão do crédito eleva endividamento das famílias brasileiras

Expansão do crédito eleva endividamento das famílias brasileiras

Programa Desenrola Brasil auxilia a curto prazo, mas não resolve problema da sustentabilidade fiscal

Apesar do aquecimento do mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento da renda e do número de postos, o endividamento das famílias voltou a crescer de forma expressiva. Na prática, iniciativas de expansão do crédito, como o crédito consignado, diminuem o custo da dívida de forma individual, mas também podem incrementar o volume total de endividamento por conta da facilidade de acesso. Essa é a conclusão do mais recente estudo do Centro de Liderança Pública (CLP).

De acordo com a nota técnica, o bom momento do mercado de trabalho deveria representar o cenário ideal para transformar crescimento em bem-estar, com mais pessoas empregadas, salários em alta e massa salarial em expansão. No entanto, parte significativa desse ganho vem sendo absorvida por dívidas, juros e prestações. Com isso, o endividamento das famílias voltou ao centro do debate da política econômica brasileira.

Em fevereiro, as dívidas das famílias com o sistema financeiro chegaram a 49,9% da renda, igualando o pico histórico registrado em julho de 2022, segundo dados do Banco Central. O comprometimento da renda também avançou, de 29,5% para 29,7%, o que significa que quase um terço da renda das famílias já está comprometido com o pagamento de dívidas.

O aumento das dívidas pode ser explicado pela ampliação ao acesso do crédito consignado. Em março, por conta das facilidades como taxas menores, as concessões para trabalhadores do setor privado subiram 52% em relação a fevereiro, passando de R$ 7,146 bilhões para R$ 10,864 bilhões.

Crédito consignado

O estudo entende que o crédito consignado pode reduzir o custo de uma parte da dívida, mas também pode ampliar o estoque total de endividamento. Para o CLP, a economia brasileira entrou em uma fase em que o crédito passou a funcionar como uma tentativa de manter vivo um modelo de expansão que já encontra seus limites.

A nota defende que trocar dívidas caras por outras um pouco mais baratas, como o governo deve tentar fazer com o Desenrola Brasil, ou criar linhas de crédito com garantia pública, trabalhista ou salarial pode ajudar no curto prazo, mas não resolve o problema principal. Para reduzir a necessidade de juros altos, o país precisa enfrentar a origem do desequilíbrio fiscal e do excesso de dependência do crédito.

Além da questão do crédito, o governo aumentou de forma expressiva os gastos públicos, principalmente com despesas obrigatórias e o Bolsa Família, e tentou financiar isso com mais arrecadação. Como esse modelo tem limites, o crédito virou o principal motor para manter o consumo e a atividade econômica. No início, a combinação de gasto público e crédito sustentou emprego e renda, mas também pressionou a inflação e manteve os juros altos. Com a Selic elevada, o crédito ficou mais caro, aumentando as dívidas das famílias e reduzindo a capacidade de consumo no futuro.

Por fim, o levantamento afirma que o país precisa conter o avanço dos gastos públicos. Sem controle, o aumento da arrecadação acaba sendo consumido pelo crescimento das despesas e pelo custo mais alto da dívida. Também é importante evitar estimular ainda mais o crédito quando muitas famílias já estão comprometidas financeiramente.

O crédito pode ser positivo para financiar investimentos, enfrentar períodos difíceis ou substituir dívidas mais caras, mas perde esse papel quando passa a sustentar um nível de consumo que a renda já não acompanha. Além disso, a venda de ativos públicos pouco utilizados pode ajudar a reduzir a dívida, aliviar a pressão sobre os juros e permitir que o Estado concentre mais recursos em serviços públicos, investimento social e infraestrutura.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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