IR: Por que a gestão dos condomínios pode virar uma armadilha para síndicos e moradores?

IR: Por que a gestão dos condomínios pode virar uma armadilha para síndicos e moradores?

Mesmo não sendo empresa, condomínios devem “prestar contas” ao Leão

Embora não seja uma empresa com fins lucrativos, o condomínio está longe de ficar livre das garras da Receita Federal. Na prática, o ambiente coletivo é um ente sem personalidade jurídica, mas que, para fins fiscais, funciona como um verdadeiro ‘ponto de retenção’ de tributos sobre prestação de serviços.

O alerta é de Luiz Fernando Martins Alves, advogado, contador e diretor jurídico da Associação das Administradoras de Condomínios do Estado do Paraná (AACEP). Com o prazo para a declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 se aproximando — cujo encerramento ocorre no último dia útil de maio —, as dúvidas sobre o que deve ou não ser declarado no universo condominial aumentam significativamente.

Condomínio paga Imposto de Renda?

Diferente de uma empresa, o condomínio não paga IR sobre sua atividade principal (a arrecadação das taxas para manutenção).

“Ele é um ente criado para administrar interesses comuns. No entanto, possui CNPJ, é obrigado a cumprir diversas obrigações acessórias e precisa prestar contas à Receita sempre que houver retenções de serviços ou geração de receitas extraordinárias”, explica Martins Alves, que também atua como administrador de condomínios.

O ‘Leão’ no bolso do síndico e do morador

Um dos pontos de maior confusão diz respeito às taxas e receitas dos ambientes coletivos. Segundo o diretor jurídico da AACEP, a isenção da taxa condominial para o síndico ou o recebimento de pró-labore não são “benefícios informais”, mas sim rendimentos tributáveis que devem constar na declaração.

Para os moradores, o risco reside nas receitas extras do condomínio, como o aluguel de espaços para antenas de telefonia ou publicidade. “Quando o condomínio gera receita, ele não paga imposto sobre o lucro, mas deve repassar o informe aos condôminos. Cada proprietário precisa declarar sua parte proporcional no IRPF, mesmo que o dinheiro tenha ido direto para o fundo de reserva”, alerta o advogado.

Gestão contínua: o fim do ‘prazo único’

Esquecer o condomínio durante o ano e tentar resolver tudo em maio é um erro estratégico. Atualmente, obrigações como a EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais) e a DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) exigem entregas mensais. Elas servem para declarar retenções sobre serviços de limpeza, vigilância e manutenção.

“Não é algo para se resolver uma vez por ano; é um acompanhamento contínuo. A carga de obrigações condominiais hoje é comparável à de pequenas empresas”, pontua Martins Alves.

Riscos: do bolso ao CPF

O descumprimento dessas normas pode paralisar a gestão do ambiente coletivo. As consequências incluem:

  • Multas pesadas: os valores acabam sendo rateados entre todos os moradores, gerando prejuízo coletivo.
  • Problemas no CNPJ: a irregularidade impede a obtenção de certidões negativas, dificultando financiamentos ou contratos essenciais.
  • Risco ao CPF do síndico: como responsável legal, o síndico pode sofrer reflexos em seus documentos pessoais e restrições de crédito em casos graves.

Como uma administradora pode ajudar?

A administradora desempenha um papel essencial para mitigar riscos, organizando toda a parte operacional e fiscal, tais como cálculo e recolhimento de tributos, envio das obrigações acessórias, controle de retenções de prestadores de serviços, emissão de informes de rendimentos e prestação de contas detalhadas.

Para evitar que o desconhecimento se transforme em prejuízo, o suporte especializado é fundamental. Contudo, Luiz Fernando Martins Alves deixa um lembrete.

“A responsabilidade legal continua sendo do síndico. É fundamental acompanhar e entender minimamente o que está sendo feito. Uma boa gestão não é custo, é proteção para todos”, conclui o diretor jurídico da AACEP.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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