IA redefine prioridades financeiras e eleva pressão sobre CFOs

Com 7 em cada 10 CFOs priorizando a inteligência artificial, transformação digital passa a liderar decisões de investimentos
A inteligência artificial já se consolidou como prioridade estratégica para a área financeira. Pesquisa global da FTI Consulting, divulgada recentemente em 2026, mostra que cerca de 7 em cada 10 CFOs no mundo tratam a tecnologia, especialmente IA e analytics, como prioridade nos investimentos, movimento que coloca a transformação digital no centro das decisões corporativas. Esse avanço ocorre em um contexto de pressão crescente sobre os diretores financeiros, que passaram a ser cobrados por maior previsibilidade de resultados, respostas mais rápidas a cenários econômicos voláteis e, ao mesmo tempo, por maior protagonismo nas estratégias de crescimento das empresas.
No Brasil, a tendência segue na mesma direção. Dados da Grant Thornton, publicados em 2025, indicam que 51% dos CFOs pretendem aumentar investimentos em tecnologia, enquanto outros 45% devem manter os aportes, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador. Para o IBEF-PR, esse movimento evidencia uma mudança estrutural na função financeira, que deixa de ser apenas operacional para se consolidar como um centro de inteligência e geração de valor dentro das organizações.
“A pressão sobre o CFO aumentou de forma significativa nos últimos anos. Hoje, ele precisa garantir eficiência, mas também antecipar cenários, mitigar riscos e participar ativamente das decisões estratégicas. Isso exige velocidade e profundidade analítica que não eram demandadas no passado”, afirma Carlos Peres, presidente do IBEF-PR.
Segundo ele, fatores como a volatilidade econômica, a necessidade de ganho de eficiência e a maior complexidade dos negócios explicam esse novo nível de exigência sobre os executivos financeiros.
Ferramenta central
Nesse contexto, a inteligência artificial passa a ser uma ferramenta central para responder a essas demandas. Empresas têm utilizado a tecnologia para aprimorar previsões de fluxo de caixa, automatizar processos financeiros, analisar riscos em tempo real e apoiar decisões estratégicas com base em grandes volumes de dados. “A IA permite que o CFO saia de uma posição reativa e passe a atuar de forma mais preditiva. Ele ganha capacidade de simular cenários, antecipar movimentos e tomar decisões mais embasadas, o que é fundamental em ambientes de incerteza”, explica o presidente.
Na prática, essa transformação já impacta diretamente o cotidiano das empresas. Em uma indústria, por exemplo, sistemas de inteligência artificial já cruzam dados de vendas, estoque e comportamento de clientes para prever quedas de demanda com semanas de antecedência, permitindo ao CFO ajustar produção, renegociar contratos com fornecedores e preservar caixa antes que o impacto chegue ao resultado. Em empresas de serviços, ferramentas preditivas analisam padrões de pagamento e sinalizam riscos de inadimplência em tempo real, permitindo decisões imediatas sobre crédito. Em ambos os casos, decisões que antes levavam dias, ou dependiam de análises retrospectivas, passam a ser tomadas quase instantaneamente, com base em dados atualizados.
“Não se trata apenas de investir em tecnologia, mas de mudar a forma como a área financeira atua dentro da empresa. O CFO passa a ser um integrador de informações, conectando dados, estratégia e execução. Quem conseguir fazer isso melhor terá uma vantagem competitiva relevante”, afirma o presidente do IBEF-PR.
Segundo Peres, o principal desafio agora não é mais a adoção da tecnologia em si, mas a capacidade de implementá-la de forma eficiente, garantindo qualidade de dados, integração de sistemas e preparo das equipes.








