Ganho de escala é essencial para viabilizar o etanol brasileiro

etanol“Se não adquirirmos escala mundial, o etanol brasileiro não será viável no longo prazo”. A avaliação foi feita pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Mauro Borges Lemos, durante o primeiro dia do Ethanol Summit 2013, realizado em 27 e 28 de junho, na capital paulista. Segundo ele, o melhor caminho para o ganho de escala é transformar o etanol em commodity. “É a nossa grande chance no longo prazo. Temos que ter o produto com características homogêneas e, ao mesmo tempo, com flexibilidade para ser complementar a outros combustíveis”.

Borges Lemos destacou a importância de uma política de longo prazo. “Esforços tecnológicos e de inovação são fundamentais. Por isso estamos discutindo com o setor, no escopo do Plano Brasil Maior, uma agenda tecnológica para até 2025”. Ele reconhece que, à medida que o Brasil caminhar para um alinhamento do preço da gasolina com o do mercado internacional, será necessário um esforço maior para viabilizar o etanol como biocombustível. “Mas, se tivermos escala no etanol de segunda geração, ele se torna competitivo. E essa agenda tem que ganhar robustez agora”. O etanol de segunda geração é aquele fabricado a partir da celulose presente em qualquer parte da planta.

Participaram do mesmo debate o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Neves, o presidente da empresa Datagro, Plinio Nastari, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, e o secretário-adjunto de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Rutelly Silva. Neves apresentou dados sobre os impactos econômicos e sociais nos municípios que recebem usinas.

De acordo com o pesquisador da USP, na cidade de Quirinópolis (GO), após a instalação de uma usina de etanol, foram criados mais de 5 mil novos empregos formais, entre 2005 e 2011. A frota de veículos saltou de 10,7 mil para 23 mil no mesmo período e a arrecadação com o ICMS foi de 8 milhões para 24 milhões. “Existem muitos municípios como esse no Brasil, onde as áreas de pastagens degradadas podem ser utilizadas para a produção do etanol, com uma série de benefícios à sociedade e sem danos ambientais, já que a cultura da cana não prejudica outras culturas”, declarou.

Nastari ratificou o exemplo dado por Neves. “Esse foi o impacto observado em todos os municípios produtores de etanol desde o ProÁlcool, em 1976. De lá para cá, o etanol já substituiu 2,3 bilhões de barris de gasolina no Brasil e tivemos, de 76 a 2012, uma economia com importações da ordem de US$ 280 bilhões”. O presidente da Datagro defendeu, ainda, um planejamento energético integrado dentro do governo, com menor indução do mercado consumidor a partir do controle sobre os preços dos combustíveis.

Dornelles, do MME, lembrou que o Brasil tem segurança energética e que analistas indicam que a gasolina é um produto com grande oferta global e, portanto, tendência de queda de preços. Para ele, a questão-chave para o setor de etanol está no custo de produção. “Hoje são 135 dólares por um barril de etanol, frente a 127 dólares para um de gasolina. Isso tem que mudar. Precisamos de um mercado sustentável, viável, e de rupturas tecnológicas que nos deem mais produção com menos dispêndios. O mercado potencial existe e terá de ser conquistado. E, via de regra, a sociedade sempre optará pelo energético mais barato”, declarou.

Por sua vez, Rutelly assinalou que o etanol deve ser tratado como combustível. “É essencial para sua consolidação como um produto de eficiência e segurança energética. E isso é uma política maior do que desenvolvimento regional. Nenhum produto se consolida como combustível sem ser tratado como produto energético”. Ele lembra que o governo federal dá um tratamento tributário especial ao setor do etanol, já bastante desonerado. E faz um alerta: a expansão da extração de gás natural pode mudar o papel do etanol no mercado. “A viabilidade das reservas de gás de xisto pode colocar o gás natural como um concorrente ainda mais feroz do que a gasolina”.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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