Geada compromete próxima safra de café
Ainda é cedo para uma avaliação mais detalhada dos efeitos das últimas geadas sobre a próxima safra de café no Paraná. É preciso que a planta volte a vegetar para apresentar a extensão real do dano causado pelas baixas temperaturas, o que demandará algumas semanas após a geada, segundo Antonio Carlos Spanhol, técnico agrícola da Cocamar no noroeste do Paraná, especialista em café. “Entretanto, é certo que a safra do próximo ano está comprometida”, afirma.
As fortes geadas dos últimos dias, semelhante a de 1994, atingiram praticamente todas as áreas de café nas regiões Noroeste e Norte do Estado. “Dependendo da localização, as lavouras foram mais ou menos afetadas. Mesmo os cafezais plantados em regiões mais altas, onde é mais difícil gear, foram atingidos. É bem provável que os produtores terão que podar ou esqueletar o cafezal (corte dos ramos)”, comenta Spanhol. Em Altônia, os termômetros registraram 0 grau, e em Umuarama, -2 no campo.
Na região cafeeira do Norte do Paraná, as geadas foram pouco mais intensas que no Noroeste, demandando, em alguns casos, recepa do cafezal (corte embaixo no tronco), informa o gerente de Produção Agrícola, Leandro Teixeira. Nas áreas de novos plantios, praticamente não houve perdas. Os produtores foram alertados a tempo e cobriram as plantas com terra.
No norte pioneiro, as geadas chegaram causando danos de moderado a fraco, não devendo ser significativas as perdas, comenta o técnico agrícola especialista em café da Cocamar na região, Antonio Aparecido de Lima. “O que tivemos foi uma geada de capote, pegando mais os ponteiros das plantas e os cafés nas baixadas”, diz. A região, onde está localizado Carlópolis, o município maior produtor de café no Estado, responde por 30% a 40% da produção do Paraná. Mas em alguns pontos, segundo técnicos, houve danos mais severos.
Com cerca de 50% dos grãos colhidos, a safra de café deste ano não foi afetada. O período de chuvas contínuas em junho, entretanto, atrasou o ritmo da colheita e prejudicou a qualidade dos grãos quanto ao aspecto e bebida. Spanhol calcula que de 30% a 40% dos frutos caíram na região noroeste. Em contato com o solo e a umidade, a ação de fungos e outros micro-organismos afetaram a qualidade chegando, em muitos casos, a ocorrer brotação dos grãos.


