Queda nas vendas no primeiro semestre deixa indústria paranaense em alerta

indústria-vendaCom forte queda em seu desempenho em junho, interrompendo uma série de três meses seguidos de alta, a indústria paranaense fechou o primeiro semestre de 2013 com uma redução de -1,08% em suas vendas, em comparação com o mesmo período de 2012. A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), responsável pelo levantamento, afirma que o resultado dos primeiros seis meses do ano é um sinal de alerta para o segmento. Caso a tendência de desaceleração das atividades não seja revertida a partir dos dados de julho, a expectativa de crescimento para a indústria do Estado em 2013 – anteriormente estimada entre 2,5% e 3% – devem ser revistas para baixo. Por isso, o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, reitera o apelo pela adoção de medidas efetivas que recuperem a competitividade da indústria brasileira.

O desempenho negativo do primeiro semestre deste ano foi afetado diretamente pela queda de -6,6% nas vendas em junho. Dos 18 setores pesquisados pela Fiep, 11 tiveram redução no volume de negócios no mês. As maiores retrações foram nos segmentos de ‘Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos’ (-25,89%), devido à redução de exportações; ‘Produtos de Metal’ (-16,21%), pelo retorno ao nível normal de vendas após aumento nos meses anteriores; e ‘Vestuário’ (-15,89%), por conta do fim das vendas da moda outono-inverno. O recuo no mês atingiu também os três gêneros de maior participação relativa na indústria paranaense: ‘Alimentos e Bebidas’ (-9,54%), pela sazonalidade da safra paranaense; ‘Veículos Automotores’ (-6,49%), por ajustes em linha de produção de grande empresa do setor; e ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (-6,83%), em virtude de fatores climáticos na produção de álcool.

A redução nas vendas em junho interrompeu um ciclo de três meses consecutivos de crescimento – a indústria paranaense havia registrado aumento em suas vendas de 17,94% em março, 10,21% em abril e 1,93% em maio. Para o coordenador do Departamento Econômico da Fiep, Maurílio Schmitt, as oscilações no primeiro semestre são reflexo de um cenário de incertezas que atinge a economia brasileira. “Os números evidenciam a nebulosidade que se dissemina sobre a economia nacional”, diz.

O economista chama a atenção para outro fato alarmante observado na pesquisa da Fiep. Em junho, o nível de emprego na indústria paranaense caiu -2,28%, com redução em 12 dos 18 gêneros analisados. “Esse é também um alerta, já que tradicionalmente junho é um mês de aumento de emprego, dada a característica histórica de maior dinamismo da indústria no segundo semestre”, explica. Além disso, as compras de insumos pelas empresas também apresentaram redução de -7,63% no mês. “Portanto, não há sinais claros para as decisões empresariais relativas à programação de produção e à realização de novos investimentos. Em outras palavras: as empresas não estão vislumbrando forte crescimento no futuro próximo”, afirma Schmitt.

Edson Campagnolo: o Brasil precisa adotar medidas efetivas que possibilitem a retomada da competitividade.
Edson Campagnolo: o Brasil precisa adotar medidas efetivas que possibilitem a retomada da competitividade.

Para Campagnolo, a oscilação pela qual passa a indústria paranaense segue uma tendência nacional e é mais um sinal de que o país precisa adotar medidas efetivas que possibilitem a retomada da competitividade do setor produtivo brasileiro. “Há tempos alertamos que o país precisa resolver uma série de problemas estruturais que prejudicam a indústria nacional, como a alta e complexa carga tributária e as deficiências de infraestrutura, entre tantos outros”, diz o presidente da Fiep.

Segundo ele, o governo vem adotando uma série de medidas pontuais nos últimos anos, que ajudaram a amenizar alguns dos problemas, mas que não são suficientes para garantir um crescimento sustentado do setor industrial em longo prazo. “Precisamos de políticas efetivas para que a indústria recupere sua competitividade já que, tanto no mercado interno quanto no externo, concorremos com produtos saídos de países que possuem condições mais favoráveis para a produção”, declara Campagnolo.

Diante do cenário de incertezas, o Departamento Econômico da Fiep cogita até revisar as expectativas de crescimento da indústria paranaense em 2013. Atualmente, a entidade ainda estima expansão entre 2,5% e 3% em comparação com o ano passado. “Mas em persistindo e aumentando a incerteza sobre o ritmo dos negócios no próximo mês, haverá a necessidade de reconfigurar a previsão de vendas para 2013”, afirma Maurílio Schmitt.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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