Empresas têm até fevereiro de 2014 para se adaptar à nova Lei Anticorrupção

Uma possível consequência das manifestações populares realizadas em junho no Brasil foi a aprovação da Lei Anticorrupção pelo Congresso Nacional no início de agosto. A nova legislação (Lei 12.846/13) dispõe com rigor sobre a responsabilização de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública brasileira e estrangeira. A lei afeta não apenas empresas brasileiras que participam de licitações, mas todas aquelas que tenham algum envolvimento com o setor público.

Diversas leis anteriores, como a lei de licitações, a lei de defesa da concorrência, a lei de improbidade administrativa e o próprio Código Penal, já dispunham de alguma forma sobre atos contra a administração pública. A nova lei, porém, veio preencher uma lacuna, de forma que especificapenalidades pela prática de atos de corrupção. O que muda com a Lei Anticorrupção então? De acordo com Diego Américo Beyer, advogado do Departamento Societário de Andersen Ballão Advocacia, a abrangência e o rigor das sanções são alguns dos principais pontos da Lei Federal 12.846/13. “A nova lei abrange todo e qualquer ato lesivo contra a administração pública e afeta todo tipo de sociedade empresarial, inclusive sociedades estrangeiras com filial no Brasil. A responsabilidade por esses atos também é pesada, pois as pessoas jurídicas envolvidas em um processo administrativo punitivo responderão por ele, independente de culpa.”, esclarece o advogado do escritório Andersen Ballão.

Em relação às sanções, Diego ressalta: “com a Lei Anticorrupção, as penalidades ficam vinculadas ao faturamento bruto do último exercício
anterior ao da instauração do processo administrativo, o que tornam as multas sobremaneira onerosas para as empresas”. Caso não seja possível
estimar o valor da vantagem embolsada, a nova lei determina que a multa possa variar entre R$ 6 mil a R$ 60 milhões.

A Lei Anticorrupção vai entrar em vigor em fevereiro de 2014, prazo destinado às empresas para absorverem as novas instruções e planejarem
medidas de proteção e cautela. Mecanismos e procedimentos internos para auditoria, ações de incentivo a denúncias de irregularidades, investimento em programas de compliance e o estabelecimento de um código de conduta são algumas delas. “Em caso de atos lesivos, a comprovação dessas medidas pode diminuir a penalidade por demonstrar a boa fé da empresa. Mas lembro que, ainda assim, não garantem a inocência total, pois as sanções independem do grau de culpa da empresas, explica Beyer.

Comunicados e alertas a terceiros que possam representar, de alguma maneira, a empresa também são fundamentais. “Neste momento, o empresário não pode só olhar para dentro, ele precisa passar essas instruções aos parceiros de negócio, pois em caso de irregularidades por parte deles, sua empresa também poderá ser responsabilizada”, avalia o advogado do Departamento Societário do escritório Andersen Ballão.

Os empresários e gestores já perceberam que será preciso investir em ações que combatam as práticas ilícitas dentro da empresa. O investimento em programas de Compliance é uma opção – trata-se de atividades com o objetivo de fazer cumprir, dentro da empresa, as regras legais e regulamentares aplicáveis ao seu ramo de negócio, orientando processos e detectando falhas a serem corrigidas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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