Projeto transforma lixo em geração de renda para famílias do Paraná
Um projeto único em todo o Paraná e que merece estar no alvo dos holofotes da consciência socioambiental. O Projeto Alinhavando as Oportunidades tem se destacado por ampliar o número de famílias carentes atendidas e a levar às empresas o bom hábito de reciclar e reutilizar. O projeto é realizado pela Casa da Criança São José, localizada no bairro Cajuru em Curitiba, e ensina mulheres em situação de risco como confeccionar sacolas reutilizáveis (ecobags) aproveitando material reciclável das empresas. Um ônibus equipado com máquinas de costura visita as comunidades carentes em diversas localidades do estado e ensina mulheres como transformar o lixo em fonte de renda. São 600 bolsas confeccionadas e vendidas pelo ônibus em média por mês. O dinheiro arrecadado é revertido para o projeto e também para a manutenção da creche comunitária Casa da Criança, que atende 130 crianças.
A iniciativa também contribui para a redução de lixo encaminhado a aterros sanitários. Segundo a coordenadora Maria de Lurdes de Oliveira, desde o início dos trabalhos em 2010 o projeto já poupou o meio ambiente de receber mais de 9 toneladas de lixo plástico. “Foram feitas 25 mil bolsas com material que poderia ter ido para o lixo e foi reaproveitado, gerando renda para famílias carentes”, conta Maria.
A Altiseg, empresa especializada em segurança em altura, fabrica cintos para trabalho em altura e as sobras de tecido e também dos banners vão direto para o projeto. As fitas transformam-se nas alças das bolsas, que inclusive são exportadas para países europeus como França e Inglaterra.
“Contribuir para projetos como esse nos felicita de tal maneira que a cada dia queremos ajudar mais e reciclar mais. Além das fitas, ampliamos a reciclagem para sobras de tecido para confecção de almofadas, reutilizamos os grandes careteis de cabos de aço e os transformamos em bancos, e paletes viram mesas e portas revistas. O resto do couro de nossa fábrica vai para um sapateiro em Paranaguá que faz chinelos e com o dinheiro arrecadado atende uma creche na cidade”, diz Izabela Salete Luszczynski, reponsável pela área de Sustentabilidade da Altiseg.
Edson Sadão Imoto faz parte da ONG Fukuoka que faz a coleta do lixo reciclável das empresas e conta que na Grande Curitiba há somente 60 empresas que contribuem para projetos como esse ou ao menos possuem a consciência da reciclagem. “A lei 12.305/10, que diz respeito ao manejo dos resíduos sólidos, movimentou algumas empresas, mas ainda encontramos dificuldades de criarmos hábitos práticos de reciclagem e reutilização. As empresas que participam merecem o nosso reconhecimento para que sua boa prática sirva de exemplo para as demais”, afirma.
A ONG espera ampliar a participação de empresas em projetos como o Alinhavando as Oportunidades e para isso realiza palestras gratuitas em todo o Estado.
O projeto Alinhavando as Oportunidades ganhou o Prêmio Expressão de Ecologia de 2013 na categoria Tecnologias Socioambientais e o Prêmio Mundo Melhor de 2013, realizado pela UNISEP em parceria com a RPCTV e o Instituto GRPCOM. “Acreditamos neste trabalho e incentivamos a contribuição das empresas”, conclui Izabela Luszczynski.
Levada pelo espirito de preservação ambiental, a Altiseg também dá destino a lâmpadas e pilhas velhas, e até bitucas de cigarro, que são utilizadas em holarias para fabricação de tijolos e em enconstas de rios para evitar deslizamentos. Segundo Izabela, as bitucas também contaminam até 1 metro quadrado de água. “Cada um precisa fazer a sua parte. Na empresa, todo o mês a ONG Fukuoka vem fazer a coleta das bitucas, assim como outros produtos recicláveis, que recebem destinação correta. Todos os colaboradores ajudam, inclusive trazendo produtos de suas casas”, conta.








