Nova Lei Anticorrupção entra em vigor nesta quarta-feira

A partir desta quarta-feira (29), passa a vigorar no Brasil a Lei 12.846, mais conhecida como Lei Anticorrupção. O texto tem por objetivo responsabilizar, nas searas administrativa e civil, pessoas jurídicas pela prática de atos de quaisquer de seus funcionários, colaboradores, sócios e administradores contra a administração pública, nacional ou estrangeira, como subornos e corrupção. A legislação será aplicada às sociedades empresárias, fundações, associações de entidades, sociedades estrangeiras que tenham sede, filial ou representação no Brasil.

Assim, a partir desta data, diversos atos serão considerados lesivos e podem gerar processos contra as empresas, como por e exemplo prometer, oferecer ou dar vantagem indevida a agente público; frustrar, fraudar ou combinar no procedimento licitatório; impedir, perturbar ou fraudar a realização do procedimento licitatório; obter vantagem ou benefício indevido; manipular ou fraudar o equilíbrio econômico; dentre outros.

Para o advogado criminalista e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Penal Econômico (IBDPE), Francisco Monteiro Rocha Jr., a lei representa mais uma etapa do fechamento do cerco contra a corrupção, e que forçará a classe empresarial a se organizar e adotar práticas e políticas de transparência e ética. “Se essa postura já era importante para evitar processos criminais, com a nova lei, passa a ser obrigatório. Trata-se da única estratégia de defesa perante um funcionário que tenha se excedido e que, por exemplo, para ‘fechar as metas do mês’, tenha sido flagrado corrompendo um funcionário público – mesmo sem qualquer ciência dos escalões superiores”, explica. É que, conforme o art. 6º da nova lei, será levado em consideração no julgamento da empresa “a existência de mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa jurídica”.

As sanções incluem multas – de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício – perda dos bens, suspensão ou interdição parcial das atividades, dissolução compulsória da pessoa jurídica e proibição de receber subsídios de órgãos públicos por até 5 anos.

Segundo Rocha Jr., a criação da Lei 12.846 segue uma tendência mundial de privatização do combate à corrupção. “Ao invés de se punir somente os funcionários públicos corruptos e corrompidos, gradativamente a responsabilidade é repassada para as empresas, que devem agir preventivamente”, afirma. Os Estados Unidos e a Inglaterra são exemplos de países em que legislações semelhantes já são realidade.

Assim, as empresas terão que se preparar e prevenir para evitar ações judiciais. Para o advogado, a principal forma de evitar a responsabilização, nos termos da lei, é a implementação de programas de compliance nas organizações. “O compliance pode ser definido como um conjunto de políticas que irão garantir a observância das normas legais e regulamentares de suas respectivas atividades, e o cumprimento de princípios de ética e integridade corporativa”, diz Rocha Jr.

Neste contexto, a LEC (Legal, Ethics Compliance) realizará em Curitiba no dia 27 de fevereiro (quinta-feira), o Compliance Day, um evento que irá reunir juristas de todo o Brasil para falar aos empresários sobre a nova legislação, as aplicações práticas e desafios do compliance no mercado. O evento será no Golden Tulip Inn Batel, mais informações: http://lecnews.com/novo/compliance-day/.

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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