2014 será bom para agricultura, mas alimentos devem subir

produção agrícolaAs deficiências infraestruturais continuarão a castigar a agricultura catarinense em 2014 em face das estradas em más condições e os problemas com energia elétrica, comunicações etc. A avaliação é do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), José Zeferino Pedrozo. As cadeias produtivas que maiores prejuízos registram são a avicultura, a fumicultura e a bacia leiteira. Na criação de aves, dedicam-se 10.000 avicultores, na produção de leite 63.000 estabelecimentos rurais e no  fumo, cujo maior comprador é a China, há mais de 50.000 produtores. Todos estão sendo prejudicados pelos problemas de energia elétrica.

Apesar desses percalços, o ano será positivo para a agricultura, “mas não tão bom como foi 2013”. Os preços de remuneração dos produtores rurais continuarão relativamente bons, mas os preços dos grãos devem cair um pouco. Os preços de algumas comoditties, como a soja, não manterão os níveis de 2013, mas ainda remunerarão satisfatoriamente o produtor rural.

O vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, mostra que o preço do milho continua aquecido, beneficiado com a quebra de safra nos grandes produtores mundiais. Principal insumo das grandes cadeias, o milho não faltará, mas estará no centro oeste brasileiro, exigindo alto desembolso em transporte: hoje, a saca que custa 23 reais no Mato Grosso, chega a Santa Catarina por 26 reais.

A situação mais eloquente é da carne bovina. O boi está escasso no mercado em razão da seca na Austrália e nos Estados Unidos e da seca no centro-oeste brasileiro, agravada pelas cheias no Pantanal que provocaram alta mortandade de bois. Por isso, no Brasil o boi também está escasso: faltaram pastagens suficientes.

No segmento de suínos, a fase boa continua. O surgimento da peste suína africana (PSA) no norte da Europa reduziu a oferta mundial, enquanto a Rússia reabriu as importações. O mercado está em equilíbrio, com tendência ao aquecimento da  compras.  A planta da BRF em Campos Novos, que abate 3.000 suínos/dia, acaba de ser habilitada para o mercado russo – e isso vai enxugar ainda mais o  mercado. Por outro lado, todas as empresas avícolas estão investindo no aumento da base produtiva porque o consumo mundial de carne de frango não para de crescer.

Outra preocupação da Faesc é de ordem climática. Centros de pesquisa da Austrália, Japão e EUA preveem a volta do fenômeno El Niño neste ano, o que significará secas no hemisfério norte e cheias no hemisfério sul.

O presidente da Faesc disse que a concentração de empresas no setor de carnes preocupa os produtores. Hoje, JBS e Marfrig detêm a maior parte do mercado, surgindo a Coopercental  Aurora Alimentos em terceira posição. Na avaliação da Faesc, se não fosse a Aurora (uma empresa de natureza cooperativista), os produtores estariam sofrendo uma situação de monopólio.

Pedrozo e Barbieri concluem que, em razão de todos esses fatores, o preço dos alimentos deve aumentar lenta e gradualmente para o consumidor, no Brasil e no mundo.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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