Empresas brasileiras carecem de gestão financeira de qualidade

Os desafios que envolvem montar o próprio negócio e a necessidade de um planejamento financeiro nas empresas desde o seu nascimento foram os principais assuntos da palestra do especialista em finanças, Gustavo Cerbasi. Ele falou sobre o tema com alunos de cursos de especialização na área de finanças, planejamento e controladoria da Escola de Gestão da Indústria do Sistema Fiep. O evento aconteceu na terça-feira (1º), no Campus da Indústria, em Curitiba. “Além das aulas tradicionais, buscamos trazer profissionais experientes e conhecidos no mercado para ministrar palestras e aulas magnas nas Faculdades da Indústria e na Escola de Gestão da Indústria. O objetivo é aproximar ainda mais nossos estudantes do mercado de trabalho e ampliar o conhecimento em diversos setores”, disse o gerente executivo do IEL no Paraná, Eduardo Vaz, durante a abertura do evento.
“Mais de 90% das empresas brasileiras carecem de uma gestão de finanças de qualidade”, afirmou Gustavo Cerbasi. Segundo ele, a falta de um planejamento financeiro desde o nascimento de uma empresa e a pouca atenção à contabilidade são fatores determinantes para provocar grandes prejuízos e até o fechamento de uma organização. “Avaliar a contabilidade de uma empresa é como avaliar um hemograma de saúde. Ele deve fornecer dados básicos, ser informativo e direito, resultar em uma boa leitura de como está uma organização”, disse.
Para Cerbasi, abrir o próprio negócio ainda pode significar um investimento de alto risco, mas se esses riscos forem administrados, a chance de se obter sucesso é maior. Um dos problemas de quem abre uma empresa é não investir os lucros em mais desenvolvimento. “Esse reinvestimento é que vai melhorar o desenvolvimento de uma empresa e sua evolução, aumentando os lucros. Parece óbvio reservar parte do lucro para isso, mas em muitas empresas isso não acontece”, conta.
Existem erros comuns cometidos por empresários no Brasil quando o assunto é problema financeiro. O primeiro deles é a falta de um planejamento básico que os leva, consequentemente, a fazer más escolhas. O segundo erro é o superdimensionamento. “É quando o empresário resolve investir em um carro melhor, em um telefone mais tecnológico em um momento em que um modelo mais simples resolveria o problema”, revela. Os outros erros estão na dificuldade de mapear o mercado e não entender a diferença entre fazer empréstimos ou financiar e em qual momento utilizar um ou outro. “Empréstimos possuem juros mais altos. Já o financiamento deixa algum bem como garantia para o banco e em certos momentos, pode ser mais interessante, com juros menores”, disse.
Cerbasi indicou também algumas competências financeiras que podem auxiliar empresas no seu desenvolvimento, evitando surpresas no fluxo de caixa. “É preciso possuir números confiáveis. Uma empresa sem bons relatórios financeiros em mãos é como pilotar um avião sem painel de controle”, disse. Saber aonde a empresa quer chegar e aonde ela não deve ir é outra reflexão importante. “Trabalhar com um orçamento claro faz a diferença. Outro ponto é fazer o controle da evolução dos resultados e valorizar os números na hora das decisões”, afirmou. Ainda segundo o especialista, possuir pessoas de confiança e capazes na empresa também faz a diferença.
Para ter uma empresa organizada financeiramente, é preciso que o empresário também tenha as finanças pessoais organizadas. “É preciso saber cuidar do próprio dinheiro antes e lembrar que o grande aprendizado virá com a prática, entre erros e acertos”, finalizou.
Crédito da foto – Mauro Frasson








