Aumento dos juros contribuirá para elevação dos custos de produção no campo

Maior problema enfrentado pelos agricultores continua sendo a burocracia e demora excessiva na concessão dos recursos.
Maior problema enfrentado pelos agricultores continua sendo a burocracia e demora excessiva na concessão dos recursos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou nesta segunda-feira (19), o Plano Agrícola e Pecuário para a safra 2014/15. O volume de recursos foi ampliado de R$ 136 para R$ 156 bilhões, com aumento de 14,7% em relação à safra passada. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) em conjunto com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) e com apoio dos sindicatos rurais, produtores e técnicos havia enviado ao MAPA um documento com mais de 100 propostas ao PAP. O setor produtivo não esperava o aumento das taxas de juros, o que deve contribuir para elevação dos custos de produção no campo.

Confira a seguir as principais medidas e a avaliação da Faep:

Contrariando as expectativas dos produtores, o governo decidiu elevar às taxas de juros do crédito rural. A taxa média de juros anual teve aumento de um ponto percentual, passando de 5,5% ao ano para 6,5% ao ano. A medida desagradou o setor produtivo, pois o crédito rural com taxas de juros acessíveis vem sendo eficaz e induz maior uso de tecnologia no campo, aumentos de produtividade e de práticas sustentáveis, contribuindo para minimizar os desafios do agronegócio, como a ineficiência na infraestrutura e logística. Além disso, o governo não lançou nenhuma medida para ampliar o crédito rural rotativo e simplificado. Apesar do aumento no volume de recursos, o maior problema enfrentado pelos agricultores continua sendo a burocracia e demora excessiva na concessão dos recursos.

No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), a taxa de juros que era de 4,5% aumentou para 5,5%. O limite de crédito por produtor passou de R$ 600 mil para R$ 660 mil no custeio e de R$ 350 para R$ 385 mil no investimento. O volume de recursos para esta linha foi ampliado em 26,5% passando de R$ 13,2 para R$ 16,7 bilhões.

No Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) havia a expectativa de que houvesse uma redução na taxa de juros, para incentivar o investimento do médio produtor, no entanto houve aumento, passando de 3,5% para 4% ao ano. O mesmo ocorreu para o Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro) e Programa de Incentivo à Irrigação e à Armazenagem (Moderinfra) na agricultura irrigada.

A Faep havia solicitado juros menores e aumento de prazo para pagamento no programa de construção de armazéns para os médios produtores, considerando que os produtores do Pronaf têm condições que tornam viável o acesso à construção de armazéns, mas o governo preferiu aumentar os juros e manteve os prazos dessa linha.

O Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) foi revitalizado, com redução da taxa de juros de 5,5% para 4,5% ao ano. Na prática o programa passa a ter as mesmas condições de juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que deve terminar em dezembro deste ano. A Faep solicitou que o PSI fosse perene, considerando que o programa tem validade até dezembro de 2014. Com a revitalização do Moderfrota será importante monitorar se nos próximos anos o governo não vai aumentar a taxa de juros desse programa.

No Programa para Redução da Emissão de Gases de Efeito Estufa na Agricultura (Programa ABC) a taxa de juros que era de 5,0% ao ano passou para 4,5% ao ano para produtores com renda bruta de até R$ 1,6 milhão. Para produtores com renda superior a R$ 1,6 milhão a taxa de juros ficou em 5,0% ao ano.

No Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (ProRenova) Rural e Industrial a taxa de juros na safra passada havia sido reduzida para 5,5% ao ano, estimulando a renovação e implantação de canaviais, permitindo assim reverter o quadro de perda de produtividade. Porém, para a próxima safra 2014/15 a taxa de juros será pós-fixada e composta da Taxa de Juros de Longo Prazo – TJLP acrescida de 2,7% ao ano, que representa hoje uma taxa de 7,7%.

Para o apoio a comercialização será mantido na safra 2014/15 o mesmo orçamento da safra passada, de R$ 5,6 bilhões. No entanto, o governo federal não tem atuado oportunamente com a PGPM, sendo que esse valor não é efetivamente utilizado. Em 2013, por exemplo, o governo utilizou R$ 2,11 bilhões do orçamento. Em 2014, o Paraná precisa de apoio à comercialização para feijão, mas até o momento nenhum recurso foi destinado para a Conab. Outro problema na PGPM é a definição dos preços mínimos, que sempre estão defasados dos custos de produção da Conab.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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