Excesso de regulamentação pode prejudicar indústria bancária e retardar recuperação econômica

O pesado volume das novas regulamentações do setor bancário, desde a crise financeira global, pode prejudicar o setor bancário e retardar a recuperação econômica global. É o que aponta o novo levantamento do CSFI (Centre for the Study of Financial Innovation) em parceria com a PwC – o Banking Banana Skins Survey –  que é lançado a cada dois anos e faz um ranking dos grandes riscos do setor financeiro. Baseada em respostas de mais de 650 banqueiros, reguladores bancários e observadores atentos do setor em 59 países, a pesquisa apresenta 28 possíveis riscos para os bancos, dentre eles regulamentação e interferência política, que aparecem no topo da lista. A preocupação com esses dois itens é generalizada, segundo entrevistados, a questão é entender se o setor já ultrapassou certos limites em que os custos com regulação excedem os benefícios.

Outro ponto levantado na pesquisa mostra que a ansiedade sobre as perspectivas para os bancos começaram a cair pela primeira vez em sete anos, o que sugere uma transformação no clima de funcionamento dos bancos. O estudo mostra que preocupações apontadas em pesquisas anteriores como disponibilidade de capital, liquidez, qualidade de crédito e produtos exóticos no sistema bancário já começaram a diminuir. Mesmo com o fortalecimento da confiança sobre as perspectivas macroeconômicas, é possível notar que a preocupação com estabilidade da zona do euro continua, já a apreensão quanto aos mercados emergentes aumentou – particularmente a China – onde o sistema bancário é visto como saturado. Já as perspectivas para a redução gradual de flexibilização quantitativa, por parte dos bancos centrais, é amplamente visto como crucial para as perspectivas econômicas globais.

Um risco que aumentou consideravelmente no ranking do Banana Skins é a tecnologia – que em dois anos passou de 18ª posição para 4ª posição – em grande parte por conta dos cibercrimes. Para os respondentes da pesquisa, esse é um problema que tende a aumentar e custa caro para os bancos tanto financeiramente quanto sob o ponto de vista da reputação. As preocupações com tecnologia se concentram em sistemas de back office que são considerados datados, mas têm baixa prioridade para investimentos.

As respostas mostram que os principais entrevistados (banqueiros, observadores e gestores de risco) estão bastante preocupados com excesso de regulamentação e interferência política bem como no estado da economia global. No entanto, não banqueiros se mostram mais preocupados com os riscos institucionais em bancos como a qualidade da governança e gestão – os banqueiros jogam esse tipo de risco para baixo.

Ao analisar as regiões, as respostas em que regulação e política mais aparecem é na Europa e América do Norte. As principais preocupações na Ásia-Pacífico estão concentradas em macroeconomia e riscos de mudanças bruscas nas taxas de juros. Para David Lascelles, editor da pesquisa e membro do CSFI, a preocupação com o exagero regulamentar deve ser levada a sério. “Seria irônico se novas regras bancárias acabarem inviabilizando a recuperação do setor”, afirma.

Já para o líder de Serviços Financeiros da PwC, Dominic Nixon, “enquanto alguns viam o crescimento da regulação como algo necessário, a maioria sentiu que ultrapassou os limites e, que esse tipo de regulação representa custos desnecessários e gera consequências não intencionais”. Ele ainda afirma que regulação onerosa pode diminuir a rentabilidade e inovação durante uma época em que a contribuição dos bancos para a recuperação global é mais necessária.

Os BRICS não são mais o que eles eram antes. Muitos respondentes se mostraram preocupados sobre a volatilidade destes países que, até recentemente, eram dos mais atrativos na economia global. As reformas financeiras na China ainda não são confiáveis e tem ramificações políticas amplas. Já a abertura econômica da Índia é mais uma fonte de grande incerteza para o mercado. Por fim, a situação macroeconômica do Brasil e as perspectivas políticas também despertam suspeitas que podem provocar alta volatilidade do fluxo de capit

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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