Sebrae estimula registro de identificação geográfica de dez produtos típicos do Paraná

A uva de Marialva está entre os produtos paranaenses que buscam a IG.
A uva de Marialva está entre os produtos paranaenses que buscam a IG.

“O registro de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de distingui-los em relação aos seus similares disponíveis no mercado.” A definição de IG, difundida pelo Ministério da Agricultura, tem despertado a atenção de empreendedores rurais paranaenses que, com a ajuda de entidades como o Sebrae/PR, têm enxergado as vantagens e dado os primeiros passos rumo à certificação. Quem já não ouviu falar do vinho do Porto, típico de Portugal? Do champagne e do queijo Roquefort franceses? Do aceto balsâmico de Modena ou ainda do presunto, também italiano, de Parma? São produtos reconhecidos por apresentar qualidade única em função de recursos naturais, como o solo, a vegetação, o clima e o saber fazer (know-how ou savoir-faire). Produtos diferenciados que tiveram valor agregado, como os vinhos do Vale dos Vinhedos do Rio Grande do Sul, devido a um conjunto de fatores a seu favor.

De olho nos registros que conferem identificação geográfica a produtos, o que significa, para muitos empreendedores rurais, melhores condições para competir num mercado global, o Sebrae/PR realiza nesta quarta-feira (27), das 8 às 17 horas, em Curitiba, o 1º Encontro Paranaense de Indicação Geográfica. O evento, no auditório da entidade, reunirá representantes de produtores, especialistas no tema e servirá para tirar dúvidas sobre o processo de registro. Na oportunidade, também serão apresentados casos de sucesso.

A articulação em torno do tema começou no ano passado, quando o Sebrae Nacional analisou 35 produtos paranaenses com potencial para obtenção de registro de IG, conta a coordenadora estadual de Agronegócio do Sebrae/PR, Andreia Claudino. “Do total, dez produtos foram escolhidos para ser trabalhados pela entidade, produtores e parceiros, com a meta de obter novos registros para o Paraná”, assinala. “Este evento estadual reforçará nossa estratégia, que é, até outubro de 2015, dar entrada a dez pedidos de registro.”

Dentre os produtos paranaenses que buscam a IG, processo que pode levar até três anos, estão a uva de Marialva; o mel do Lago de Itaipu; o melado de Capanema; os queijos de Witmarsun; a goiaba de Carlópolis; a erva-mate de São Mateus do Sul; e a farinha de mandioca, a cachaça, os derivados de banana e o barreado, estes do litoral paranaense. “A identificação geográfica tem várias funções, que vão desde dar proteção aos produtos contra fraudes; fortalecer segmentos; até posicionar marcas diante do mercado”, explica.

Para Andreia Claudino, do Sebrae/PR, os empreendedores rurais do Paraná já têm exemplo de sucesso bem próximo, para se inspirar: os cafés especiais produzidos no Norte Pioneiro que, em 2012, com o apoio da entidade, conquistaram, junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), o certificador oficial no Brasil, o primeiro registro de IG do Estado. Conquista que abriu caminho também para um segundo pedido de registro, ainda em andamento, que busca o reconhecimento do mel produzido em Ortigueira.

A consultora do Sebrae/PR diz que a cooperação técnica entre a entidade e a Região da Emilia-Romagna, também ajudou na concepção da proposta, que  estimulará a busca por registros de IG, sobretudo porque o modelo italiano, além de prezar pela excelência e qualidade, trabalha com núcleos produtivos formados na sua maioria por pequenos negócios. “O Paraná, como a Itália, é um estado rico, com diversas vocações e produtos que, melhor trabalhados, podem ganhar notoriedade no mercado, base para obtenção de uma IG.”

Durante o 1º Encontro Paranaense de Indicação Geográfica, serão tratados temas relacionados à gestão, inovações e tecnologias em territórios com registros de IG. Maria Helena de Oliveira Nunes, examinadora de indicações geográficas e registros do INPI, será uma das conferencistas. Às 9 horas, falará sobre o tema “Registro de IG no Brasil: do depósito à concessão”.

Jorge Tonietto, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), discorrerá, na sua palestra programada para as 10 horas, sobre experiências do setor do vinho e dará dicas sobre a elaboração de documentos técnicos para o pedido de registro de IG. E Hulda Oliveira Giesbrecht, da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae Nacional, apresentará, às 11h15, um resumo da atuação do Sebrae no fomento às IG.

No período da tarde, o encontro estadual fará uma análise dos benefícios e resultados proporcionados pela indicação de procedência dos cafés especiais do Norte Pioneiro, e também do modelo de gestão do regulamento de uso da IG dos vinhos de procedência de Pinto Bandeira, já que, uma vez reconhecida a IG, fica nas mãos dos próprios produtores, associados, o domínio da marca.

Às 15 horas, representantes de produtores e técnicos, envolvidos nos dez territórios paranaenses que buscam IG para seus produtos, organizam-se em grupos de discussão, com o objetivo de avançar no cumprimento das etapas necessárias para a obtenção da certificação. “Produtores, bem como micro e pequenas empresas do segmento agroalimentar, têm demonstrado no Paraná grande potencial para agregar valor aos seus produtos. Essa característica será fundamental para a obtenção de registros”, aposta Andreia Claudino.

As IG registradas entre 2011 e 2013 cresceram 270%, ao atingir o total de 38 no Brasil, lembra a consultora. A maioria delas são IG relacionadas ao meio rural. Neste ano, 16 IG estão em processo de registro. A meta para 2015 é atingir o total de 54 IG registradas no INPI. “Para o Sebrae, as IG são uma estratégia de desenvolvimento e aumento da competitividade dos pequenos negócios, à medida que são produtos e serviços originários de determinada região, quando sua reputação, qualidade, tradição e outras características podem ser atribuída a sua origem geográfica.”

O 1º Encontro Paranaense de Indicação Geográfica começa às 8 horas, na sede do Sebrae/PR em Curitiba – Rua Caeté, 150 – Prado Velho. Mais informações podem ser obtidas pelo 0800 570 0800.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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