Batata sobe mais de 60% em Curitiba e foi a vilã da cesta básica em novembro

 

As altas da batata variaram entre 29,69% em São Paulo e 82,68%, em Brasília.
As altas da batata variaram entre 29,69% em São Paulo e 82,68%, em Brasília.

A cesta básica de Curitiba, composta de 13 produtos, apresentou alta de 1,54% em novembro quando comparada a outubro. A alta foi puxada pelos preços da batata que tiveram reajuste de 60,27%. No acumulado no ano, os produtos da cesta básica vendidos na capital paranaense subiram 5,95%, sendo que nos últimos 12 meses houve uma elevação de 7,24%.

Segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no mês passado, a cesta básica subiu em 12 das 18 cidades analisadas. As maiores altas foram registradas em Brasília (5,86%), Aracaju (3,82%), Goiânia (2,90%) e Campo Grande (2,52%). As reduções ocorreram no Rio de Janeiro (-3,03%), Natal (-2,39%), Recife (-2,29%), Florianópolis (-1,86%), Salvador (-0,81%) e João Pessoa (-0,56%).

São Paulo foi a cidade onde foi apurado o maior valor para os produtos essenciais (R$ 347,96). O segundo maior custo foi observado em Florianópolis (R$ 346,61), seguido por Porto Alegre (R$ 342,62). Os menores valores médios para o conjunto de gêneros básicos foram verificados em Aracaju (R$ 241,72), Salvador (R$ 255,72) e Natal (R$ 258,93).

Com base no custo apurado para a cesta mais cara, a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em novembro deste ano, o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 2.923,22, ou 4,04 vezes o mínimo em vigor, de R$ 724,00. Em outubro, o mínimo necessário era maior, de R$ 2.967,07, ou seja, 4,10 vezes o piso vigente. Em novembro de 2013, era menor e correspondia a R$ 2.761,58, ou 4,07 vezes o mínimo da época (R$ 678,00).

No acumulado de janeiro a novembro de 2014, 14 cidades apresentaram alta no valor da cesta básica. As maiores elevações ocorreram em Aracaju (11,50%), Brasília (10,81%), Florianópolis (8,54%) e Goiânia (7,69%). As reduções foram verificadas em Natal (-5,28%), Salvador (-3,55%), Belo Horizonte (-0,86%) e Recife (-0,09%). Em 12 meses, entre dezembro de 2013 e novembro último, 15 cidades tiveram variações positivas, com destaque para Florianópolis (17,07%), Goiânia (16,25%), Brasília (12,12%) e Aracaju (10,52%). As reduções aconteceram em Natal (-4,78%), Salvador (-1,62%) e Belo Horizonte (-0,41%).

O pão francês subiu 6,14% este ano em Curitiba
O pão francês subiu 6,14% este ano em Curitiba

Em novembro, os produtos com maior frequência de aumento nas capitais pesquisadas foram batata (pesquisada nas Regiões Centro-Sul), carne, pão e arroz. Já as farinhas (trigo e mandioca), leite, feijão e manteiga tiveram o valor reduzido na maioria das localidades.  A batata apresentou taxas elevadas de aumento em todas as cidades do Centro-Sul, onde é pesquisada. As altas variaram entre 29,69% em São Paulo e 82,68%, em Brasília. Em 12 meses, o produto acumula queda em cinco cidades, com reduções entre -26,44% em Belo Horizonte e -2,65% no Rio de Janeiro. As altas foram verificadas em Florianópolis (4,85%), Curitiba (5,41%), Vitória (5,49%), Brasília (14,85%) e Goiânia (25,95%). As regiões que cultivam a safra de inverno estão finalizando as atividades do campo e a menor oferta teve impacto no preço do varejo. Além disso, a estiagem prolongada no Sudeste vai atrasar o plantio da safra das águas.

A carne bovina, ainda em entressafra, período de crescimento do bezerro, apresenta oferta restrita de animais para o abate. O preço aumentou em 12 cidades. As maiores elevações foram registradas em Brasília (4,66%), Vitória (4,65%), Belém (4,23%) e Campo Grande (3,34%). As reduções aconteceram em Belo Horizonte (-1,68%), Rio de Janeiro (-1,43%), Recife (-1,24%), Florianópolis (-0,14%) e Goiânia e Natal (ambas com -0,06%). Em 12 meses, todas as cidades acumularam alta, que variaram entre 5,76% (Belo Horizonte) e 31,28% (Florianópolis).

O preço do pão francês mostrou elevação em 12 cidades, com destaque para as taxas de Aracaju (8,42%) e Campo Grande (3,69%). Em João Pessoa, o preço médio não variou e houve queda em cinco capitais, sendo mais expressiva em Natal (-1,41%), Goiânia (-1,35%) e Brasília (-1,25%). Em 12 meses, todas as cidades tiveram aumento no preço, que variaram entre 2,23% (Brasília) e 22,57% (Aracaju). Mesmo com a retração verificada nos preços da farinha para panificação nos últimos meses, o preço do pão francês segue em alta, refletindo elevações de outros custos.

O preço do arroz subiu em 11 cidades, com variações entre 0,40% (Belém) e 9,05% (Aracaju). Foi registrada estabilidade em São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia e diminuição em Recife (-4,79%), Vitória (-2,34%), Rio de Janeiro (-1,24%) e Brasília (-1,16%). Em 12 meses, todas as cidades registraram alta; exceto Belém (-4,24%). As elevações oscilaram entre 0,82% (em Belo Horizonte) e 27,65% (em Aracaju). A retração de oferta se deve à expectativa de alta no preço do grão, o que fez com que os vendedores segurassem o produto colhido. As chuvas frequentes atrasaram a semeadura da safra 2014/2015, o que reforça a valorização do arroz.

A farinha de mandioca, pesquisada no Norte e Nordeste, apresentou diminuição de valor em todas as cidades, exceto Aracaju (3,33%). As maiores quedas foram verificadas em Recife (-7,90%) e Natal (-6,79%). Em 12 meses, todas as localidades tiveram redução, entre -38,07%, em Manaus e -1,23% em Aracaju. Apesar da baixa oferta da raiz devido as chuvas, as indústrias possuem estoques altos de fécula, o que explica o baixo preço da farinha.

Também a farinha de trigo mostrou redução de valor em todas as cidades do Centro-Sul em que é pesquisada, com exceção de Brasília (1,08%). Goiânia e Curitiba tiveram as maiores quedas: -3,39% e -3,37%, respectivamente. Em 12 meses, cinco capitais apresentaram acréscimo no valor, com destaque para Florianópolis (23,80%) e Goiânia (8,08%). Vitória (-6,40%), Curitiba (-4,55%), Rio de Janeiro (-2,40%), Porto Alegre (-2,06%) e Campo Grande (-1,02%) tiveram redução. Menor demanda de farinha trigo e maior oferta de trigo estão reduzindo o preço do bem.

O preço do leite recuou em 14 cidades brasileiras no mês passado.
O preço do leite recuou em 14 cidades brasileiras no mês passado.

O preço do leite caiu em 14 cidades, devido ao período de safra. As maiores retrações ocorreram em Natal (-5,72%), Rio de Janeiro (-5,46%), Brasília (-5,45%) e Florianópolis (-5,38%). Os aumentos foram registrados em Aracaju (4,00%), Recife (2,88%), Belém (1,88%) e Fortaleza (0,35%). Em seis cidades, os preços acumularam alta em 12 meses: Aracaju (7,22%), Florianópolis (6,96%), Manaus (3,07%), Vitória (1,29%), Belo Horizonte (1,18%) e Goiânia (1,07%). Nas demais, as taxas foram negativas, com destaque para Natal (-7,94%) e Porto Alegre (-7,52%).

Houve redução nos preços do feijão – preto, carioquinha e rajado/cavalo (pesquisado em Belém) – em 11 cidades no mês de novembro. O tipo preto (pesquisado nas cidades do Sul, no Rio de Janeiro, Vitória e Brasília) registrou queda em todas as cidades, exceto em Florianópolis (1,09%). Em Curitiba, o preço do grão não variou. Destacam-se as taxas negativas registradas no Rio de Janeiro (-3,76%), Vitória (-3,07%) e Porto Alegre (-2,44). Já o feijão carioquinha (pesquisado no Norte2, Nordeste, em Campo Grande, Goiânia, São Paulo e Belo Horizonte) também registrou recuo nos preços em todas as capitais do Nordeste, exceto João Pessoa (2,12%), com taxas que variaram entre -6,22% (Aracaju) e -1,33% (Fortaleza). No Centro-Oeste e Sudeste, houve elevação: São Paulo (4,23%), Campo Grande (3,89%), Belo Horizonte (2,78%) e Goiânia (1,20%). Em 12 meses, nas capitais onde é pesquisado o feijão preto, houve elevação no valor apenas em Florianópolis (6,60%) e retração nas demais cidades, com taxas entre -15,73%, em Vitória, e -5,33%, em Brasília.

Para o feijão carioquinha, nos 12 meses, verificou-se retração em todas as localidades, com taxas oscilando entre -39,69% (Campo Grande) e -12,50% (Goiânia). A existência ainda, de altos estoques do grão, resultou em novas retrações do preço no varejo.

Em novembro, o preço da manteiga diminuiu em 13 cidades, com taxas que oscilaram entre -15,23% em Recife e -0,08% em Vitória. As altas foram registradas em Florianópolis (0,48%), Aracaju (0,76%), Fortaleza (0,87%), Campo Grande (1,10%) e Curitiba (1,76%). Em 12 meses, a manteiga acumulou alta em 11 cidades, com destaque para Florianópolis (11,68%), Goiânia (9,02%) e Curitiba (5,56%). As reduções mais expressivas ocorreram em Campo Grande (-18,33%) e Vitória (-12,98%). O período de safra e a maior oferta de leite reduziram o valor da principal matéria prima da manteiga, tendo impacto no preço ao consumidor

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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