Dólar e crescimento baixo devem complicar 2015 para o Brasil
O ano de 2015 deve ser marcado pela combinação de inflação e dólar em alta, crescimento baixo e aumento de impostos. A previsão do mercado é de que o país registre mais um ano de resultado fraco na economia em um cenário de forte ajuste fiscal, desaceleração do investimento e do consumo. “Será mais um ano desafiador, com certeza”, diz o professor de finanças do ISAE/FGV Marco Cunha. Para ele, será um período bastante restritivo, prejudicado pelo novo patamar do dólar, que veio para ficar e deve pressionar a inflação. Produtos importados ou que usam componentes cotados em dólar devem ficar mais caros. “Para piorar, os preços controlados, como da energia e da gasolina, devem ser reajustados com mais força em 2015”, diz.
Segundo Cunha, a saída do governo será aumentar os juros para conter a inflação, o que deve reduzir ainda mais o consumo. Com a economia esfriando ainda mais, a taxa de desemprego também deve subir em 2015. O Brasil terá que passar por um forte ajuste fiscal, com corte de gastos e investimentos para que possa a voltar a apresentar taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximas de 3%. “Para esse ano, prevejo uma taxa próxima de zero”, acrescenta. “Deve-se esperar menos gastos e mais impostos, sim. Tudo para compensar os erros cometidos nos anos recentes e arrumar a casa em termos de equilíbrio fiscal”, diz o professor de economia do ISAE/FGV Robson Ribeiro Gonçalves.
O país teve que conviver, em 2014, com inflação alta, endividamento das famílias, desaceleração do consumo e dos investimentos e piora do cenário macroeconômico. Para Gonçalves, a Copa do Mundo e as eleições prejudicaram o resultado do ano, além das incertezas em relação à condução da política econômica. “Se a presidente permitir que sua equipe econômica trabalhe pautando-se por diretrizes técnicas, será possível reverter o clima de incerteza. Também é preciso deixar claro qual o modelo para a infraestrutura, definindo claramente os papeis do setor privado e do governo. Por fim, vai ser necessário reafirmar o compromisso com a estabilidade macro. Se tudo isso for feito, a incerteza irá se diluindo ao longo do ano”, diz. Gonçalves prevê um crescimento baixo para 2015, mas ainda assim um pouco melhor do que em 2014, com avanço de até 1% do PIB.








