Indústria do Paraná recuou 0,4% em outubro
A produção da indústria do Paraná recuou 0,4% na passagem de setembro para outubro de 2014, diante da estagnação na média nacional em 0,0%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal Regional – Produção Física (PIM-PF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segunda taxa negativa consecutiva neste tipo de confronto, acumulando perda de 1,5% em dois meses. Com esse resultado, o índice trimestral registrou variação positiva de 0,1% nos três meses encerrados em outubro frente ao nível do mês anterior, interrompendo a trajetória descendente iniciada em março deste ano. Entre os locais pesquisados no País, sete dos quatorze apresentaram diminuição no ritmo da produção industrial. Os ramos que influenciaram negativamente no Estado foram fabricação de veículos automotores e minerais não metálicos.
Em outubro de 2014, no confronto com outubro de 2013, o setor fabril paranaense apontou recuo de 8,3%, frente contração de 3,6% para o Brasil, com retração em dez dos quinze locais pesquisados. Os setores que afetaram o desempenho da indústria no Estado foram veículos automotores, reboques e carrocerias (-29,2%), pressionado, especialmente, pela menor produção de automóveis; fabricação de máquinas e equipamentos (-23,1%), explicado pela menor produção de máquinas para colheita, tratores agrícolas, partes e peças para aparelhos de ar condicionado e refrigeradores e câmara frigorífica para produção de frio para usos industrial e comercial; produtos minerais não metálicos (-13,4%), devido a menor produção de artigos de fibrocimento contendo amianto, blocos e tijolos para construção de cimento ou concreto e cimentos “Portland”; e de produtos de metal (-7,1%), pressionado pela retração na produção de moldes para fabricação de peças de borracha ou plástico, artefatos diversos de ferro e aço estampado, estruturas de fero e aço em chapas ou em outras formas de pias, cubas, lavatórios, banheiras e semelhantes de ferro e aço.
Em sentido oposto, os setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,4%), fabricação de celulose, papel e produtos de papel (4,7%), produtos alimentícios (0,8%) exerceram as contribuições positivas mais importantes sobre o total da indústria paranaense.
No acumulado dos dez primeiros meses de 2014, a indústria do Paraná desacelerou 6,1%, ante redução de 3,0% na produção nacional. Dos treze setores pesquisados, nove diminuíram a produção, puxados por fabricação de veículos automotivos (-20,5%), máquinas e equipamentos (-11,9%), fabricação de móveis (-8,4%), produção de alimentos (-5,7%) e fabricação de produtos químicos (-2,9%).
No indicador acumulado de doze meses, encerrado em outubro de 2014, a produção industrial regional ao passar de -3,5% em setembro para -4,8% em outubro de 2014, manteve a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2014 (4,7%). Os principais impactos negativos para a média global vieram dos setores veículos automotores, reboques e carrocerias (-16,4%), móveis (-7,6%), máquinas e equipamentos (-7,3%), produtos alimentícios (-3,9%) e produtos químicos (-3,3%).
Os números desfavoráveis da produção regional resultam do ambiente nacional desfavorável com destaque para as barreiras externas, mais precisamente a drástica redução do ritmo de evolução da economia mundial, e subsequente diminuição dos preços internacionais das commodities; e a intensificação da adoção de uma política macroeconômica baseada em forte entrada de poupança externa, para financiar o consumo interno público e privado, em detrimento do investimento.
Aliás, esse modelo adotado pela gestão federal apresenta sinais de esgotamento, com a perspectiva desfavorável da elevação do consumo das famílias, em função da redução dos ganhos reais de salário, por conta da escalada da inflação, e do elevado comprometimento da renda com pagamento de dívidas.
O artigo foi escrito por Francisco José Gouveia de Castro, economista do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (IPARDES).


