CEOs estão menos otimistas com as condições econômicas globais em 2015
Cai o nível de confiança dos CEOs na recuperação da economia global nos próximos 12 meses, embora a confiança na capacidade de aumentar o faturamento de suas empresas permaneça estável, revelam os mais de 1.300 CEOs entrevistados na 18ª Pesquisa Global com CEOs da PwC. Os resultados da pesquisa foram divulgados nesta terça-feira (20), na abertura do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Os CEOs estão menos otimistas quanto às perspectivas de crescimento global do que há um ano: 37% deles acreditam na melhoria das condições em 2015, 7 pontos percentuais a menos do que os 44% que tinham a mesma expectativa no ano passado. A quantidade de CEOs que prevê retração aumentou significativamente, passando de 7% no ano passado para 17% em 2015. Os 44% restantes esperam que as condições econômicas permaneçam estáveis.
Regionalmente, os resultados mostram grande variação. Os CEOs da região da Ásia-Pacífico são os mais otimistas, com 45% acreditando em crescimento, seguidos pelos do Oriente Médio (44%) e América do Norte (37%). As previsões são bem menos otimistas entre os líderes europeus, apenas 16% deles acreditam na melhoria das condições econômicas nos países do leste europeu e da Europa Central. O otimismo também é maior nas economias emergentes, como a Índia (59%), a China (46%) e o México (42%) do que nos mercados desenvolvidos, como os Estados Unidos (29%) e Alemanha (33%).
Apesar da perspectiva geral de queda na economia global, os CEOs permanecem confiantes quanto às projeções de crescimento de suas próprias empresas; globalmente, 39% estão “muito confiantes” no aumento do faturamento de suas empresas em 2015. O percentual é o mesmo do ano passado e um pouco maior do que os 36% de 2013.
Os CEOs da região da Ásia-Pacífico (45%) registram o maior índice de confiança no aumento de faturamento e praticamente no mesmo patamar de 2014. Os líderes empresariais do Oriente Médio também estão entre os mais otimistas, com 44% muito confiantes no crescimento das receitas, embora o percentual esteja abaixo dos 69% de 2014. A confiança nos negócios aumentou na América do Norte, passando de 33% para 43% em 2015. Os da Europa Ocidental (31%) e Europa central e leste europeu (30%)são os que demonstram menos otimismo em relação às perspectivas de crescimento de seus negócios.
Analisando o resultado por países, os CEOs da Índia lideram o ranking com 62% muito confiantes com as perspectivas de crescimento em curto prazo, seguidos pelo México (50%), Estados Unidos (46%), Austrália (43%), Reino Unido e África do Sul (39%), China (36%), Alemanha (35%) e Brasil (30%). Entre os menos confiantes estão a França(23%), Venezuela (22%), Itália (20%), Argentina (17%) e, no fim da lista, a Rússia, com apenas 16% dos CEOs prevendo aumento no faturamento em 2015, percentual bem inferior aos 53% registrado no ano passado, quando os russos lideravam o ranking.
Para o CEO global de Network PwC, Dennis M. Nally,“o mundo enfrenta desafios significativos nas esferas econômica, política e social. Em geral, os CEOs se mantêm cautelosos em suas previsões sobre a economia global no curto prazo, assim como nas perspectivas de crescimento de suas empresas. Enquanto alguns mercados maduros como os EUA parecem se recuperar, outros, como os da zona do Euro, continuam enfrentando dificuldades. E, enquanto algumas economias emergentes continuam crescendo em ritmo acelerado, outras estão desacelerando. Chegar ao equilíbrio necessário para sustentar o crescimento neste contexto de mercados em transformação é desafiador”.
“O nível de confiança dos CEOs é menor, obviamente, nos países produtores de petróleo em consequência da queda nos preços do óleo cru. Os CEOs russos, por exemplo, eram os mais confiantes na pesquisa do ano passado, mas este ano são os mais pessimistas. O otimismo também é menor entre os líderes empresariais do Oriente Médio, da Venezuela e Nigéria”, completou Nally.
Os CEOs classificaram os Estados Unidos como o principal mercado para expandir negócios em 2015, posicionando-o à frente da China pela primeira vez desde que a questão foi incluída na pesquisa há cinco anos. Globalmente, 38% dos CEOs apontam os EUA entre os três principais mercados para negócios, 34% indicam a China, 19% a Alemanha, 11% o Reino Unido e 10% o Brasil.
Os CEOs pretendem adotar uma série de estratégias de negócios nos próximos 12 meses para melhorar as condições de suas empresas. Em geral, 71% planejam reduzir custos, 51% farão joint ventures ou alianças estratégicas, 31% irão terceirizar algum processo ou área, e 29% concluirão uma fusão ou aquisição em seu próprio país (aumento em relação aos 23% no ano passado).
O excesso de regulação se mantém no topo da lista de preocupações, apontado por 78% dos CEOs, seis pontos percentuais a mais do que no ano passado, e atingindo o maior índice já obtido na pesquisa. A preocupação com o excesso de regulação é particularmente elevada na Argentina (98%), Venezuela (96%), EUA (90%), Alemanha (90%), Reino Unido (87%) e China (85%).
Outros aspectos citados pelos CEOs entre as maiores preocupações estão a disponibilidade de profissionais com as competências necessárias (73%), déficit fiscal e encargos da dívida pública (72%), incertezas geopolíticas (72%), aumento da carga tributária (70%), ameaças digitais e problemas com segurança de dados (61%) –percentual que vem aumentando rapidamente e estava em 48% no ano passado – assim como instabilidade social (60%), mudança nos hábitos do consumidor (60%) e velocidade das mudanças tecnológicas (58%).
Todos os aspectos citados atingiram percentuais maiores este ano, com exceção da preocupação com o aumento do custo de energia, que recuou para 59%.
Um terço dos CEOs entrevistados disse que sua empresa passou a atuar – ou, ao menos, avaliou a possibilidade de fazê-lo, em um ou mais novos setores nos últimos três anos e mais da metade (56%) acredita que as empresas cada vez mais passarão a atuar em outros setores nos próximos três anos. Para os CEOs, os setores de tecnologia (32%), distribuição no varejo e no atacado (19%) e comunicação, entretenimento e mídia (6%) são os que têm maior potencial de originar novos concorrentes.
Os CEOs também estão lançando mão de joint ventures, alianças e parcerias informais para se tornar mais competitivos, associando-se a fornecedores (41%), consumidores (41%) e academia (32%). As principais razões para iniciativas colaborativas são acesso a novos consumidores, a tecnologias emergentes e à inovação.
Para os CEOs a prioridade dos governos deveria ser a manutenção de um sistema tributário eficiente e competitivo, opção apontada por 67% dos entrevistados, mas apenas 20% deles acreditam que seu país é bem sucedido neste aspecto. Da mesma forma, a disponibilidade de profissionais qualificados é muito valorizada por 60% dos CEOs, mas apenas 21% consideram suficiente a oferta de pessoal qualificado em seus países. Outras prioridades do governo, na opinião dos CEOs, são infraestrutura física (49%), acesso a capital com custos acessíveis (29%) e infraestrutura digital (28%). Um aspecto importante, a redução do risco de mudanças climáticas, é considerado prioridade por apenas 6% dos entrevistados.
O surgimento das tecnologias digitais mudou completamente a forma de fazer negócios: 58% dos CEOs estão preocupados com a velocidade das mudanças tecnológicas, em comparação com 47% no ano passado. O uso de tecnologias móveis é considerado por 81% dos CEOs como o mais estratégico para seus negócios, seguido por mineração e análise de dados (80%), segurança digital (78%), uso de mídias sociais em processos de negócios (61%)e computação em nuvem (60%). Os principais benefícios obtidos pelas empresas com a adoção de tecnologias digitais estão relacionados à eficiência operacional (88%), coleta e análise de dados (84%) e na “experiência” para o consumidor (77%).
“Os CEOs estão cientes de que precisam se adaptar às mudanças provocadas pelas rupturas tecnológicas e nos mercados em que atuam. Eles precisam colocar a tecnologia no cerne de seu negócio para criar valor para os clientes. Encontrar novas formas de pensar e de trabalhar neste novo cenário competitivo é fundamental para o sucesso”, finaliza Dennis Nally.
Metade dos CEOs prevê aumentar o quadro de pessoal este ano, enquanto 21% pretendem reduzi-lo (mesmo percentual do ano passado). À medida que procuram superar o desafio de encontrar os profissionais adequados, 81% buscam uma gama maior de competências. Quase dois terços (64%) dos CEOs possuem uma estratégia de promoção de diversidade e inclusão, mas um terço não a possui. Para 85% dos que possuem uma estratégia, ela provocou melhoria nos negócios.








