Geração Y enfrenta os desafios das mudanças constantes de emprego

Início de ano é a época em que muitos profissionais aproveitam para repensar a carreira e tentar criar novos ciclos, planejando mudanças e buscando crescimento ou mais satisfação. Nesse cenário, destacam-se os primeiros integrantes da chamada geração Y, que estão chegando à casa dos 30 anos com currículos recheados de diferentes experiências profissionais. Muitos deles pulam de emprego em emprego em um ritmo acelerado, alguns acreditando no paradigma de que ficar na mesma empresa por algum tempo é prejudicial à carreira, pois mostra que a pessoa está estagnada ou é incompetente. Mas como tantas mudanças são vistas pelas empresas? E vale mesmo a pena navegar com tanta frequência no mercado, em vez de permanecer por mais tempo em uma mesma empresa?
Uma pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half que ouviu 1.185 diretores de finanças em nove países mostra que profissionais com histórico de pouca permanência nas empresas são facilmente descartados de processos seletivos. É o que afirmam 95% dos CFOs brasileiros. Segundo o levantamento, 20% dos entrevistados afirmam que cinco trocas de emprego em 10 anos já é o suficiente para considerar um candidato como profissional instável.
Para André Caldeira, CEO da Proposito – empresa de executive search e gestão de talentos, fazer muitas mudanças de curto prazo pode gerar dúvidas quanto à capacidade de adaptação e clareza de objetivos profissionais. “Mudar muito pode gerar questionamentos sobre comprometimento, foco, habilidade de integração e também sobre a capacidade de completar ciclos de projetos e aprendizados”.
Luciane Testoni França, 32 anos, já passou por cinco empresas ao longo de 10 anos de carreira. “A decisão pela troca não é algo fácil de fazer, mas vejo como necessária nos dias de hoje para quem busca uma boa colocação no mercado e reconhecimento. Sem contar que todas as mudanças pelas quais passei foram para subir níveis e assumir desafios ainda maiores”, afirma. Formada em Publicidade e Propaganda e atualmente coordenadora de trade marketing da GVT, Luciane vê como única desvantagem nas mudanças a necessidade de constantemente conquistar espaço e confiança. “Todas as mudanças me fizeram amadurecer no campo profissional. Quanto maior o desafio, maior é a motivação que tenho”.
Gostar de desafios e não ter medo de ousar são características positivas, mas é preciso ter consistência. “Em alguns casos, existem motivos coerentes pela troca de trabalho em um pequeno intervalo de tempo. Entretanto, o profissional precisa apresentar justificativas claras do motivo da saída. É necessário se dar o devido tempo para vivenciar bem cada experiência, bem como a apresentação de resultados reais para a empresa”, acredita Caldeira, enfatizando que é muito saudável buscar o desenvolvimento de carreira, mas as empresas buscam profissionais que também sejam comprometidos em ajudá-las em seus desafios de negócios.








