Compra de produtos de luxo afeta de forma negativa a saúde financeira dos consumidores

Mais de 15 milhões de jovens, das classes B e C, deixaram de pagar alguma conta para adquirir produtos de luxo.
Mais de 15 milhões de jovens, das classes B e C, deixaram de pagar alguma conta para adquirir produtos de luxo.

Uma pesquisa inédita sobre o consumo de produtos de luxo acaba de ser divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito, o SPC Brasil. Ao mesmo tempo em que esta pesquisa investiga o impacto de tais compras no bolso dos consumidores, ela mostra o quanto estas aquisições afetaram de forma negativa a saúde financeira dos compradores.

Só para se ter uma ideia, 30% dos consumidores brasileiros já ficaram com o nome sujo por não pagarem a conta referente à compra de bens que consideram de luxo. Em números absolutos, são quase 20  milhões de brasileiros, principalmente jovens, pertencentes às classes B e C, e de menor escolaridade. Entre esse total, 43% ainda estão inadimplentes, ou seja, 8,5 milhões de compradores. Agora o mais impressionante é que mais de 15 milhões de jovens, das classes B e C, deixaram de pagar alguma conta para adquirir produtos de luxo.

Os maiores gastos foram com perfumes, seguidos de  roupas, calçados, artigos eletrônicos e até restaurantes. A economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, justifica este comportamento ao fato de que  o consumo de luxo é muito utilizado para demarcar a própria personalidade do consumidor. Além do que o uso de marcas famosas e, especificamente, do mercado de luxo, dá status ao consumidor, independente da classe social.

Ainda de acordo com a pesquisa, em 2014, 44% da renda das famílias de classe C foi utilizada na compra de bens considerados de luxo, enquanto na classe A essa proporção foi de 19%. Em um ano, o gasto médio com produtos de luxo totaliza cerca de R$ 18 mil. “Para ter acesso ao luxo, alguns consumidores fazem compras que não cabem em seu orçamento e, consequentemente, sofrem os efeitos negativos na saúde financeira pessoal e até mesmo familiar”, analisa a especialista.

Outro dado relevante da pesquisa revela que 42% dos entrevistados que possuem fundos de investimento já deixaram de guardar dinheiro ou usaram parte ou todo o dinheiro guardado pra comprar produtos de luxo. “A vontade de pertencer a algum grupo ou ter produtos exclusivos e da moda também leva o consumidor a retirar um valor da sua reserva financeira para a compra imediata”, analisa a economista.”Porém, essa quantia, se acumulada, pode fazer falta a curto e médio prazo, ou até mesmo na aposentadoria.” 26% dos entrevistados assumiram que seus sonhos são adiados após a compra dos produtos de luxo – a porcentagem aumenta quando especificada nas pessoas mais jovens, da classe C e menos escolarizadas.

Para a economista, endividar-se, deixar de cumprir compromissos e contas assumidas e comprometer as reservas financeiras são sinais de um comportamento que, provavelmente, não condiz com as possibilidades financeiras do consumidor. “Caso as finanças estivessem de acordo com os gastos, estes não seriam debitados de uma reserva financeira importante, e sim de uma quantia específica para gastos supérfluos”, explica Kawauti.

Para quatro em cada dez pessoas (40%) o consumo com mercado de luxo é um investimento em si mesmo – seja na própria imagem (16%), seja na autoestima (24%). Também é importante ressaltar que a questão da imagem é mais significativa para os mais jovens (22%).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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