Rússia atrai empresas brasileiras do setor de calçados

A população gira em torno dos 142 milhões, o consumo total de calçados chega a 228 milhões de pares, sendo que desses, quase 187 milhões tem origem estrangeira. Esses são alguns dos dados que chamam a atenção dos brasileiros para o mercado russo. O país passou a fazer parte do rol de mercados prioritários do programa Brazilian Footwear em 2013 e, de lá pra cá, foi palco de ações de promoção comercial e de imagem de marcas verde-amarelas. Nesta semana, nove empresas desembarcaram no país do Leste Europeu a fim de encontrar compradores e formadores de opinião que possam auxiliar no processo de inserção das marcas no mercado. Na programação, um seminário sobre a situação econômica do país e as particularidades culturais e negociais dos russos, um showroom, de 8 a 10 de junho, um serviço especializado de matchmaking e um Photocall – evento para a mídia especializada local.

A Rússia passa hoje por uma crise econômica, resultado de três sanções impostas pelos Estados Unidos e União Europeia, em retaliação a anexação da Crimeia e atuação do país nos conflitos do leste da Ucrânia, e agravada pela queda do preço do petróleo, que gerou uma instabilidade no Rublo. “Apesar desse cenário, a expectativa, de acordo com o Banco Mundial, é de que a Rússia tenha um crescimento de 2,7% no PIB em 2015 e de 0,7% em 2016”, declara Almir Américo, da Apex Brasil-Moscou.

Anastasia Nazarenko, analista da Lighthouse consultoria, compartilha do otimismo. “‘É muito importante vermos as empresas brasileiras insistindo no mercado com estratégias de longo prazo. A Rússia já passou por graves crises econômicas, como a de 1999, mas em poucos meses se recupera”, conta. O Brasil representa apenas 0,8% do total de calçados importados pelo país, o que demonstra uma grande oportunidade de crescimento. Anastasia aponta também para o crescimento de regiões afastadas de Moscou, que ainda podem ser consideradas para a expansão das vendas verde-amarelas para o mercado.

Um fator importante para a balança comercial brasileira é o valor médio por par do calçado exportado para o País. Enquanto a média geral nacional gira em torno de U$ 8 por par, o valor médio dos pares exportados para a Rússia alcança U$ 24,60. Isso se deve a um grande interesse dos consumidores russos por calçados de couro e alto valor agregado, mesmo que em meio a recessão econômica. “Os consumidores russos estão mais racionais, considerando mais a questão do custo/benefício. O conforto também passou a ser uma questão mais relevante para os consumidores”, explica Anastasia.

Oleg Shvedok, distribuidor da marca Itapuã e de outras marcas brasileiras, explica que o ponto forte do calçado nacional está nas coleções de verão, que na Rússia é muito curto. “As marcas brasileiras devem olhar para outras regiões do país, especialmente as que ficam mais ao sul, onde o verão é mais longo”. Segundo Shvedok, o Brasil tem uma ótima reputação como produtor mundial de calçados.

Participam da Missão Rússia 20 marcas: Rider, Ipanema, Grendha, Zaxy, Vizzano, Beira Rio, Moleca, Molekinha, Modare, Sapatoterapia, Democrata, Cristófoli, Dumond, Lilly’s Closet, Ortopé, Itapuã, New Face, It Sandal, Kildare e Amazonas Sandals.

O PhotocallI é um evento preparado para a imprensa local com o objetivo de apresentar as marcas para o mercado. Durante o primeiro dia de showroom, jornalistas passaram pela exposição brasileira fotografando as coleções e trabalhando em montagens de roupas e calçados com modelos femininas e modelo masculino. “É muito importante que possamos trabalhar promoção de imagem em paralelo a promoção comercial. Queremos que o Brasil entre no mercado com marcas fortes e que elas possam se consolidar como top of mind no pensamento do consumidor local”, destaca Roberta Ramos, coordenadora da Unidade de Promoção de Imagem da Abicalçados.

Para os três dias de showroom, foi contratado um serviço de matchmaking que consiste em encontrar no mercado local os compradores ideais para cada tipo de produto ofertado pelo Brasil. Quando um comprador se interessa por uma marca, é feito um agendamento e os encontros acontecem durante a Missão.

“O matchmaking na Rússia tem apresentado ótimos resultados e estamos confiantes de que nesta edição do evento não será diferente”, projeta Ruísa Scheffel, analista da Unidade de Promoção Comercial da Abicalçados.

O Brazilian Footwear é um programa de promoção das exportações brasileiras de calçados. Ele é resultado da parceria entre a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). O Programa trabalha há 15 anos pelo crescimento da indústria calçadista nacional através dos negócios internacionais.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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