Elevar juros provoca desemprego

Paulo Dantas: a política de elevação de juros é um forte inibidor do investimento privado e de consumo das famílias.
Paulo Dantas: a política de elevação de juros é um forte inibidor do investimento privado e de consumo das famílias.

Estudo da Confederação Federal de Economia (Cofecon) apresentado nesta sexta-feira (31) aponta que elevar a taxa básica de juros (Selic) provoca desemprego. De acordo com a entidade, há “extrema vinculação” entre taxa de juros e saldo da geração de postos de trabalho no País. A Confederação confrontou as trajetórias do emprego e da Selic para fazer a análise. Como resultado, observou-se que, com certa defasagem de tempo, a redução dos juros coincide com um aumento no fluxo de carteiras assinadas e vice-versa. Sob comando do Banco Central, a elevação da taxa básica de juros é um instrumento de contenção de demanda, que reduz a pressão inflacionária.

De acordo com o presidente da Cofecon, Paulo Dantas, a política de elevação de juros é um forte inibidor do investimento privado e de consumo das famílias. Esse “resfriamento” da economia acaba refletindo no emprego. “Não somos contra o controle da inflação. A nossa discussão é em função da dosagem”, afirmou. A entidade pondera, entretanto, que a variação da Selic não é a única variável que influencia no nível do emprego.

Em 2008, quando estourou a crise internacional, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu forte redução da taxa de juros, que foi de 13,75% em dezembro daquele ano para 8,75% em setembro de 2009. Como reflexo, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o saldo de postos de trabalho gerados no País saltou de 1,4 milhão em 2009 para 2,6 milhões em 2010.

Já em 2011 a queda na geração de empregos foi seguida de nova redução na taxa básica de juros, que atingiu o piso histórico de 7,25% em outubro do ano seguinte. Após a medida, foi possível observar que a queda na criação de vagas foi menos intensa entre 2012 e 2013.

“O que ocorreu a partir de então foi o mais absoluto desencontro, com o governo, mesmo com a nítida desaceleração no ritmo de geração de emprego, persistir na elevação da taxa de juros”, avalia a Cofecon. A política monetária promoveu aumentos da Selic, que foi para 10% em 2013, 11,75% em 2014 e 14,25% na última reunião do Copom, neste mês. O saldo de emprego, por sua vez, foi positivo em 1,1 milhão em 2013, 413 mil em 2014, mas com retração de 345 mil vagas apenas no primeiro semestre deste ano. Segundo a entidade, há a expectativa de 2015 fechar com saldo negativo de 1 milhão de postos.

“Os efeitos que poderiam advir de uma política monetária contracionista não justificam a dose acentuada do ‘remédio’ aplicado, dada a gravidade dos efeitos colaterais provocados”, afirma a Confederação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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