Quase 80% das indústrias paranaenses já foram afetadas pela crise

Os resultados desanimadores também fazem despencar o nível de otimismo do industrial paranaense.
Os resultados desanimadores também fazem despencar o nível de otimismo do industrial paranaense.

A maioria das indústrias paranaenses já está sofrendo as consequências da crise econômica do país e se diz pessimista em relação ao restante de 2015. Esses são alguns dos principais resultados de um levantamento encomendado pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). O instituto Paraná Pesquisas ouviu representantes de 1.002 indústrias do Estado, que foram questionados sobre a situação de suas empresas, quais são os problemas críticos enfrentados pelo setor atualmente e perspectivas para o futuro.

O número que mais chama atenção na pesquisa diz respeito aos impactos do atual cenário econômico do país: 78,8% das empresas entrevistadas afirmam que já foram afetadas pela crise. Esse resultado está ligado diretamente ao desempenho da indústria em 2015 e faz com que 83,6% dos entrevistados afirmem que as vendas neste ano serão iguais ou menores do que as de 2014. Além disso, 86,6% acreditam em quedas no faturamento.

Os resultados desanimadores também fazem despencar o nível de otimismo do industrial paranaense. Questionadas sobre as expectativas para o restante de 2015, 64,4% do total de entrevistados dizem estar pessimistas. Para 95,1% deles, a economia brasileira estará em recessão ou estagnada ao final do ano.

“Nosso objetivo com esta pesquisa era perceber como está a situação para o setor industrial paranaense, especialmente para as micro e pequenas empresas”, explica o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo. “O que constatamos é que, assim como já apontavam outros indicadores, o cenário nas indústrias está sendo fortemente impactado pelos problemas que vemos na economia do país. E o que mais nos preocupou é que as micro e pequenas empresas, que não vinha sendo tão impactadas, agora também estão sofrendo com a crise”, acrescenta.

Para Campagnolo, os resultados da pesquisa são mais uma prova de que os governos federal e estadual devem adotar medidas efetivas para recuperar a atividade econômica e melhorar as condições de produção no Brasil e no Paraná. “O empreendedor sempre busca soluções para suas empresas, mas precisamos de um ambiente que realmente favoreça os negócios e torne o produto brasileiro e paranaense mais competitivo”, diz.

Se para a indústria paranaense em geral o panorama é nebuloso, a pesquisa revela que alguns segmentos específicos se mostram ainda mais pessimistas. É o caso do setor de Produtos Químicos. As empresas desse ramo entrevistadas pelo Paraná Pesquisas se mostraram ainda mais preocupadas.

Questionadas se já foram afetadas pela crise, 91,1% das fabricantes de produtos químicos dizem que sim – contra 78,8% da indústria em geral. Quanto às perspectivas para o restante de 2015, 85,2% das companhias desse segmento afirmam estar pessimistas – ante 64,4% da média de todos os outros setores. E quase a totalidade delas – 97% – acredita que as vendas serão iguais ou menores que as de 2014.

O presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Paraná (Sinqfar), Marcelo Melek, afirma que os resultados não chegam a surpreender. “A pesquisa reflete muitas das demandas que o sindicato vem recebendo nos últimos meses”, declara. “As indústrias de produtos químicos são, em sua maioria, fornecedoras de insumos para outras cadeias produtivas. Se a produção desses outros setores desaquece, elas sofrem”, acrescenta.

Segundo Melek, o segmento já vem registrando queda em suas vendas desde o ano passado. Situação que se mantém em 2015, de acordo com a pesquisa conjuntural do Departamento Econômico da Fiep. De janeiro a maio, houve uma retração de -2,69% nas vendas do setor, em comparação com igual período de 2014. “Vem sendo um péssimo ano para o setor, com muitas empresas demitindo. E novos cortes podem acontecer nos próximos meses”, explica o presidente do Sinqfar.

O levantamento da Paraná Pesquisas ouviu, entre os dias 16 e 30 de junho, representantes de 1.002 empresas paranaenses, de 29 setores industriais. No total, 38% delas são de Curitiba e Região Metropolitana e 62%, do Interior. Quanto ao porte das empresas, 87% são micro ou pequenas indústrias, 9% médias e 4% grandes.

Em relação aos respondentes da pesquisa, 46,61% ocupam cargos de gerência, 33,33% são proprietários ou sócios das empresas e 9,58% são diretores. Segundo o instituto, a amostragem garante à pesquisa um grau de confiança de 95%, com margem de erro de 3%.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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