Maioria das empresas cortou ou reduziu investimentos
Além de afetar o ânimo dos empresários para o restante de 2015, os efeitos da crise econômica vêm prejudicando também os planos de expansão da indústria paranaense. O levantamento realizado pelo instituto Paraná Pesquisas, a pedido da Fiep, revela que 76,6% das empresas cortaram ou reduziram seus investimentos neste ano. A boa notícia, porém, é que mais da metade das indústrias diz estar fazendo esforços para evitar demissões e manter seus quadros de colaboradores como estão.
Em relação à aplicação de recursos, 44,6% das empresas entrevistadas afirmam que os investimentos foram cortados por completo neste ano. Outros 32% dizem que seguem investindo, mas em níveis menores que os de 2014. Por outro lado, 13,8% revelam que os investimentos foram mantidos em relação ao ano passado e apenas 9% garantem que vão investir mais em 2015.
Em alguns segmentos, a redução nos investimentos pode ser ainda maior. É o caso do setor de impressão. Das empresas dessa área entrevistadas pelo Paraná Pesquisas, 72,5% afirmam que cortaram por completo os investimentos em 2015. Outras 7,5% dizem que vão investir menos do que em 2014.
Apesar das perspectivas de queda nas vendas e no faturamento neste ano, mais da metade das indústrias entrevistadas afirma que o número de colaboradores vai ser mantido como está. No total, 54,3% das indústrias respondeu que não pretende demitir neste ano, mesmo com as dificuldades. Somam-se a elas outros 7,3% que garante que suas empresas contrataram ou pretendem contratar mais colaboradores em 2015. Por outro lado, 38,2% das empresas dizem que já demitiram ou pretendem demitir.
Também nesse quesito, o setor de impressão mostrou resultados mais preocupantes que a média geral. No total, 55% das indústrias do segmento afirmam que demitiram ou pretendem demitir em 2015. “Realmente as demissões em nosso setor no Estado estão acima da média nacional este ano”, admite o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas do Paraná (Sigep), Abílio Santana. “Em média, as gráficas do Paraná cortaram cerca de 20% de seus quadros de colaboradores”, completa.
Segundo ele, essa situação está diretamente ligada à queda no faturamento das empresas. A pesquisa conjuntural do Departamento Econômico da Fiep mostra que, de janeiro a maio, as vendas do setor acumulam queda de -8,66% em relação ao mesmo período de 2014. “Os números comprovam que tivemos um primeiro semestre muito difícil”, afirma.
Apesar disso, Santana declara que a crise também é um momento que deve servir para que as empresas revejam seus processos, busquem novos mercados e se fortaleçam para quando houver a retomada do crescimento econômico. “O empreendedor é um otimista e precisa sempre buscar alternativas”, diz.
Para comprovar sua tese, Santana usa o exemplo de sua própria indústria, a Hellograf. No ano passado, a empresa fez o maior investimento de sua história ao importar da Alemanha uma nova impressora. “Não está sendo um ano fácil, mas graças ao planejamento que fizemos e ao foco que colocamos nos negócios, temos a expectativa de crescer na casa dos dois dígitos em 2015. Se não tivéssemos feito esse investimento, a estimativa é que teríamos uma redução de 25% nas vendas”, revela. O crescimento, caso confirmado, virá especialmente pela conquista de novos clientes, que procuraram a empresa após a aquisição do equipamento. Hoje, 40% do faturamento da Hellograf vem de empresas que se tornaram clientes da gráfica há menos de um ano.


