Mesmo na crise, varejo é desafiado a reagir

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que as vendas no varejo brasileiro sofreram queda nos últimos cinco meses seguidos, computados até junho. É o pior resultado do setor desde o ano 2000, quando o desempenho no comércio passou a ser acompanhado pelo instituto. Os especialistas na área econômica são unânimes em apontar que esse cenário fará parte da rotina de quase todos os setores da economia por um longo tempo: partindo do que resta de 2015 e estendendo-se ao longo de todo o ano de 2016. A tendência, depois desse período, ainda será de uma lenta recuperação dos índices econômicos.
Se os indicadores apresentam uma realidade de estoques cheios e lojas com baixa frequência de clientes, o melhor que o empreendedor pode fazer agora é repensar toda a sua forma de trabalhar com fornecedores, clientela e equipe de colaboradores. “O empreendedor tem normalmente a aptidão de lidar com incertezas e a crise econômica atual não deixa de ser um cenário assim, mas ampliado. As crises já aconteceram no passado, são cíclicas. Portanto, é preciso disposição para seguir em frente”, afirma Fabíola Paes, coordenadora do Núcleo de Estudos e Laboratório do Varejo da Universidade Positivo, um espaço dotado de tecnologia de última geração que dá ao estudante condições de criar e testar iniciativas que incrementem um empreendimento, desde como captar ou saber qual é a reação de um cliente diante de um produto à gestão do negócio como um todo.
Ao compreender o tamanho do desafio a ser enfrentado, Fabíola observa que o varejista pode iniciar em bases mais seguras um plano de reação, partindo do princípio de que é necessário manter a confiança.
Essa atitude passa, na prática, pela obrigatória revisão de processos para otimizar receitas e controlar despesas. De acordo com Fabíola, o estudo de como anda o faturamento, com a frequência de vendas registradas por parte dos colaboradores, por exemplo, vai expor ao empresário como e onde intervir para enfrentar a crise.
“A primeira ação que o setor de varejo precisa fazer é saber como está se comportando a produtividade e compreender o quanto estou vendendo e a média de horas trabalhadas para isso. Tendo esse entendimento, vou saber o que está sobrando ou faltando em meu negócio, chegando a resultados mais rápidos”, explica Fabíola.
No setor de estoque, mudanças também são necessárias. “Em tempos de estabilidade, pode haver uma acomodação do lojista. Então é preciso trabalhar melhor os processos de reposição dos produtos, para evitar ficar sem a mercadoria que o cliente precisar.”
Outra linha de ação destacada por Fabíola é a capacidade de diversificar os negócios, com a criação de novos produtos e abertura de mais canais de venda. No caso do varejo de moda, é preciso lançar mão de ações que possam chamar a atenção do cliente a partir da exposição em vitrine e iniciativas de merchandising. Mesmo em tempo de crise, ações de criatividade tem potencial de agregar valor para a marca e os produtos. “São maneiras que devem ser refletidas para criar formas inovadoras de manter ou ampliar o contato com o cliente”, aponta Fabíola.








