Setor de máquinas e equipamentos deve fechar em queda pelo terceiro ano consecutivo

O faturamento do setor de máquinas e equipamentos no Brasil em agosto teve queda de 3,3% por cento ante o mês de julho de 2015. Comparado ao faturamento do mesmo mês do ano passado o índice desabou 10,7%. Os indicadores foram apresentados ontem pela diretoria da Abimaq.
A receita líquida do mês bateu em R$ 6,9 bilhões, acumulando 7,4% de prejuízos. Apesar do efeito cambial, que eleva o valor das exportações, o mercado interno retraído (em torno de -10,2%) culminou com a presente queda. “Excluída a valorização do dólar a receita líquida negativa dobrou, batendo em -14%”, ressaltou Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq.
De acordo com o dirigente, os números divulgados ratificam o cenário de contração dos investimentos e apontam para o terceiro ano seguido de forte queda no setor. “Projetamos que o déficit atinja 15% em 2015”, completou. Referindo-se ao ajuste fiscal, o presidente admitiu que, até aqui, os cortes não são convincentes, apenas tiram a competitividade das indústrias e ajudam a aprofundar a crise no país.
O consumo aparente de máquinas e equipamentos subiu 1,1% em agosto sobre o mesmo período do ano passado, com impacto parcial do dólar mais alto sobre as exportações. No ano, o consumo aparente cedeu 3,9%, totalizando R$ 90,3 bilhões.
No mês de agosto, a Abimaq levantou um recuo no uso da capacidade instalada do setor, de 76,2% para 66,1%, quando comparada com o acumulado do mesmo período em 2014. O setor teve exportações de 558,3 milhões de dólares em agosto, queda anual de 32%. As importações também caíram, 19%.
De acordo com a entidade, a volatilidade do câmbio inibe na prática qualquer esforço de aumento das exportações e da recuperação das margens do mercado interno. “Como o processo de manufatura e comercialização é longo, o setor de máquinas e equipamentos ainda não capturou as recentes altas do dólar”, reconheceu Pastoriza.
Quanto aos empregos, o setor continua em queda livre, fechando em 330 mil postos ocupados. A estimativa é que a indústria de máquinas e equipamentos tenha perto de 31 mil postos fechados até o final do ano.








