Cooperativas geram desenvolvimento e trazem riquezas e empregos aos municípios do Paraná

As cooperativas agropecuárias têm dado uma contribuição especial para o desenvolvimento do Paraná. Sem o trabalho das cooperativas, a economia paranaense seria mais pobre e concentrada na região metropolitana de Curitiba, admite o economista, consultor e professor da FAE Business School, Gilmar Mendes Lourenço. “Como as cooperativas atuam de forma regionalizada favorecem o crescimento no interior do Estado.
Segundo Lourenço, o Paraná é o estado mais cooperativado do Brasil e é o único do País onde as cooperativas agropecuárias têm parcela significativa de controle sobre a transformação agroalimentar. Nada menos do que 60% do que o setor primário produz, passa pelas cooperativas paranaenses que apresentam uma grande capacidade de industrialização, agregando valor à produção. Na avaliação do gerente técnico e econômico do Sistema Ocepar, Flávio Turra, seria impossível imaginar o Paraná sem as cooperativas. “Acima de tudo, as cooperativas são dos produtores. Todo o dinheiro ganho com a produção, industrialização e venda dos produtos fica na região, ao contrário de outras empresas, em especial, as multinacionais. As cooperativas por terem um compromisso com os seus cooperados não se transferem para outros estados e quando decidem investir num local fora de sua área é para expansão dos negócios”, destaca.
Direta ou indiretamente, mais de 20% da população paranaense está ligada ao cooperativismo. Em muitos municípios paranaenses, as cooperativas são a empresa mais importante e a maior empregadora e geradora de receitas. Segundo o diretor do Centro Estadual de Estatística do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, as cooperativas sempre tiveram papel relevante no Paraná e contribuíram para o desenvolvimento do interior, com forte geração de emprego, agregação de valor, pesquisa e inovação. Ainda de acordo com Castro, as cooperativas contribuíram para que algumas regiões, como o Oeste e Sudoeste, tivessem um desenvolvimento acima da média do Estado nos últimos anos. Atualmente 2,2 milhões de paranaenses estão ligados às cooperativas, informa o analista da Gerência Técnica e Econômica do Sistema Ocepar, Robson Mafioletti.
Só o faturamento das cooperativas, que somou R$ 50,9 bilhões, em 2014, representou 16,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná e 56% do PIB agrícola do Estado. Aliás, este porcentual vem se mantendo há três anos consecutivos. Há dez anos era um pouco menor e chegava a 53%.
De acordo com dados da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), 51% do leite produzido no Estado vem das cooperativas. As cooperativas também produzem 47% de rações animais; 40% das aves; 40% da fiação; 38% da soja; 35% dos suínos; 31% de trigo e 23% de milho. No caso específico do malte, 100% da produção paranaense vem de uma só cooperativa, a Agrária, localizada no distrito de Entre Rios, em Guarapuava.
Agroindústrias contribuem para um PIB maior
A indústria do Paraná tem lutado para obter maior participação relativa na geração da renda industrial e ganhar mais competitividade. Neste sentido, as agroindústrias têm dado a sua contribuição. De acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB industrial do Paraná é o quarto maior do Brasil, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, tendo ultrapassado o Rio Grande do Sul em 2008, quando ganhou uma posição no ranking.
Em 1996, a participação do Paraná no PIB industrial brasileiro era de apenas 5,2%. Em 2008, passou para 7,3% e recuou para 6,9% em 2010. Em 2011 retomou ao patamar de 7,3%, voltando a cair para 7% em 2012 e recuperou o porcentual de 7,3% em 2013. As informações referentes ao PIB industrial de 2014, somente serão conhecidas no final deste ano, mas na avaliação dos economistas Gilmar Mendes Lourenço e Maurílio Schmitt, mesmo com a retração econômica dos dois últimos anos, a indústria do Paraná continuará firme na quarta colocação.
O economista Gilmar Lourenço atribui essa ascensão paranaense ao fato de o Estado contar com uma indústria mais nova e consequência de uma carteira de mais de R$ 35 bilhões em projetos de investimentos industriais privados, nacionais e multinacionais, entre fevereiro de 2011 e julho de 2014. Mas, sem dúvida alguma, o que tem contribuído para os vetores expansivos do novo ciclo, segundo Lourenço, foram a recuperação da renda do agronegócio, movida pelas cotações internacionais das commodities primárias, a crescente ascensão da produção e produtividade setorial e a atuação das cooperativas.
Cooperativas têm grande peso na industrialização paranaense
O faturamento do cooperativismo paranaense quase que dobrou de 2010 para 2014, passando de R$ 26,4 bilhões para R$ 50,9 bilhões, de acordo com a Ocepar. Só o faturamento das cooperativas agropecuárias chegou a R$ 42 bilhões. Para se ter uma ideia, a receita bruta obtida pelas cooperativas paranaenses supera o orçamento individual de 23 estados, incluindo o do Paraná. Para este ano, a expectativa da Ocepar é que, mesmo com a crise, o faturamento das cooperativas cresça 10% em relação a 2014. No primeiro semestre de 2015, as cooperativas paranaenses faturaram R$ 28,1 bilhões, ou 9,4% acima do verificado no mesmo período do ano passado, informa o analista da Gerência Técnica e Econômica do Sistema Ocepar, Robson Mafioletti.
O Paraná tem, hoje, 228 cooperativas, sendo 74 rurais. As cooperativas agrícolas têm somado valores importantes para a economia do estado. Mafioletti destaca que a agroindústria é responsável por nada menos do que 50% do faturamento das cooperativas. Já as exportações das cooperativas paranaenses, que atingiram US$ 2,4 bilhões, em 2014, representaram 25% do total das vendas internacionais do agronegócio paranaense.
Para se manterem competitivas as cooperativas têm investido em armazenagem, industrialização de produtos, qualificação de trabalhadores e ampliação ou instalação de novas unidades. De acordo com a Ocepar, em 2014 as cooperativas do Paraná investiram R$ 2,8 bilhões. Já para este ano, em função da instabilidade econômica, crédito caro e em menor volume, o investimento das cooperativas deve cair para algo em torno de R$ 2,350 bilhões (-16%).
Deste total do investimento, R$ 768 milhões foram para o setor pecuário (rações, leite, aves, suínos e peixes); R$ 760 milhões se dirigiram para a instalação de armazéns para dar mais apoio aos cooperados, R$ 410 milhões para o varejo, instalação de novos supermercados, produção de sementes, pesquisa, logística e distribuição de produtos, Tecnologia da Informação (TI) e automação e R$ 400 milhões estão sendo aplicados no setor da agroindústria da cevada, soja, milho, café, trigo, carnes, fertilizantes e fiação de algodão.
Além de recursos próprios, as cooperativas também contam com capital de instituições financeiras para financiar os seus investimentos. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) liberou linhas de créditos no valor de R$ 2,1 bilhões para o setor das cooperativas. No primeiro semestre de 2015, o banco fechou contratos no valor de R$ 852 milhões somente no agronegócio, com linhas de crédito para cooperativas e produtores rurais cooperados. São R$ 575 milhões liberados a 15 cooperativas e mais de R$ 270 milhões diretamente a produtores rurais.
As operações de janeiro a junho equivalem a mais de 90% do valor de contratação previsto inicialmente pelo BRDE para 2015, que é de R$ 1 bilhão. O agronegócio representa 60% das operações do banco, com investimentos principalmente em armazenagem, suinocultura, avicultura, produção de leite e agregação de valor à produção no campo.
Como investimento é sinônimo de emprego, os municípios paranaenses que acolhem as cooperativas não têm do que se queixar. O setor emprega em todo o Estado 78.800 funcionários, que somados a 1,092 milhão de cooperados, totalizam 2,2 milhões de paranaenses envolvidos com as cooperativas.
Cooperativas do Paraná são destaque nas exportações
O mercado externo é uma oportunidade para os agricultores aumentarem a produção sem ter problemas com a produção continuada, explica o gerente técnico e econômico do Sistema Ocepar, Flávio Turra. Ou seja, com o mercado externo, não se limita a produção. As cooperativas paranaenses têm tirado proveito da valorização do dólar para exportar seus produtos, mesmo com os preços das principais commodities tendo caído.
A Ocepar estima que, este ano, as exportações das cooperativas paranaenses devem chegar a US$ 2,5 bilhões, principalmente por conta do soja e seus derivados, milho, trigo e carnes de frango. Em 2014, as exportações das cooperativas do Paraná somaram US$ 2,3 bilhões.
Dos 40 maiores exportadores paranaenses, oito são cooperativas que estão representadas nas seguintes posições: 3º Coamo Agroindustrial (que também é a maior do Brasil), de Campo Mourão; 12º Copacol, de Cafelândia; 13º C.Vale, de Palotina; 20º Lar, de Medianeira; 26º Copavel, de Cascavel; 29º Coasul, de São João; 36º Agrária, de Entre Rios e 37º Cocamar, de Maringá.
Entre janeiro e setembro, o Paraná respondeu por 36% das exportações das cooperativas brasileiras. As cooperativas do Estado somaram US$ 1,49 bilhão de um total de US$ 4,13 bilhões vendidos no exterior pelo sistema no País. O Estado ficou bem à frente de São Paulo (US$ 812,7 milhões), Minas Gerais (658,4 milhões) e Santa Catarina (US$ 503,7 milhões), de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). O resultado foi puxado pelas exportações de grãos e de frango.
Das seis cooperativas brasileiras com exportações acima de US$ 100 milhões, três são do Paraná: Coamo Agroindustrial, C.Vale e a Copacol. A lista de exportadoras conta ao todo com 19 cooperativas, que responderam, no período, por 18% das exportações totais do Paraná. China e União Europeia são os principais mercados servidos pelos exportadores paranaenses.
E mesmo quando o dólar estava mais baixo, o mercado internacional continuava a atrair o setor das cooperativas. No período de 2010 a 2014, as cooperativas ampliaram as exportações em 46%. Isso foi possível diante da combinação de safras recordes de grãos, aliadas a pesados investimentos em tecnologia e profissionalização. De acordo com o assessor técnico e econômico da Ocepar, Gilson Martins, os investimentos em tecnologia garantiram acesso a mercados exigentes. “Hoje as cooperativas exportam coxa de frango desossada para o Japão e cortes adequados à tradição muçulmana para o Oriente Médio, por exemplo”, cita.
Um outro levantamento da Ocepar, que contempla também as exportações de unidades das cooperativas paranaenses em outros Estados, aponta para uma participação ainda maior do Paraná no setor. Por essa conta, o Estado respondeu por 45% nas exportações das cooperativas brasileiras nos primeiros nove meses do ano.
O Porto de Paranaguá é o principal terminal de exportação das cooperativas brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mostram que, nos primeiros nove meses do ano, o setor exportou US$ 1,86 bilhão por Paranaguá, ou 44,9% do total. O Porto de Santos ficou em segundo lugar, com US$ 1,63 bilhão (39,4%), em terceiro está o terminal de Itajaí, com R$ 75,2 milhões (9,21%) e em quarto lugar aparece o Porto de Rio Grande, com 1,82% do total das exportações das cooperativas.
O dólar alto traz boas perspectivas para as exportações das cooperativas, mas Gilson Martins ressalta que a moeda americana pressiona os custos dos insumos para o setor. Até agora, a valorização do dólar tem ajudado a compensar parte da queda nos preços internacionais da soja.












