Desempenho Industrial paranaense tem o pior novembro em sete anos

O mês de novembro dá início, tradicionalmente, ao período de baixa atividade da indústria paranaense. Em 2015, o mês, teve o declínio mais acentuado dos últimos sete anos. Comparando o faturamento de novembro com outubro, houve um encolhimento de -9,98%. As vendas industriais acumuladas de janeiro a novembro de 2015 ficaram -7,90% abaixo das do mesmo período do ano anterior. Na comparação com novembro de 2014, a queda atinge a -14,74%.
Os resultados de novembro contra outubro mostram, pela ótica do destino das vendas industriais, que estas diminuíram no Paraná (-11,55%), se comparadas as de outros estados (-7,99%) e nas exportações (-10,68%). Os resultados acumulados de janeiro a novembro em relação ao mesmo período de 2014 são negativos nas vendas no Paraná (-8,86%) e para outros Estados (-16,41%), mas positivos nas vendas para o exterior (+24,53%).
O aumento das vendas para o exterior está sendo nominal e positivamente impactado pela desvalorização do Real, já que os dados da balança comercial do Paraná ainda assinalam redução nas exportações de manufaturados em -6,49%, no mesmo período, quando convertidos em US$, de acordo com a secretaria de Comércio Exterior.
A redução em novembro teve origem na performance negativa observada em treze dos dezoito gêneros pesquisados. Os três gêneros de maior participação relativa na indústria paranaense também apresentaram redução: ‘Alimentos e Bebidas’ (-12,62%) – queda de demanda e sazonalidade; ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (-9,67%) – ciclo sazonal de declínio da produção de álcool (safra de cana de açúcar); e ‘Veículos Automotores’ (-8,81%) – conjuntura econômica desfavorável.
Dentre os gêneros que apresentaram maiores incrementos, destacam-se o ‘Vestuário’ (+22,68%) – venda da próxima coleção; ‘Edição e Impressão’ (+10,91%) – recuperação sazonal de material escolar; e ‘Móveis e Indústrias Diversas’ (+0,68%) – estabilidade. As maiores quedas foram registradas em ‘Produtos de Metal’ ( 16,16%) – queda de demanda; ‘Minerais não Metálicos’ (-15,55%) – também queda de demanda, associada ao menor ritmo de atividade da construção civil; e ‘Alimentos e Bebidas’ (-12,62%) – queda de demanda e sazonalidade.
Os primeiros onze meses deste ano em relação ao mesmo período de 2014 mostram quinze gêneros negativos e apenas três positivos. Os únicos com aumento são ‘Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos’ (+6,85%), ‘Madeira’ (+5,98%) e ‘Minerais não Metálicos’ (+0,72%). Os gêneros com maiores quedas são ‘Metalúrgica Básica’ (-61,39%), ‘Material Eletrônico e de Comunicações’ (-23,84%) e ‘Veículos Automotores’ (-20,82%).
As compras de insumos apresentaram queda de -6,07% em novembro, ajustando-se ao baixo nível de vendas previsto para os próximos meses. Observando as origens das compras, as realizadas no Paraná (-14,26%) e as procedentes de outros Estados (-1,10%) caíram; e as importações (+5,45%) subiram.
Na visão setorial, os gêneros industriais que apresentaram maiores acréscimos nas aquisições em setembro foram ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (+30,36%) – oscilações na importação de petróleo; ‘Produtos de Metal’ (+24,42%) – compras estratégicas; e ‘Edição e Impressão’ (+12,71%) – compras sazonais. Os maiores decréscimos foram verificados em ‘Madeira’ (-15,65%) – queda de demanda; ‘Produtos Químicos’ (-15,33%) – redução sazonal; ‘Máquinas e Equipamentos’ (-13,23%) – redução de pedidos.
No acumulado dos primeiros onze meses deste ano em relação aos de 2014, quatorze dos dezoito gêneros estão negativos e quatro positivos. Os gêneros que apresentaram as maiores expansões foram: ‘Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos’ (+20,00%); ‘Madeira’ (+4,94%); e ‘Minerais não Metálicos’ (+3,39%). Por outro lado, nesta base de comparação, os três gêneros com maiores reduções foram: ‘Metalúrgica Básica’ (-46,97%); ‘Edição e Impressão’ (-31,75%) e ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (-28,75%).
Em relação ao nível de emprego, doze dos dezoito gêneros pesquisados registraram resultados negativos e outros seis positivos no mês de novembro, diminuindo em -0,80%. O emprego diretamente ligado à produção caiu -0,71%. O resultado de janeiro a dezembro contra igual período de 2014 apresenta queda de -4,90% no ‘pessoal empregado total’ e de -2,28% no ‘pessoal empregado na produção’.
Os principais aumentos em novembro foram em ‘Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos’ (+1,36%) – aumento de produção; ‘Vestuário’ (+0,98%) – produção para o próximo lançamento de artigos que incorporam as tendências da moda; e ‘Veículos Automotores’ (+0,28%) – estabilidade. As maiores quedas ocorreram nos gêneros ‘Têxteis’ (-1,80%) – mercado recessivo; ‘Refino de Petróleo e Produção de Álcool’ (-1,46%) – queda sazonal; e ‘Celulose e Papel’ (-1,33%) – ajustes aderentes à reprogramação da produção.
A massa salarial líquida apresentou, em novembro contra outubro, aumento de +7,46% por conta de décimo-terceiros salários e distribuição de participação em resultados; as horas trabalhadas caíram -9,44%; e a utilização da capacidade caiu dois pontos percentuais, situando-se em 71%. Este nível de utilização de capacidade é quatro pontos inferior ao registrado em outubro de 2014.
O resultado das vendas industriais de novembro (-9,98%) apresenta a maior queda para o mês de novembro desde 2008 – eclosão da crise financeira nos Estados Unidos, quando a queda foi de -13,26%. Os resultados acumulados nos primeiros onze meses deste ano em relação ao mesmo período de 2014 tiveram desempenho inferior de -7,90%, significando uma queda ainda maior do que a registrada nos últimos meses: em outubro fora de -7,19%; em setembro, -6,30%; em agosto, -6,21%; em julho, -6,63%; em junho, -6,28%.
“Cravou-se, assim, a pior queda no acumulado do ano desde 2003, evidenciando que a crise industrial é a maior em doze anos”, afirma o economista da Fiep, Roberto Zurcher. As compras de insumos também apresentaram declínio em novembro contra outubro de -6,07%, acumulando no ano -11,45 de redução, deixando à vista que não há sinais nem perspectivas de melhoras sendo vislumbrados no horizonte temporal próximo.
O nível de emprego caiu (-0,80%) e as horas trabalhadas (-9,44%), acumulando redução de -4,90% e de -3,61%, respectivamente. O nível de utilização da capacidade instalada caiu dois pontos percentuais, situando-se em 71% e está agora quatro pontos percentuais abaixo do registrado em novembro de 2014. Estes resultados confirmam um final de ano pronunciadamente de baixa atividade industrial.
São alguns dos ingredientes que deterioram a atividade industrial e não colocam boas perspectivas para a economia brasileira, para Zurcher, “problemas como o aumento da dívida interna, que superou os R$ 2,5 trilhões neste último outubro; o crescente endividamento externo que superou os US$ 350 bilhões; a taxa de investimentos que atingiu 18,1% do PIB e a de poupança 15%, no terceiro trimestre deste ano; a queda do PIB de 3,2% nos primeiros três trimestres; o rebaixamento e a perda do grau de investimento do Brasil, que farão diminuir ainda mais as inversões na estrutura econômica, que determinam a recuperação da capacidade de crescimento futuro; e a inflação acima de 10%”








