Pesquisa da PwC com CEOs das maiores empresas globais revela expectativas para a economia e os negócios em 2016
A confiança dos executivos em relação ao crescimento da economia mundial sofreu queda significativa. Apenas 27% dos CEOs acreditam que a economia irá melhorar nos próximos 12 meses, ante 37% em 2015. E cerca de um terço (35%) está muito confiante no aumento de receitas de suas respectivas empresas, quatro pontos percentuais a menos do que no ano passado (39%).
Os resultados da 19ª Pesquisa Global com CEOs da PwC, que ouviu 1.409 líderes em todo o mundo, revelam um cenário nebuloso para a economia mundial este ano. A desaceleração da economia na China, a queda nos preços do petróleo e a instabilidade causada pelas questões geopolíticas contribuem para o aumento da incerteza em relação às perspectivas de crescimento da economia e dos negócios.
No Brasil, 39% dos líderes empresariais preveem melhoria no cenário econômico em 2016. Entre os norte-americanos, o índice de otimismo é um dos mais baixos registrados na pesquisa, 16%, metade do verificado em regiões como a Europa Ocidental, 33%, e no Oriente Médio, 34%.
Em relação ao desempenho de seus próprios negócios, 24% dos executivos brasileiros estão muito confiantes no aumento das receitas, ante 30% em 2015. A maioria absoluta dos CEOs (93%) pretende colocar em prática uma política de redução de custos nos próximos 12 meses e 30% planejam fazer demissões – no mundo, 68% pretendem cortar gastos.
No longo prazo, a confiança é maior: 54% dos empresários afirmam estar muito confiantes com o desempenho de suas empresas nos próximos três anos – número acima da média mundial (49%). “A despeito do momento conturbado pelo qual passa o Brasil, nossa economia tem enorme potencial de crescimento”, diz Fernando Alves, sócio presidente da PwC Brasil. “Temos uma população jovem, um mercado consumidor com potencial para crescer ainda mais e necessidade de investimentos em infraestrutura, que devem ser realizados nos próximos anos. Os fundamentos para retomar a trajetória de crescimento permanecem”, acrescenta.
No cenário internacional, não surpreende que a incerteza relacionada a questões políticas e sociais tenha ganhado importância e subido para a segunda posição, apontada por 74% dos CEOs, entre as ameaças que mais causam preocupação.
Parte do temor é reflexo dos ataques terroristas ocorridos no ano passado, do recrudescimento dos conflitos na Síria e no Iraque e do fluxo migratório na Europa.
Os resultados da pesquisa também revelam que a crise financeira global de 2008 ainda não foi totalmente superada. Medidas tomadas para contê-la, como a maior regulação em alguns setores da economia, continuam no topo da lista de motivos que dificultam o crescimento dos negócios. A preocupação com o aumento da regulação se mantém em primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo, este ano apontada por 79% dos líderes empresariais.
Mas isto não significa que não tenham surgido novas preocupações. A desvalorização da moeda chinesa, o yuan, em agosto do ano passado, e o receio sobre a eficácia da política monetária de vários países justificam que a volatilidade cambial tenha sido citada por 73% dos CEOs.
“Independentemente do porte da empresa, os desafios enfrentados estão se tornando mais complexos, envolvendo geopolítica, regulação, segurança da informação, desenvolvimento social, pessoas e reputação”, diz Dennis Nally, chairman global da PwC. “Trata-se de um novo espectro de riscos para os CEOs que podem afetar interesses comerciais.”
Os CEOs são conservadores na previsão a respeito de quais economias terão o melhor desempenho no curto e médio prazo. O voto de confiança foi dado aos países com os maiores PIBs. Para 39% dos executivos, os Estados Unidos serão o mercado de maior crescimento este ano, seguido pela China (34%), Alemanha (19%) e Reino Unido (11%). Entre os BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o segundo lugar coube à Índia: 9% dos líderes empresariais enxergam boas oportunidades de investimento no país. O Brasil, apesar do cenário econômico incerto, ficou em terceiro lugar, com 8% das apostas dos CEOs mundiais para este ano.
No que diz respeito aos países que devem representar maiores oportunidades de crescimento para os negócios nos próximos 12 meses, os líderes empresarias brasileiros estão alinhados com as expectativas mundiais. Para 59% deles, os mercados mais promissores em 2016 serão os Estados Unidos, a China (39%) e Argentina (20%).
Em todos esses locais, compreender as novas demandas dos consumidores é uma prioridade. Para 90% dos CEOs mundiais, os clientes exercem atualmente um grande impacto na estratégia de negócios. Novas políticas de marketing, inclusive no campo digital, têm sido colocadas em prática, assim como esforços mais consistentes para promover e mensurar a inovação.








