Trabalhadores desempregados estão utilizando recursos da rescisão e do FGTS para investir em franquias
Com o aumento do desemprego e as dificuldades de conseguir uma nova colocação no mercado, muitos trabalhadores que foram demitidos nos últimos meses estão optando por investir os recursos da rescisão do contrato de trabalho, bem como do FGTS, em franquias. E isso pode ser traduzido em números. Segundo informações que eu obtive junto a Associação Brasileira de Franchising, no ano passado, o setor, na contramão do mercado, cresceu em nível nacional 8,3% e abriu 90 mil novos postos de trabalho.
Na Região Sul, o desempenho das franquias foi ainda melhor, tendo ampliado os negócios em 10% e terminado o ano de 2015 com mais de 20 mil unidades, representando quase 15% do mercado brasileiro. Só para se ter uma ideia em termos de negócios, o faturamento das franquias instaladas nos três estados do Sul totalizou R$ 23 bilhões em 2015.
Faturamento das franquias no Brasil

A Associação Brasileira de Franchising vê hoje o Sul do Brasil como uma das regiões mais promissoras para contribuir para o crescimento do setor nos próximos anos. De acordo com a diretora da regional Sul da Associação, Fabiana Estrela, todos os estados da Região Sul são importantes e têm potencial para crescer não só em 2016, mas nos próximos anos. Ela chama a atenção para o fato de que o movimento das franquias para o interior está se tornando cada vez mais intenso, chegando principalmente nas cidades com menos de 50 mil habitantes.
O empreendedor que está pretendendo ingressar no mercado de franquias tem várias opções, que são os quiosques, microfranquias, franquias para montar em casa, lojas dentro de lojas, além das franquias tradicionais. Os valores variam de R$ 5 mil a mais de R$ 1 milhão.
Apesar da conjuntura econômica nada favorável, a Associação Brasileira de Franchising está projetando para este ano um crescimento entre 6% e 8% em faturamento; de 8% a 10% em número de unidades e de 4% a 6% em número de marcas. Os dados apurados pela ABF indicam que existem no País mais de 3 mil marcas em operação, registrando um aumento de 4,5% no número de redes em relação a 2014. Dessas, 95% são de origem nacional. Em 2015, 131 novas marcas de diferentes segmentos iniciaram operações de franchising. Dentre elas estão Casa Bauducco, Cia. dos Livros, Di Pollini, Espaço Laser e Paris Joias.
Número de marcas de franquias

O estudo indica que 28 marcas iniciaram atividade fora do Brasil no ano passado, totalizando 134 redes brasileiras com operações no exterior. A intensificação da participação das redes brasileiras em missões comerciais, feiras e rodadas de negócios internacionais tem contribuído decisivamente para que cada vez mais marcas made in Brazil operem ao redor do mundo. “O recrudescimento da economia brasileira, a desvalorização do real e a recuperação de mercados como dos Estados Unidos intensificaram o movimento de internacionalização de franquias brasileiras. Nesse sentido, as missões internacionais e o esforço de promoção das redes de forma conjunta entre a ABF e a Apex estão ajudando a pavimentar este caminho, que ainda tem muito a ser percorrido”, afirma Tieghi. Alguns exemplos de marcas que abriram seus horizontes internacionais são Bibi, Clube Melissa, Lilica & Tigor, Liz e Mundo Verde.
O mercado mais procurado continua a ser os Estados Unidos, com 37 marcas, seguido de Paraguai (25), Portugal (21), Argentina (16) e México (13). Os segmentos de Alimentação (18%), Esporte, Saúde, Beleza e Lazer (17%), Acessórios Pessoais e Calçados (15%), Educação e Treinamento (12%) e Negócios, Serviços e Outros Varejos (11%) são os mais internacionalizados.
Evolução do faturamento por segmento
De acordo com a pesquisa da ABF, Acessórios Pessoais e Calçados apresentou a maior variação de receita, crescendo 12,0% na comparação com 2014. O segmento foi beneficiado, entre outros fatores, pelo profissionalismo na entrega de produtos e serviços, variação cambial e ticket médio baseado no tripé qualidade, design e preço. Marcas como Óticas Carol, Óticas Diniz, Chilli Beans, Carmen Steffens e Havaianas são exemplos dessa expansão.
Registrando um crescimento de 10,2%, Negócios, Serviços e Outros Varejos ficou na segunda posição. Os destaques deste segmento são AM PM Mini Market, BR Mania, Correios, Dia% e Seguralta – Bolsa de Seguros.
Hotelaria e Turismo alcançou o terceiro lugar, com faturamento 9,0% maior. As marcas que representam o segmento são CVC Brasil, TAM Viagens, Accor Hospitality, Flytour Franchising e CI.
A receita do segmento Alimentação cresceu 8,9%, colocando-o em quarto lugar. As promoções e a frequente adequação do cardápio à nova realidade do consumidor garantiram esse crescimento. Entre as redes, destacam-se Subway, Cacau Show, McDonald’s, Bob’s e Nosso Bar.
O segmento de Serviços Automotivos ficou com a quinta posição, registrando um faturamento 8,8% maior no período, beneficiado pelo crescimento da demanda de serviços como mecânica e manutenção de veículos. As marcas representantes do segmento são Jet Oil, Lubrax Mais, Localiza Rent a Car, Multipark e Acquazero.








