Logística reversa: além de obrigatória é um diferencial competitivo
Cookies, barrinhas de cereal, refresco em pó, aveia, mingau, cereal matinal. Todos esses produtos – por estarem presentes na rotina alimentar das famílias – precisam ser embalados adequadamente para que cheguem muito bem conservados e com segurança até a casa do consumidor. Mas, depois do consumo, com quem fica a responsabilidade de dar a destinação correta a toda embalagem utilizada: do consumidor ou do fabricante?
Desde 2010, esta resposta se tornou mais simples: ambos são responsáveis. Aliás, não só eles. Pela legislação de Logística Reversa, instituída pela Lei 12.305/2010 e regulamentada pelo Decreto 7.404/2010, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e o poder público possuem responsabilidade compartilhada pelos resíduos resultantes do pós-consumo dos produtos. A ideia é minimizar o volume de resíduos sólidos nos aterros sanitários, a geração de rejeitos, bem como reduzir os impactos causados à saúde e decorrente do ciclo de vida dos produtos para promover o crescimento do processo de reciclagem.
As empresas que estiverem na lista dos setores que são obrigados a aderir a um Acordo Setorial ou Termo de Compromisso da Logística Reversa, estão sujeitas a multas caso não cumpram este atendimento legal. A Logística Reversa vem em boa hora: os brasileiros jogam fora 76 milhões de toneladas de lixo – deste volume, 30% poderia ser reaproveitado, mas só 3% vai para a reciclagem, de acordo com dados do CEMPRE – Compromisso Empresarial para Reciclagem.
Para facilitar a adesão, alguns sindicatos vêm criando programas para incentivar setores específicos a regularizarem sua situação. É o caso do Bom Exemplo Floresce, programa de consultoria ambiental voltado para as empresas associadas ao Sincabima -Sindicato das Indústrias de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, de Doces e Conservas Alimentícias do Estado do Paraná, e realizado em parceria com a Roadimex / Ecoroad Ambiental.
A ideia é que os associados façam adesão ao termo de compromisso não apenas pensando no atendimento e cumprimento da legislação ambiental vigente, mas também, na melhoria de sua própria imagem perante clientes, fornecedores, colaboradores e a comunidade. Mais do que uma obrigação, saber lidar com o próprio lixo é também uma questão de diferencial competitivo.
De acordo com Rommel Barion, presidente do Sincabima, muitas empresas se adequam à legislação de Logística Reversa Federal sem saber que existem também legislações específicas no Paraná. “Se uma empresa cumpre as normas federais, mas não se encaixa nas diretrizes estaduais, também pode ser autuada”, explica. Isso porque em 2012, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Paraná (SEMA), convocou, por meio do Edital de Chamamento nº 01/2012, as empresas paranaenses a apresentarem uma proposta para a estruturação dos Sistemas de Logística Reversa no Estado. Pareceu complicado? É por isso que o Programa Bom Exemplo Floresce é importante, já que permite que as empresas associadas tirem as dúvidas relacionadas à gestão de resíduos.
Entre as empresas que aderiram ao programa, que foi lançado em fevereiro, está a Nutrimental – empresa alimentícia que faz os cookies e barrinhas de cereal dos quais falamos lá no início. Com um setor de Meio Ambiente instalado dentro da empresa, sustentabilidade não é assunto novo para eles – os funcionários recebem treinamentos de conscientização ambiental. Emanuelle Cavalin, Analista Ambiental da marca, conta que a Nutrimental aderiu ao programa para facilitar a reciclagem de algumas embalagens, cujo processo não é simples. “Ao pesquisar sobre o programa, percebemos que a abordagem do Bom Exemplo Floresce era parecida com o que buscávamos para nossa a realidade”, explica.
Emanuelle relata que a rotina da Nutrimental não foi alterada pelo processo de Logística Reversa e que a empresa participa também de um plano de adequação às normas federais. “É um orgulho para nós participar de programas do gênero”, comemora. Além da Nutrimental, duas outras marcas associadas ao Sincabima já aderiram à iniciativa: La Violetera e Roma Chocolates.








