Governança estruturada é a chave para a longevidade das pequenas e médias empresas familiares

Monique de Souza Pereira.
Monique de Souza Pereira.

“Apesar dessas empresas transmitirem uma imagem positiva ao mercado, pelo elevado nível de comprometimento dos familiares com o negócio, utilização do sobrenome como inspiração e transmissão de confiança a todos que com ela se relacionam (clientes, funcionários, fornecedores, bancos), investimentos de longo prazo, ações rápidas e dedicação em conjunto, elas também podem acabar se afastando do grau de profissionalismo que requer o comportamento empresarial”, afirma a advogada Monique Souza Pereira, sócia do escritório Souza Pereira Advogados, de Curitiba.

Gerar lucros é a preocupação número um de dez entre dez empresários. Principalmente em um momento de crise e instabilidade, como o que o Brasil passa neste momento. Entretanto, ter dinheiro em caixa não garante, por si só, o crescimento sustentável e a longevidade de uma empresa. Hoje, grande parte das empresas brasileiras são familiares e representam 75% da força de trabalho e 40% do PIB no país.

Por isso, especialistas recomendam uma atenção especial aos processos internos empresariais, com a adequação de práticas de governança corporativa contendo um planejamento prévio da operação, estudo da melhor localização da empresa, valor do lucro pretendido, nível de vendas necessário para cobrir custos e gerar lucros, além de máxima organização interna. Indicam ainda, clareza nas regras quanto à condução do negócio por familiares, disposição sobre transmissão do patrimônio em uma eventual sucessão, combinados com o preparo das próximas gerações para assumirem o comando dos negócios.

“Uma governança planejada e bem elaborada oferece agilidade, transparência, segurança e melhor fluxo de informações a todas as partes interessadas, facilitando, inclusive, o acesso a investimentos. A transparência nos processos decisórios, a adoção de regras e procedimentos e a clareza de contas dá segurança aos sócios e investidores, além de elevar a valorização dos ativos da empresa”, afirma Monique.

Mas, na prática, poucas são as empresas que buscam melhoria organizacional através de regras claras, visando crescimento de longo prazo. A grande maioria deposita energia no negócio pensando apenas em sobrevier. Estudos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) no ano de 2013 mostram, por exemplo, que dentre as micro e pequenas empresas familiares, 17% não resistiram ao primeiro ano de vida, 45% desapareceram em até cinco anos de existência e 87% morreram antes de completar 20 anos. Em relação às médias empresas, tais números são um pouco melhores, mas ainda alarmantes. “Dentre as principais causas do desaparecimento, constatou-se que 42% foi por falta de planejamento estratégico e informações do mercado, 17% por complexidade tributária e burocracias, 15% por dificuldade no acesso ao crédito financeiro, 7% por brigas familiares ou de sócios e 5% por falência. Em resumo faltou governança”, avalia Monique.

Para agregar valor à sociedade empresarial, facilitando seu acesso ao capital, com foco em crescimento sustentável, é necessário planejamento do negócio desde o início da constituição da empresa. “Uma dica de governança é elaborar um documento de constituição da sociedade empresarial (contrato social ou estatuto social) bem detalhado e, se possível, um acordo de sócios prevendo regras para a relação societária dos sócios, cônjuges, herdeiros e terceiros”, diz a advogada.

Outra dica é a criação de um regimento interno da empresa, contendo estrutura hierárquica, setores e descrição das funções dos funcionários, além do incentivo à cultura da meritocracia e profissionalização dos cargos. “Também são pontos importantes no estabelecimento da governança a separação de patrimônio pessoal e empresarial, a formação de um conselho consultivo para auxiliar o empreendedor em suas decisões e a preparação de um sucessor para que, em uma eventual perda, a empresa não fique sem um comandante”, destaca Monique.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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