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A lógica na queda dos juros

Gilmar Mendes Lourenço.
Gilmar Mendes Lourenço.

Em consonância com as expectativas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC) deliberou, no encontro desta quarta-feira (19), a redução de 0,25 pontos percentuais na taxa básica de juros do País, conhecida como Selic (sistema especial de liquidação e custódia), depois de transcorridos quatro anos, desde o último declínio, e quinze meses de estacionamento no elevado degrau de 14,25% ao ano.

A decisão da autoridade monetária constitui uma espécie de passo inicial no processo de abrandamento monetário que, se apoiado pela política fiscal, poderá ser intensificado ao longo de 2017, de modo a assegurar o erguimento de pilares consistentes para a retomada do crescimento econômico, absolutamente indispensável para a reversão curva recessiva e da deterioração do mercado de trabalho.

É impossível não enxergar que, apesar da contínua, ainda que moderada, renovação de esperanças no futuro, atestadas pela melhoria dos indicadores de confiança de empresários industriais e comerciais e consumidores, mensurados por meio de pesquisas realizadas por entidades de classe, o lado real da economia ainda sangra.

Apenas a título de ilustração, não obstante o decréscimo no medo do desemprego e a subida da satisfação com a vida, apontados por sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a produção industrial e o volume de vendas do comércio e dos serviços ainda exibem rota cadente, em linha com a ascensão do desemprego e o encolhimento da renda média da população, apurados por pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nessas circunstâncias, a escolha pelo rompimento com o conservadorismo, passividade e, aparentemente, até insensibilidade diante da maior, em intensidade e duração, contração dos níveis de atividade da história da nação, repousa em fatores objetivos sintetizados no vislumbre da tendência de recuo das pressões inflacionárias, sobretudo daquelas produzidas por choques de oferta, particularmente dos preços dos alimentos, fortemente determinados pela dinâmica das safras agrícolas e da demanda internacional.

Em simultâneo, emerge os elementos ligados às expectativas menos desfavoráveis dos agentes em relação ao imprescindível ajuste nas contas públicas, reforçadas com a aprovação, em primeiro turno, pela Câmara dos Deputados, do projeto que estabelece teto para a expansão dos dispêndios primários do executivo federal, conforme a inflação pretérita aferida pelo índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA), do IBGE.

Mais que isso, mesmo na dependência de nova votação na Câmara e outras duas no Senado, a tramitação da proposta já confere credibilidade, ao transmitir a mensagem de forte possibilidade de concretização das intenções de perseguição de equilíbrio orçamentário e, por extensão, eliminação dos focos inflacionários derivados da ausência de racionalidade na gestão dos haveres transferidos pela sociedade ao governo na forma de tributos.

Por certo, mesmo não constituindo a única fórmula para solução dos graves problemas que perturbam o funcionamento do aparelho de negócios brasileiro, o corte na Selic pode sinalizar o começo da liberação das amarras financeiras que desestimulam produção, investimento e consumo e o escape do roteiro tradicional, baseado no incentivo à alocação dos recursos excedentes das corporações em modalidades não operacionais, em detrimento das aplicações em ativos reais.

Porém, o esforço do BC só fará sentido se possuir a capacidade de contaminar as demais instâncias do Palácio do Planalto e do Legislativo, na direção do encaminhamento, discussão e aprovação dos aprimoramentos institucionais, necessários ao estancamento dos enormes e crescentes desequilíbrios fiscais e financeiros do setor público e à compressão dos custos e à impulsão da produtividade da microeconomia brasileira, expressos em mudanças no arcabouço tributário, previdenciário, trabalhista, administrativo, financeiro e patrimonial.

Seria ocioso destacar a natureza fundamental da defesa ferrenha e implantação dessas medidas para a conquista da estabilidade inflacionária e o conjunto de benefícios a ela acoplados, principalmente a preservação do poder aquisitivo e das funções clássicas da moeda (unidade de conta, reserva de valor e meio de pagamento), a desindexação dos contratos, a minimização das incertezas e o resgate estrutural da previsibilidade no cálculo econômico de empresas e consumidores.

O artigo foi escrito por Gilmar Mendes Lourenço, que é Economista, Consultor, Professor da FAE Business School, Ex-Presidente do IPARDES.

Mirian Gasparin
Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 44 anos na área de jornalismo, sendo 42 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 11 anos de blog, mais de 20 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 18 prêmios, com destaque para Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.
https://www.miriangasparin.com.br

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