Disciplina e paciência são características fundamentais para ter sucesso na Bolsa de Valores

Luiz Barsi Filho.
Luiz Barsi Filho.

Uma das perguntas mais comuns realizadas é: “Eu não sou rico. É possível eu ter sucesso investindo na bolsa mesmo assim?”A resposta é: Sim! Assim como Luiz Barsi Filho, um dos mais relevantes investidores do Brasil, muitos brasileiros começam a investir jovem sem muito dinheiro. Porém, duas características são fundamentais para aqueles que querem ter sucesso na Bolsa: disciplina e paciência.

Disciplina é fundamental para o investidor por diversos motivos. Primeiramente, todo investidor deveria ter disciplina para gastar menos do que ganha. Se o investidor gasta mais do que ganha, ele não terá dinheiro para investir. Simples assim.

“Quando eu comecei tinha uma meta de ter cem mil ações da CESP. Isso era no começo da década de 1970. O valor dessa meta era provavelmente o equivalente a dez mil dólares, um valor próximo ao de um carro popular. Era uma meta modesta, mas era uma meta possível de ser atingida. Esta meta foi alcançada. E considero minha primeira conquista de investimento”, conta Luiz Barsi, economista, investidor e consultor da Suno, fintech de consultoria voltada para educação financeira. “Dali em diante, outras metas como essa me propus e em dez anos eu já tinha investimentos suficientes para garantir uma renda suficiente para eu me aposentar”, complementa o investidor.

Paciência é igualmente importante. Construir um patrimônio em ações é um processo lento. Não existem atalhos. As maiores fortunas da bolsa foram construídas em décadas de poupança e reinvestimento dos rendimentos. Somente os investidores pacientes são capazes de esperar tanto tempo para serem recompensados.

“Algumas instituições prometem riqueza rápida na bolsa. Porém, em décadas de experiência eu nunca vi ninguém fazer fortuna de maneira rápida na bolsa. Se você pretende investir em busca de riqueza rápida, procure outro lugar. A Bolsa de Valores não vai lhe servir”, analisa Barsi.

Um grande problema daqueles que buscam riqueza rápida na bolsa é que possivelmente serão tentados a botar seu dinheiro em investimentos muito arriscados, como derivativos, e perderão todo seu dinheiro investido rapidamente. Às vezes perderão até mais do que investiram e ficarão com uma dívida.

Uma outra pergunta constante é “Por que investir em ações?”. “O que me motivou a começar a investir é que ações historicamente rendem mais do que demais opções de investimento”, conta o economista.

O gráfico abaixo representa a rentabilidade em dólares do índice IBOVESPA desde sua criação em 1968.

grafico-bolsa

Se você tivesse investido US$100 em 1968 hoje teria US $18.000. Uma rentabilidade de mais de 10% ao ano em dólares

Além disso, esta é a rentabilidade do índice de ações. Se você soube selecionar as empresas certas para investir seu retorno pode ser ainda maior. Os últimos 10 anos não foram favoráveis às ações, é verdade. Mas ações são assim mesmo.

Ações não andam em linha reta para cima. Esse é um dos motivos que ter paciência é importante. O investidor de ações vai enfrentar períodos de baixa do mercado e períodos de alta. Compra-se uma ação a R$1,00. Dias depois ela é negociada a R$0,80. Nas semanas seguintes esta mesma ação vai para R$1,25. Para depois voltar para o R$1,00 inicial e de repente vai para R$1,50.

Esse tipo de cenário é muito comum e boa parte das pessoas se desesperam na primeira queda e vendem com prejuízo. Por isso é importante ter paciência para suportar “perdas”.

“Posso afirmar sem engano que se ao invés de investir em ações eu tivesse investido em renda fixa, certamente eu teria um patrimônio menor do que eu possuo hoje. Eu costumo chamar a renda fixa de “perda fixa”. Mas esse também é um assunto que merece ser tratado com mais detalhes em outro momento”, afirma o analista da Suno.

Investimento em ações no Brasil

O Brasil tem um mercado de capitais pobre em alternativas. Temos cerca de 400 empresas listadas em Bolsa de São Paulo. A Bolsa da Mongólia tem também cerca de 400 empresas listadas.

Agora vamos fazer uma pequena comparação entre Brasil e Mongolia:

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O Brasil tem uma população cerca de 100 vezes maior que a da Mongólia. Nosso PIB é mais de 100 vezes maior que o dos mongóis. Como então temos tão poucas ações listadas no Brasil? É difícil apontar apenas um motivo único para esse nosso atraso. Mas uma das razões que contribui para nosso atraso é uma mentalidade que se formou ao longo das décadas de que o mercado acionário é um cassino.

O mercado acionário é um Cassino? Sim, se você não estiver preparado

Diversas instituições incentivam comportamentos que são compatíveis com práticas de cassinos. De corretoras que incentivam o giro da carteira (pois faturam corretagem) à consultorias que prometem lucros rápidos. “Se o investidor adota essas práticas provavelmente irá perder dinheiro e falará aos amigos que bolsa é um cassino. O boca a boca perpetua a mito que bolsa é cassino”, analisa o investidor.

Bolsa não é um Cassino! Mas você precisa ter conhecimento e preparo para não cometer erros básicos. Alguns desses erros são inclusive incentivados por algumas instituições que deveriam defender o investidor. “Um dia um rapaz que era médico me perguntou: -como eu faço para investir? Eu respondi: -você consegue me passar em 15 minutos todo o conhecimento que você adquiriu ao longo da sua carreira como médico?. Ele respondeu que não seria possível”, conta Barsi.

O mesmo se aplica a investir em ações. Não é possível aprender em apenas 15 minutos o conhecimento necessário para ser bem sucedido ao investir em ações. Para isso, consultorias como a Suno e consultores como Luiz Barsi orientam investidores baseado no que deu certo para ao longo de décadas de investimento.

Para quem está, o objetivo é motivar. Trazer exemplos reais ajudam aqueles que não têm referenciais positivos de bolsa. “Quando comecei a investir eu não tinha muito, mas com esforço, dedicação e paciência foi possível atingir meus objetivos financeiros através do mercado acionário”, afirma o consultor da Suno.

Ações garantem o futuro

Um País forte se faz com um Mercado de Capitais forte. E um Mercado de Capitais forte se faz com um número crescente de investidores. Quanto mais investidores o Brasil tiver, maior será a poupança interna e essa poupança poderá prover recursos para um Brasil melhor.

O mercado de capitais financia projetos de infraestrutura, financia rede de escolas e faculdades, financia o banco que vai financiar o pequeno empresário. O Brasil precisa de um mercado de capitais forte. E para que o mercado de capitais seja forte, os investidores precisam de educação.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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