Mulheres empreendem para diminuir desigualdades do mercado de trabalho

No próximo dia 19 de novembro, comemora-se o Dia Global do Empreendedorismo Feminino. A data, oficializada pela ONU, em 2014, é uma iniciativa para ressaltar a participação das mulheres no desenvolvimento econômico de um País. O cenário de um mercado de trabalho pouco promissor para as mulheres – no Brasil, embora elas sejam a maioria da população (51,4 %), segundo o IBGE, e terem maior tempo de estudo (7,8 anos) em relação aos homens (7,4 anos), levantamento da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) aponta que a desigualdade de salários em comparação com os homens ainda excede os 25 %. Diferença que, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), só será nula daqui 87 anos – ao invés de desestimulá-las, vem motivando o empreendedorismo entre elas. Pouco dispostas a esperar tanto tempo para obter as mesmas oportunidades na conquista pelo emprego, cada vez mais elas optam por abrir o próprio negócio.

Nos Estados Unidos, as mulheres já despontam na participação no desenvolvimento econômico do País, segundo informações do Índice Global de Desenvolvimento de Empreendedorismo por Gênero. O Brasil aparece na 36ª colocação do levantamento, com 43 % dos donos de empresas do sexo feminino. Do total de empreendimentos ativos no País, 30 % estão sob o comando das mulheres ou as têm como sócias.

Quando a presença da mulher no comando das empresas é relacionada ao tamanho dos empreendimentos, a pesquisa aponta que elas já são maioria (59 %) nas pequenas e médias. Nas empresas classificadas como MEI – Microempreendedor Individual – o percentual sobe para 98,5 %, segundo pesquisa da Mosaic.

Elas não quiseram esperar

Andrea Abrahão.
Andrea Abrahão.

Ainda na faculdade, Andréa Varalta Abrahão, 37, abriu um consultório e contratou uma fonoaudióloga, tornando-se estagiária da própria funcionária. “Isso aconteceu depois que um programa de doação de próteses auditivas foi aberto em Franca. Eu me credenciei como empresa para prestar o serviço, mas como ainda não tinha me formado, contratei uma profissional que pudesse fazer o atendimento e adaptar os aparelhos. Ao atender a população, percebi que as pessoas que estavam ali tinham esperado muito pela prótese. Era minha oportunidade de negócio”, relata.

Anos depois, Andréa criou a Direito de Ouvir, para fornecer aparelhos auditivos e ajudar pessoas com perda de audição a restabelecerem o sentido. Em 2013, a fonoaudióloga lançou o sistema de franquias da marca. Um ano depois, a empresa foi adquirida pela multinacional Amplifon. Andréa tornou-se sócia e diretora técnica da rede. Hoje, a Direito de Ouvir conta com sede própria, cinco franqueados e mais de 80 fonoaudiólogas credenciadas que atendem em mais de 400 localidades no Brasil.

Graziela Bezeera
Graziela Bezeera

Outro exemplo de “impaciência” é o de Graziela Bezerra, 35. Quando concluiu a faculdade de Administração de Empresas, aos 23 anos, Graziela adquiriu sua primeira franquia, do Instituto Embelleze, em Divinópolis (MG). “Sempre tive o sonho de ser empresária. Mesmo muito jovem, quando era funcionária nas empresas, ficava imaginando como seria quando eu tivesse o meu próprio negócio. Escolhi ter uma franquia de beleza, porque sempre gostei da área”, conta.

Graziela diz ser muito gratificante capacitar pessoas e depois vê-las atuando na profissão que escolheram, muitas vezes com o próprio salão de beleza. Segundo ela, a experiência positiva dos alunos e o boca a boca ajudaram a franquia a ficar conhecida. “Investimos muito em ações sociais para divulgar nosso trabalho. A população se beneficiava com cortes, manicure e outros cuidados para levantar a autoestima; nós nos tornávamos mais conhecidos, com a divulgação do trabalho, e os alunos ganhavam com o exercício da prática das técnicas aprendidas no Instituto Embelleze.” Com o sucesso da primeira escola de beleza em Divinópolis, Graziela expandiu o negócio para as cidades de Passos e Itaúna. Hoje, além dos 130 funcionários, administra a casa e as demandas da família. Para ela, a mulher tem um poder de superação incomparável. “Somos capazes de chegar onde quisermos, se acreditarmos.”

 

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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