Embora o cenário econômico e financeiro para 2017 não seja animador, não há motivos para desespero, mas sim para planejamento e adequação
A expectativa para 2017 é de retomada da economia, porém de forma lenta e tímida e só a partir do segundo semestre do ano. O desemprego, atualmente em 11,8%, pode superar os 13%, gerando ainda mais reflexos negativos nas finanças das famílias brasileiras. Mesmo assim, não há motivos para desespero, e sim para planejamento e adequação, para sair fortalecido neste período. Logo, é importante se organizar para atravessar o próximo ano com segurança financeira.
O doutor e mestre em educação financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, dá orientações bem pertinentes para serem adotadas em 2017. A primeira delas é se livrar das dívidas. Isso parece estranho, já que para muitas pessoas é impossível pagar dívidas em momentos de crise. Entretanto, é exatamente nesses momentos que os credores também oferecem as melhores condições para negociações. A orientação é que o primeiro passo seja o de resolver o problema que levou ao endividamento, isto é, a causa. Adequar o padrão de vida à realidade é muito difícil, mas é fundamental observar que não se pode viver num mundo que não é o nosso. Cortar gastos para ganhar fôlego e, assim, poder assumir o compromisso de pagar as dívidas é a melhor opção agora.

O segundo ponto importante é fazer uma faxina financeira. Talvez muitos desconheçam, mas, em média, 25% dos nossos gastos são com supérfluos. As pessoas sempre dizem que não têm mais de onde reduzir as despesas, mas, depois, quando fazem uma análise, observam que é possível. É preciso realizar um diagnóstico da vida financeira por 30 dias, anotando tudo o que se gasta por tipo de despesa, até mesmo cafezinhos e gorjetas. Agindo assim, se conseguirá ver uma realidade muito diferente do que se imagina. Mas, a pessoa não deve virar escrava das anotações, pois, quando vira rotina, perde a eficácia.
Segundo Reinaldo Domingos, um erro comum é pensar que orçamento financeiro familiar consiste em registrar o que se ganha e subtrair o que se gasta e, caso sobre dinheiro, terá lucro, se faltar, prejuízo. A forma correta, no entanto, consiste em primeiramente elaborar o registro de todas as receitas mensais, e depois separar os valores pré-definidos para os projetos da família e, somente com o restante, readequar os gastos. Isso forçará um ajuste do padrão de vida familiar para conquistas financeiras.
E por mais que o cenário para muitos seja de pesadelo, nessa hora, é de grande importância sonhar, ou seja, definir os objetivos materiais, pois eles é que farão com que se tenha foco para evitar o descontrole ou mesmo o desespero. Neste sentido, é bom reunir a família e conversar sobre o tema, dividindo os sonhos em três tipos: curto (até um ano), médio (até dez anos) e longo (acima de dez anos), definindo também quanto custam e quanto poderão poupar por mês para realizá-los.
Por último, deve-se aprender a investir. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros, muitos poupam sem estabelecer um propósito e escolhem um investimento pensando apenas no que é mais prático. No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicações com riscos diferentes. Portanto, a orientação é procurar variar o investimento de acordo com o tempo em que utilizará o dinheiro. De forma geral, o risco de uma aplicação financeira é diretamente proporcional à rentabilidade desejada pelo empreendedor, ou seja, quanto maior o retorno estimado pelo tipo de aplicação escolhida, maior será o risco. Por isso, é preciso cautela.








