Indústria demonstra pessimismo antes mesmo de retomada do crescimento

As expectativas da indústria que estavam melhorando com a troca de governo e com a nova equipe econômica, começam a mostrar sinal de retração, com potencial de abortar a retomada do crescimento da economia brasileira. É o que mostra o Boletim Indústria do Ceper-Fundace do mês de novembro. “O impeachment gerou uma fissura na política brasileira que ainda não foi resolvida. A instabilidade e os escândalos de corrupção colocam em dúvida a capacidade da classe governante de reunir esforços e adotar medidas necessárias para recuperar as contas públicas e reduzir distorções existentes na economia brasileira e em seus sistemas trabalhista e tributário para a retomada do crescimento”, analisa o professor e pesquisador Luciano Nakabashi, um dos coordenadores do estudo.
Dados do Boletim do Ceper sobre as expectativas em relação à demanda de produtos, número de empregados e compras de matéria-prima da indústria brasileira mostram que os números caíram em relação a outubro deste ano. A demanda por produtos caiu de 52,3 para 49,9, indicando instabilidade. Valores acima de 50 indicam expectativa positiva, ou seja, espera-se que nos próximos seis meses a demanda por produtos da indústria aumente mesmo após uma queda em relação aos meses anteriores.
Já a variável compra de matérias-primas, que havia registrado queda em outubro após cinco meses seguidos em trajetória ascendente, caiu ainda mais: de 49,7 para 47,5. O mesmo padrão de queda pode ser observado na variável número de empregados, que não atingiu valores acima de 50 no período considerado, evidenciando assim a manutenção de expectativas negativas de redução do número de trabalhadores nos próximos seis meses.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) em relação às condições da empresa e expectativas da empresa apresentou leve melhora em relação ao mês de outubro (de 44,1 para 44,5), mas ainda permanece abaixo de 50, demonstrando uma piora das condições atuais da empresa em relação aos últimos seis meses.
As variações do valor da produção percentual acumulado do ano das indústrias geral, extrativas e de transformação foram negativas nas três modalidades de indústria, especialmente para a indústria extrativa, reflexo, em parte, da queda do preço das commodities.
Conforme o levantamento do Ceper-Fundace, alguns indicadores mostram um possível processo de retomada da indústria brasileira. No entando, a reversão da trajetória ascendente de outros indicadores de expectativas em relação aos próximos seis meses preocupa, pois indica que as perspectivas positivas estão retrocedendo antes mesmo da recuperação da economia, o que pode abortar a tão desejada retomada. A Sondagem Industrial é realizada com base em dados sobre volume de produção, nível de utilização da capacidade instalada, estoques de produtos finais, perspectivas para os próximos meses quanto à demanda, compra de matéria-prima e exportação. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é construído com base em questionamentos feitos aos empresários industriais das áreas extrativistas e de transformação sobre condições atuais e para os próximos seis meses quanto às condições gerais internas da empresa, da economia brasileira e do estado de São Paulo.
A produção dos indicadores regionais é resultado de uma parceria entre a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP e a Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Sua execução fica a cargo do Ceper/Fundace – Centro de Pesquisa em Economia Regionais da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia. Os indicadores foram desenvolvidos pela CNI – Confederação Nacional das Indústrias, que realiza os levantamentos junto com Federações das Indústrias de diversos estados do País.








