Recuperação de crédito imobiliário ganha agilidade com execução feita pelos cartórios

O índice de recuperação de créditos imobiliários é superior a 95% quando a execução da alienação fiduciária em garantia é realizada por meio dos cartórios de Registro de Imóveis. É o que mostra um levantamento realizado pela Caixa Econômica Federal. Além de facilitar a cobrança dos devedores, a ferramenta agiliza o procedimento que, em alguns casos, poderia levar até 12 anos, se fosse realizado pelo Poder Judiciário. Com a eficácia do procedimento de cobrança dos inadimplentes, as instituições de crédito e os tomadores de empréstimo desfrutam de um cenário de confiança e previsibilidade que facilita a concessão de financiamentos para compra da casa própria ou para o mercado produtivo.

No Grande ABC a Caixa se utiliza deste serviço e o Gerente Regional de Construção Civil do banco para a região, Rafael Arcanjo, enaltece que: “A alienação fiduciária, sem dúvida foi uma das medidas que alavancou o crédito imobiliário no Brasil. A segurança jurídica, a rapidez e eficiência na recuperação do crédito trazida por esse instituto possibilita baixos índices de inadimplência, levando a possibilidade de captação de novos “fundings” e diminuição das taxas de juros aplicadas. Com mais recursos disponíveis e menores taxas toda a população é beneficiada,” concluiu.

A alienação fiduciária em garantia é formalizada por meio de contrato e se constitui a partir do registro no cartório de Registro de Imóveis competente pelo território onde está o bem imóvel. Quando o tomador do empréstimo deixa de pagar o financiamento, o agente financeiro solicita ao cartório de Registro de Imóveis a intimação do inadimplente. Este requerimento é analisado pelo registrador. Se o requerimento estiver de acordo com a lei, o proprietário do imóvel é comunicado sobre a cobrança da dívida e tem 15 dias para pagar o que deve.

Se o débito for quitado, o processo é encerrado. Se não houver pagamento, o registrador certifica a mora e intima o credor desse fato, que em seguida, vai requerer a consolidação da propriedade do imóvel em seu nome e recolher o ITBI (imposto devido ao Município, em razão da transferência da propriedade). O credor, então, tem o prazo de 30 dias para levar o imóvel a leilão. Se o bem não for arrematado na primeira oportunidade, ao menos pelo seu valor de avaliação, segue para um segundo leilão, agora ao menos pelo custo da dívida e encargos.

E após as duas tentativas de venda, se o imóvel não for arrematado, o credor solicita ao Registro de Imóveis a averbação dos leilões negativos e a partir daí propriedade e a disponibilidade do imóvel passa definitivamente a ser do credor, que poderá vendê-lo da forma, pelo valor e a quem quiser. Nesse ponto, o credor deverá dar quitação total do débito ao devedor.

Até 2003 os financiamentos com lastro imobiliário utilizavam exclusivamente a hipoteca como modelo de garantia, cuja execução tomava em média 10 anos para ser concluída no Poder Judiciário. Em procedimentos judiciais, por conta da demora, após a recuperação do imóvel pelo agente financeiro, o valor recebido não era suficiente para quitar a dívida, os débitos de IPTU ou do condomínio quando se tratava de unidade autônoma. Isso fez com que o mercado de crédito imobiliário diminuísse ao ponto de praticamente não existir financiamento para a aquisição da casa própria para as famílias de renda baixa e média.

A alienação fiduciária transformou esse panorama e hoje possibilita a todos os cidadãos o acesso a financiamentos por bancos públicos e privados. A partir de 2004 o mercado passou a utilizar esse modelo, a alienação fiduciária em garantia, cuja execução é feita pelos cartórios de Registros de Imóveis, em poucos meses. “O procedimento desde o início da execução até a retomada completa do imóvel, inclusive com a desocupação do bem, pode ser feito em um prazo de até seis meses, com total segurança jurídica tanto para o prestamista, quanto para o devedor”, ressalta Patricia Ferraz, diretora de Comunicação da Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg-BR) e registradora de imóveis em Diadema (SP).

Esse eficiente sistema de recuperação de créditos permite que os bons pagadores sejam beneficiados, porque o crédito não deixa de existir. “Se há inadimplência, os cartórios atuam de modo rápido e previsível para recuperá-lo. Com isso, apesar do momento político e econômico pelo qual passa o país, os devedores intimados pelos Registros de Imóveis pagam suas dívidas, por que sabem que não há margem para manobras protelatórias, e se mantém na posse e propriedade de seus imóveis. Os levantamentos iniciais mostram que apenas o percentual de inadimplência está abaixo de 1% da quantidade de imóveis retomados, o que é um índice notável se considerarmos a quantidade de financiamentos concedidos nos últimos anos ousaria dizer que o Brasil encontrou o caminho das pedras para fomentar, com segurança, o mercado de financiamento imobiliário”, completa Patricia.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 52 anos na área de jornalismo, sendo 50 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Há 25 anos é professora titular do curso de Jornalismo da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 19 anos de blog, mais de 50 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 21 prêmios, com destaque para Embrapa Floresta (Menção Honrosa em 2025); VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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