BNDES em xeque

Françoise Iatski de Lima.

A nova política do governo, definida por medida provisória, atinge diretamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e prevê a implantação da Taxa de Longo Prazo (TLP) que substituirá a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), a partir de janeiro de 2018. Serão mantidos apenas os contratos que estão em vigor. A nova taxa será corrigida de acordo com os juros das Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B), atualmente um dos títulos mais populares do Tesouro Direto. Esse título reflete o custo de captação de recursos pelo Tesouro Nacional (TN) junto ao mercado. Acompanha os ciclos econômicos e a taxa básica de juros. E, com isso, o custo das operações de crédito do BNDES deixa de ser uma decisão de governo e passa a acompanhar as taxas de juros de mercado.

A taxa atual, TJLP, tem seus juros decididos trimestralmente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Sua base de cálculo é a meta de inflação e o risco país. A taxa de juros NTN-B (de cinco anos) será corrigida mensalmente pelo Banco Central com base na variação do IPCA mais rendimento real da NTN-B. Nos últimos dez anos, essa taxa foi mais alta que a TJLP e sofreu pressão de alta por parte dos rentistas. É uma taxa definida em leilões sob a tensão da demanda e da oferta e, portanto, será definida a TLP.

Observando dados passados do BC e do TN, ressalta-se o ano de 2002, quando a taxa de juros da NTN-B alcançou 37,8% ao ano. No período nevrálgico da crise de 2009, saltou de 7,5% para em torno 11% ao ano. Por conseguinte, esses seriam os valores da TLP se estivesse em vigência no lugar da TJLP. Será que isso viria a anular o potencial das políticas anticíclicas do BNDES em momentos de dificuldades econômicas? Cabe observar que essas políticas, por definição, não podem ser definidas pela economia de mercado. Este, geralmente, é pró-cíclico. Desta forma, a TLP não será uma taxa anticíclica, sendo definida sob a pressão do mercado financeiro em leilões de títulos NTN-B. Em sentido contrário, políticas anticíclicas são resultantes de movimentos autônomos.

Os impactos dessa medida podem ser negativos para a economia brasileira. Pode ocorrer redução dos financiamentos do BNDES devido à taxa de juros (TLP) mais elevada em relação a anterior (TJLP). Por outro lado, o banco terá folga de recursos, o que proporcionará condições para a instituição acelerar seus pagamentos ao TN. Em outras palavras, o BNDES paga a conta e fica descapitalizado, sem recursos e podendo até mesmo quebrar.

Para a economia nacional, existem riscos nessa operação. Há a possibilidade de ficar sem seu principal aparelho de financiamento do investimento da indústria e infraestrutura, além do estímulo a empresários a assumir empréstimos no exterior, em moeda estrangeira. Com receitas em reais e despesas acordadas em dólares, empresários estarão expostos a crises cambiais. História já conhecida pela economia brasileira. Para alguns especialistas mais pessimistas, esse seria um adeus ao BNDES, criado em julho de 1952 e principal fomentador da economia brasileira.

O artigo foi escrito por Françoise Iatski de Lima, que é mestre em Desenvolvimento Econômico e professora da Universidade Positivo (UP).

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná. Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social. Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos. Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas. Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005). Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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