Mercado de estágio apresenta tendência de recuperação em 2017

Os programas de estágio, embora também tenham sofrido os efeitos da crise, já apresentam sinais de melhora. Números demonstram que, mesmo em meio aos percalços da economia brasileira, a oferta de vagas de estágio subiu e tende a se elevar até o final do ano. De acordo com especialistas do setor, isso representa um cenário de reestabelecimento dessa modalidade, já que boa parte das contratações não se deve apenas à entressafra (período no qual muitos contratos vigentes se encerram e cresce a demanda para repor o quadro de estagiários), mas sim às novas vagas abertas. Portanto, o momento se torna mais oportuno para os estudantes que voltando das férias de julho encontrarão mais vagas disponíveis.

Os jovens, especialmente a faixa etária que vai até 24 anos, foram os mais afetados pela crise do emprego. Muitos, em busca da primeira experiência profissional, ficaram à margem do mercado de trabalho, no entanto, para aqueles que ainda frequentam as salas de aula, o cenário começou a mudar já no final do ano passado. É o que indica números da Companhia de Estágios, consultoria e assessoria especializada em programas de estágio e trainee. Dados da recrutadora apontam um crescimento expressivo no número de vagas ofertadas no segundo semestre de 2016. O segundo semestre tradicionalmente apresenta mais vagas comparado ao primeiro semestre, está aberta, portanto a temporada dos Programas de Estágio.

Tiago Mavichian: empresas voltam a contratar.

Segundo Tiago Mavichian, diretor da Companhia de Estágios,  desde o início da crise, em 2013, o total de vagas vinha caindo gradativamente e atingiu o declínio mais acentuado nos seis primeiros meses de 2016. Contudo, essa não é a única razão para o bom desempenho registrado pela recrutadora: para o especialista, essa virada demonstra que as empresas estão reagindo e voltando a contratar.

Dados da Companhia de Estágios apontam que já no primeiro semestre de 2017, o número de vagas ofertadas foi 30,7% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, reafirmando a tendência favorável. “E se a expectativa de crescimento de 5% para o segundo período for confirmada, o ano fechará com um aumento real de 2,4% no número de vagas em relação a 2016. Primeiro balanço positivo desde o início da crise”- acrescenta Mavichian. Isso porque, historicamente, é no segundo semestre que as empresas costumam anunciar mais postos.

Carreiras promissoras

O balanço também revelou quais áreas mais promissoras quando o assunto é estágio. Mesmo em meio à crise, o setor de Tecnologia da Informação (TI) vem crescendo e gerando mais oportunidades. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) essa área de atuação fechou o último ano com um saldo positivo de 1,2 mil empregos, enquanto diversos outros setores reduziram as operações e cortaram vagas. Nos programas de aprendizagem esse cenário não é muito diferente, de acordo com Mavichian, em 2016, a área de TI também aumentou as contratações de estagiários. “Em comparação com o mesmo período do ano passado, o número de vagas para os estudantes de TI mais que dobrou nesse primeiro semestre de 2017”.

O especialista explica que isso se deve ao fato de que o mercado sempre demanda de novas soluções e recursos tecnológicos para o aprimoramento das rotinas corporativas, especialmente diante da crise: “A recessão fez com que as empresas buscassem ainda mais formas de racionalizar e aumentar a eficiência dos processos para reduzir os custos, o que impulsionou o ramo de TI”.

No saldo de vagas gerado até junho desse ano, a área de Administração ainda se manteve em primeiro lugar entre as contratantes, no entanto, seu crescimento foi de 13%, que, apesar de positivo, diante do cenário atual, é um número relativamente baixo se comparado a outras áreas em ascensão como Marketing e Comunicação, que aumentou suas vagas em 120% e Ciências Contábeis que cresceu 90%. Engenharia e Direito, que antes figuravam no topo das áreas com mais oportunidades para os estudantes, terminaram o primeiro semestre com uma queda de cerca de, respectivamente 36% e 26% no total de oportunidades.

Modalidade mais atrativa

Mesmo com as perdas, o estágio tem sido indiscutivelmente, a principal alternativa dos jovens diante do encolhimento das vagas formais. Desde o início da crise, a recrutadora tem registrado um aumento progressivo no número de candidatos nos processos seletivos: somente no último semestre de 2016 foram mais de 100 mil inscritos – número recorde. Tal aumento pode ser explicado, principalmente pela estagnação do mercado celetista. Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a taxa de desemprego no país se mantém em 13,3%, indicando que o mercado formal está em fase de estabilização. Segundo especialistas do setor, na melhor das hipóteses, a recuperação só deve ocorrer a partir do ano que vem.

“Esse cenário favorece ainda mais o mercado de estágios, tanto para o jovem, quanto para o empresário, afinal, as empresas precisam buscar alternativas para seguir investindo em recursos humanos e é justamente no estágio que encontram a possibilidade de treinar colaboradores e desenvolver planos de carreira a custos reduzidos. Já o jovem, tem a oportunidade de adquirir experiência e desenvolver sua carreira profissional, concorrendo a vagas adequadas para o seu perfil” – explica Mavichian.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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