Programas de estágio apresentam média de remuneração maior que salário mínimo atual

Milhões de brasileiros têm sofrido os efeitos da mais longa recessão da história do país, com a escalada nos preços de produtos e serviços e a remuneração abaixo da inflação pela primeira vez em mais de 10 anos, as famílias buscam opções alternativas para complementar a renda e, por isso, a mão de obra mais jovem da população já está se lançando no mercado de trabalho, não só para contribuir com o orçamento doméstico, mas também para custear os próprios estudos.

É o que revela um levantamento do setor, realizado pela Companhia de Estágios, assessoria especializada no recrutamento e seleção de estagiários. Segundo a recrutadora, 36% dos estudantes que frequentam instituições privadas arcam com as mensalidades do curso, mas, com a economia do país em crise e a falta de experiência prévia, fica difícil conseguir uma oportunidade no mercado formal, por isso, os estudantes estão recorrendo aos programas de estágio que, além de serem direcionados ao complemento do aprendizado, ainda apresentam condições mais atrativas do ponto de vista financeiro e educacional.

O salário mínimo nacional em 2017 é de R$937,00, em vigor desde o dia 1º de janeiro. O valor subiu R$57,00 em comparação ao ano anterior, um reajuste de 6,4%, porém, a correção foi menor que a inflação, o que significa que não houve ganhos reais, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Na contramão dessa tendência, os valores registrados para a remuneração dos estagiários se mantiveram estáveis e acima da média. O estudo da recrutadora revela que, atualmente, 59% dos estudantes que participam dos programas de aprendizagem recebem uma bolsa auxilio maior que o salário mínimo atual.

Números indicam um cenário positivo para os estagiários

A pesquisa “O Perfil do candidato a vagas de estágios em 2017”, realizada no primeiro semestre do ano, contou com 2.193 entrevistados de todas as regiões do país. Segundo o levantamento 41% dos estudantes que participam do estágio atualmente recebem um valor equivalente ao salário mínimo nacional, o restante dos jovens, que representam uma parcela de 59%, recebe uma bolsa auxílio maior: 29% ganha até R$1.200; 18% recebe até R$1.500 e quase 12% dos jovens possui remuneração acima desse valor.

Mercado de estágio está cada vez mais acirrado

Tiago Mavichian: empresas preferem apostar em colaboradores com vontade de aprender.

De acordo com o diretor da recrutadora, Tiago Mavichian, no ano passado a demanda por vagas de estágio cresceu 12%, uma tendência que começou em 2014 e vem aumentando desde então: “O histórico demonstra que os jovens estão recorrendo mais ao estágio. Para se ter ideia, o número de inscritos de 2015 para 2016 foi muito significativo, pois foram quase 21 mil estudantes a mais, fechando o ano com cerca de 200 mil candidatos a vagas de estágio em todo o país”.

Consequentemente a concorrência também acompanhou essa tendência: “A proporção de candidatos por vaga passou de 48 em 2015 para 66 no último ano, um aumento de 37,5%. Mas, ao contrário do mercado formal, mesmo diante dos percalços da economia, a demanda por vagas segue em ritmo mais acelerado que o fechamento de postos, o que comprova que a disputa acirrada não é apenas fruto da redução de vagas, e pode ser influenciada também pela retração da categoria celetista, que se torna ainda mais restrita para quem está ingressando na carreira profissional e ainda não tem experiência”, explica Mavichian.

Sinais de recuperação nos programas de aprendizagem

A concorrência está acirrada, tanto para quem busca uma vaga de estágio quanto para quem se candidata ao mercado formal, não está fácil para ninguém. No entanto, no caso dos jovens que recorrem aos programas de aprendizado há uma vantagem considerável: o cenário apresenta uma retomada e indica recuperação na oferta de vagas, mostrando-se a opção mais favorável no momento, diferente do mercado celetista.

De acordo com dados da Companhia de Estágios, apesar dos efeitos da crise nos últimos anos, o segundo semestre de 2016 apresentou uma perda de vagas 10% menor em comparação com o mesmo período do ano anterior e, em relação a retração registrada no primeiro semestre do último ano o resultado é ainda mais animador, pois caracteriza uma recuperação significativamente rápida. Para o diretor, esse quadro indica sinais de melhoras e se torna ainda mais relevante diante do cenário financeiro que o país atravessa.

Visão de mercado

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente no último segundo semestre de 2016, o Brasil perdeu 821 mil postos com carteira assinada, e as projeções futuras não são muito animadoras, pois, segundo especialistas do setor, as incertezas políticas e os desequilíbrios fiscais em evidência atualmente são grandes fatores de vulnerabilidade para a economia nacional e retardam sua recuperação. “Diante disso o mercado formal se torna ainda mais difícil para o jovem inexperiente. Por isso o estágio tem sido a alternativa dessa parcela da população e a retomada desse segmento aumenta a perspectiva dos estudantes que estão à margem do mercado de trabalho”, opina o diretor da recrutadora.

Qualificação é um diferencial necessário

Não é preciso ter experiência profissional anterior para ingressar no estágio, esse é um direito assegurado pela lei, afinal, o objetivo do programa é proporcionar um aprendizado contínuo ao estudante para que ele possa colocar em prática tudo o que aprendeu em teoria na sala de aula. Mas, já que esse item é descartado, outros fatores são levados em consideração pelos contratantes, como a postura do candidato, as atitudes dos profissionais e as habilidades técnicas. Nesse sentido, segundo Mavichian, a qualificação é um fator de peso e compensa a inexperiência do jovem.

Mesmo que a modalidade do estágio se mostre uma alternativa promissora em tempos de desemprego no país, com mais jovens disputando os postos ofertados, os processos seletivos se tornam mais concorridos, por isso o investimento em qualificação deve ser constante. Para se destacar e garantir a vaga é necessário estar por dentro das novidades da área e antenado aos principais nichos do segmento. E, de acordo com o especialista não é preciso ter muito dinheiro para fazer isso: “Existem muitas palestras e cursos gratuitos para acompanhar as tendências do mercado, além disso a internet trouxe uma gama de oportunidades para treinamentos e cursos gratuitos, que podem melhorar a capacidade técnica dos estudantes”.

Segundo Mavichian, atualmente as empresas preferem apostar em colaboradores com muita vontade de aprender, e os jovens possuem esse perfil, prova disso é que a pesquisa da recrutadora revelou que 80,1% dos estudantes tem como principal objetivo adquirir experiencia profissional através do estágio. Por isso muitas empresas optam por aderir aos programas de estágio, em detrimento de vagas para profissionais que não acompanham a evolução do mercado, o que também aumenta as possibilidades de uma efetivação ao final do programa.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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