Setor industrial do Paraná está mais otimista e prevê retomar investimentos em 2018

Finalmente, o setor industrial do Paraná começa a projetar um cenário mais positivo para os negócios em 2018. É o que aponta pesquisa realizada com 398 indústrias de médio e grande porte em todas as regiões do Estado e que empregam 47 mil pessoas, e 219 micro e pequenas indústrias divulgada nesta segunda-feira (11) pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em parceria com o Sebrae-PR. Segundo o estudo, 63,57% do empresariado está otimista em relação ao ambiente de negócios. Este é o melhor porcentual desde 2015 e o equivalente ao registrado em 2009, período em que a crise internacional afetava a economia. No ano passado, por exemplo, 55% dos industriais do Estado estavam otimistas, sendo este o menor nível de expectativas desde 1996, quando a pesquisa começou a ser feita.
Mesmo apresentando melhora significativa em relação a 2017, o indicador está abaixo dos períodos com histórico de percepção otimista, com níveis acima de 70%. Por sua vez, 30,65% dos empresários estão em dúvida de como será o cenário para 2018 e 5,78% estão pessimistas.
Entre os industriais que acreditam que 2018 será um ano favorável para os negócios, 26,87% indicam que farão novos investimentos. Mais da metade deles aposta em aumento das vendas e 22% sinalizam que vão fazer novas contratações. Estes resultados, segundo explica o economista Roberto Zürcher, levam a crer na continuidade do processo de transformação estrutural da indústria, diante da necessidade de incorporar novos padrões tecnológicos e uma cultura de competitividade crescente.
Já entre os pessimistas, 51,43% não farão qualquer investimento, 25,7% vão reduzir os empregos e 22,8% projetam diminuição das vendas.

Condução dos negócios
Para 2018, a principal estratégia que será adotada pelo setor industrial será para o desenvolvimento de negócios. Pelo menos foi o que sinalizaram 53,77% dos empresários ouvidos na pesquisa. Satisfação do cliente ocupa a segunda posição com 51,01%. Já a pesquisa, desenvolvimento e inovação de produtos será um caminho a ser seguido por 33,42% dos industriais ouvidos.
Dentre as empresas que irão fazer novos investimentos, 41,46% investirão em melhoria de processo, 37,94% em produtividade e aquelas que vão apostar em desenvolvimento de produtos somaram 35,93%. Entre os empresários que irão investir no próximo ano, 64,57% afirmaram que vão utilizar recursos próprios; 30,15% vão usar linhas de crédito governamental; 20,35% linhas de crédito privado nacional; 1,76% recursos internacionais; 0,50% joint-ventures; 0,25% abertura de capital e 0,25% debêntures.
Produtividade
Quando o industrial olha para 2017, afirma que os aumentos de produtividade registrados se devem, em primeiro lugar, ao melhor gerenciamento de pessoal, com 42,71% das respostas. Para continuar crescendo e inovar, os industriais paranaenses executam estratégias em modernização tecnológica, com 26,13% das indústrias. Outros 20,35% disseram que inovam por meio da gestão da propriedade industrial e intelectual.
Competitividade mantida
Mais da metade (52,8% das indústrias afirmaram que mantiveram a competitividade dos seus negócios em 2017. Outros 34,18% ganharam e 12,39% perderam. Para os industriais, os itens que impactaram negativamente na competitividade internacional das empresas foram a carga tributária, burocracia e os encargos sociais elevados. Também foram indicados problemas estruturais da economia brasileira como responsáveis pela dificuldade em concorrer no comércio exterior, o principal deles é o custo do transporte, com 32% das respostas.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, é da opinião que as eleições no ano que vem tiveram influência nas respostas dos industriais paranaenses ouvidos na pesquisa e as expectativas futuras vão depender dos resultados das eleições de 2018. Entretanto, segundo ele, os empresários estão mais otimistas não só por que houve “alguma resposta do setor político”, mas principalmente porque perceberam que, se o foco ficasse apenas em falar da crise, seriam engolidos por ela.
O presidente da Fiep alerta que os empresários não podem deixar de investir em inteligência artificial e na Indústria 4.0, caso contrário perderão competitividade e poderão sucumbir.








