Operação Trapaça expõe risco de terceirização da inspeção agropecuária

A Operação Trapaça, realizada na manhã desta segunda-feira (5), pela Polícia Federal e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com a participação de 21 auditores fiscais federais agropecuários (Affas), apura indícios de fraude em laboratórios privados que emitiriam laudos falsos para garantir a certificação de produtos de origem animal em condições sanitárias irregulares. O foco era a falsificação de resultados relativos à presença de salmonela nos produtos.

Aparentemente, esses laboratórios criavam laudos negando a existência de bactérias, e esses documentos eram levados aos órgãos oficiais de inspeção agropecuária que credenciavam plantas exportadoras de maneira indevida. Para o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Maurício Porto, a operação expõe falhas graves no processo privado de inspeção e reforça o papel do servidor público na segurança alimentar. “A inspeção agropecuária pode afetar de maneira dramática a economia das empresas que, muitas vezes, escolhem pôr em risco a segurança alimentar do brasileiro e dos consumidores dos produtos que o Brasil exporta, em vez de ter seus rendimentos reduzidos. É indispensável que o profissional envolvido nesse processo tenha independência e autonomia para atuar livremente, fazendo cumprir as normas vigentes”, explica Porto.

Segundo ele, não é a primeira vez que empresas terceirizadas prestam serviço de qualidade duvidosa para o Estado. O Mapa credenciava empresas para trabalhar no Sistema Brasileiro de Bovinos e Bubalinos. Essas empresas certificavam fazendas para exportação. Em 2007, a União Europeia enviou uma auditoria ao Brasil. Ela encontrou diversas irregularidades e exigiu que as empresas exportadoras de produtos para o bloco econômico fossem certificadas por servidores oficiais, que são os auditores fiscais federais agropecuários. “Para se ter uma ideia dos problemas encontrados, naquele momento havia mais de 3 mil fazendas certificadas só em Goiás. Quando passamos a fazer a fiscalização, apenas duas fazendas continuaram podendo exportar naquele Estado”, lembra Porto.

Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas divulgado em setembro do ano passado, nos últimos 20 anos o valor bruto da produção agropecuária cresceu 123%, e o número de auditores fiscais federais agropecuários que atuam na área caiu 40%. Dados do próprio Mapa indicam um déficit de mais de 2 mil auditores.

Diante desses números, o ministério tem trabalhado na perspectiva de terceirizar a área, com amplo apoio das empresas do setor. “Essa operação, que é um desdobramento da Carne Fraca, é mais uma prova de que o serviço de inspeção agropecuária federal precisa ser realizado por profissionais que tenham independência e autonomia. Não é possível ser realizada por quem sofre influência econômica das empresas. O auditor fiscal federal agropecuário tem comprometimento e isenção para atuar e mecanismos de controles mais efetivos, que garantem a segurança alimentar do brasileiro e dos consumidores dos nossos produtos”, defende o presidente do sindicato. Ele lembra, ainda, que a Operação Carne fraca foi desencadeada a partir de denúncia de um auditor fiscal federal agropecuário, e a Operação Trapaça, em andamento nesta segunda (5), é uma realização conjunta da PF e do Mapa. Vinte e um auditores fiscais federais agropecuários estão participando da ofensiva.

O Anffa Sindical tem participado das poucas reuniões realizadas entre o Mapa e servidores para discutir a proposta de uma consultoria contratada pelo ministério para reformular a secretaria que cuida da defesa agropecuária. “O que temos visto é uma completa falta de diálogo. Nenhuma das sugestões feitas pelos servidores foi aceita pela empresa, e os relatórios apresentados até o momento contêm falhas metodológicas que nós, do Anffa Sindical, consideramos graves. Fica evidente a intenção preconcebida de terceirizar parte da área”, reclama Porto.

O sindicato está trabalhando numa avaliação dos relatórios entregues até o momento e numa contraproposta. “Estamos fazendo um processo bem participativo, ouvindo toda a categoria, nas mais diversas áreas de atuação, para apresentar uma alternativa que garanta a segurança alimentar dos consumidores de produtos agropecuários brasileiros, a preservação ambiental e a segurança jurídica para os exportadores, bem como atenda aos interesses da categoria”, explica ele.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

Um comentário em “Operação Trapaça expõe risco de terceirização da inspeção agropecuária

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *