Greve dos caminhoneiros vai muito além do preço do diesel. País não tem um plano B e quem mais sofre é o setor produtivo

Depois de uma semana da greve dos caminhoneiros, que paralisou o escoamento da produção e provocou perdas diárias de alguns bilhões de reais, conforme estimativas de diferentes setores, chega-se à conclusão que o problema dos caminhoneiros vai muito além do preço do diesel. E sim, passa pelo fato de não temos um plano B. Ou seja, o País nunca se preocupou em investir em outros modais, e no caso dos combustíveis, no setor não há uma política de competição. A política do pré-sal apostou todas as suas fichas em um combustível fóssil, quando o mundo todo está indo para outro lado, sem contar que o nosso programa de álcool, que é uma referência mundial, foi negligenciado.

A verdade é que não existe uma política de preços de longo prazo para os combustíveis, que forme um colchão, para que na alta do petróleo, exista a possibilidade de cortar impostos, e na baixa do petróleo haja a possibilidade de aumentar a tributação, fazendo assim, um colchão de estabilidade nos preços.

Eu conversei com alguns economistas e o que eles me disseram que outro grande problema é a falta de planejamento. Falta um plano para os próximos 5, 10 e 50 anos. Só para citar um exemplo, nossa malha ferroviária tem 29 mil quilômetros, desses, 10 mil km foram feitos no Império por D. Pedro II. Como comparação, os Estados Unidos possuem mais de 293 mil quilômetros de ferrovias e o Canadá quase 78 mil quilômetros.

O Brasil é um pais continental e não pode depender somente de caminhões. A greve chama a atenção para o fato de que precisamos de meios de transporte mais baratos. Outra coisa: as ferrovias são importantes, mas elas precisam funcionar. Com tantos rios, outra opção seria a implantação de hidrovias. Basta um pouco mais de interesse político.

Estamos diante da Quarta Revolução Industrial, mas ainda discutimos problemas do século passado. Governos e empresas precisam pensar no longo prazo, e que sem diversificação da infraestrutura não existe escoamento da produção, aumento da produtividade e diminuição dos desperdícios.

O lado positivo da crise dos caminhoneiros, é que talvez os políticos brasileiros acordem para a sonhada modernização de nossa malha de transportes, coisa que os produtores e industriais estão esperando há muitas décadas.

Mirian Gasparin

Mirian Gasparin, natural de Curitiba, é formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná e pós-graduada em Finanças Corporativas pela Universidade Federal do Paraná.Profissional com experiência de 50 anos na área de jornalismo, sendo 48 somente na área econômica, com trabalhos pela Rádio Cultura de Curitiba, Jornal Indústria & Comércio e Jornal Gazeta do Povo. Também foi assessora de imprensa das Secretarias de Estado da Fazenda, da Indústria, Comércio e Desenvolvimento Econômico e da Comunicação Social.Desde abril de 2006 é colunista de Negócios da Rádio BandNews Curitiba e escreveu para a revista Soluções do Sebrae/PR. Também é professora titular nos cursos de Jornalismo e Ciências Contábeis da Universidade Tuiuti do Paraná. Ministra cursos para empresários e executivos de empresas paranaenses, de São Paulo e Rio de Janeiro sobre Comunicação e Língua Portuguesa e faz palestras sobre Investimentos.Em julho de 2007 veio um novo desafio profissional, com o blog de Economia no Portal Jornale. Em abril de 2013 passou a ter um blog de Economia no portal Jornal e Notícias. E a partir de maio de 2014, quando completou 40 anos de jornalismo, lançou seu blog independente. Nestes 16 anos de blog, mais de 35 mil matérias foram postadas.Ao longo de sua carreira recebeu 20 prêmios, com destaque para o VII Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º e 3º lugar na categoria webjornalismo em 2023); Prêmio Fecomércio de Jornalismo (1º lugar Internet em 2017 e 2016);Prêmio Sistema Fiep de Jornalismo (1º lugar Internet – 2014 e 3º lugar Internet – 2015); Melhor Jornalista de Economia do Paraná concedido pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (agosto de 2010); Prêmio Associação Comercial do Paraná de Jornalismo de Economia (outubro de 2010), Destaque do Jornalismo Econômico do Paraná -Shopping Novo Batel (março de 2011). Em dezembro de 2009 ganhou o prêmio Destaque em Radiodifusão nos Melhores do Ano do jornal Diário Popular. Demais prêmios: Prêmio Ceag de Jornalismo, Centro de Apoio à Pequena e Média Empresa do Paraná, atual Sebrae (1987), Prêmio Cidade de Curitiba na categoria Jornalismo Econômico da Câmara Municipal de Curitiba (1990), Prêmio Qualidade Paraná, da International, Exporters Services (1991), Prêmio Abril de Jornalismo, Editora Abril (1992), Prêmio destaque de Jornalismo Econômico, Fiat Allis (1993), Prêmio Mercosul e o Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná (1995), As mulheres pioneiras no jornalismo do Paraná, Conselho Estadual da Mulher do Paraná (1996), Mulher de Destaque, Câmara Municipal de Curitiba (1999), Reconhecimento profissional, Sindicato dos Engenheiros do Estado do Paraná (2005), Reconhecimento profissional, Rotary Club de Curitiba Gralha Azul (2005).Faz parte da publicação “Jornalistas Brasileiros – Quem é quem no Jornalismo de Economia”, livro organizado por Eduardo Ribeiro e Engel Paschoal que traz os maiores nomes do Jornalismo Econômico brasileiro.

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